sexta-feira, 26 de abril de 2013

Keep Breathing


The storm is coming, but I don't mind.
People are dying, I close my blinds.

All that I know is I'm breathing now.

I want to change the world, instead I sleep.
I want to believe in more than you and me.

But all that I know is I'm breathing.
All I can do is keep breathing.
All we can do is keep breathing now.

All that I know is I'm breathing.
All I can do is keep breathing.
All we can do is keep breathing.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sutilezas

São elas que transformam as coisas na verdade. Pequenas coisas. Mínimas. Detalhes que passam desapercebidos pela maioria. Eu sempre fui dado às sutilezas. E isso é de alguma forma contraditório porque quase nunca consigo ser sutil, embora me encante quem o seja. As coisas leves. Ditas com os olhos ou com um simples tocar nas mãos do outro. Isso me fascina. Eu adoro quando chega aquele momento em que não tem mais nada a ser dito, aquela catarse em que o nó sobe à garganta e os olhos fazem questão de encerrar aquela cena após permitirem o abraço ter o seu momento de glória. Perceber o mundo através do quase invisível é um desafio sedutor e viciante e a beleza que acompanha cada novidade descoberta causa um torpor sem igual. Pense bem. Naquele momento em que só você percebeu o sorriso da criança ao olhar para a avó no supermercado. Nos minutos que você gastou olhando para o horizonte na última viagem de ônibus e percebeu um pôr do sol de cores diferentes de todas as que você já tinha visto. O barulho da chuva. As pessoas indo e vindo num calçadão, tão diferentes entre si e tão iguais no caminhar apressado.
Tudo isso me deixa perplexo. E os detalhes foram moldando meu caminho profissional. Escrever, ouvir histórias, atuar, cantar. E como eu disse lá em cima, para um bocado de coisa eu não tenho sutileza alguma. Mas estou tentando buscar dentro de mim algo que me faça administrar essa sensibilidade mais aguda que um si bemol. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Resposta ao senhor Cláudio Botelho.



"ONTEM LI NO GLOBO algo que me deixou cabreiro. Uma matéria se referia a um sujeito como "um dos nomes mais representativos do teatro carioca", ou algo parecido com isso. Ora, eu vivo numa bolha, tá certo. Me desculpem, sou alienado, não sei qual é a música famosa do The Cure. Mas do meu negócio eu entendo. E o sujeito descrito na matéria como "mais representativo" (ou algo similar) é alguém do circuito alternativo. Mais que isso, é o alternativo do alternativo. Ora, vamos ser francos... No Brasil não existe teatro alternativo, isso é uma conversa mole. O que existe é um teatro feito para ninguém ir, ou quem vai são os amigos ou parentes, ou são outros "alternativos", ou alunos de escola de teatro, não é público, não pagam ingressos. Ponto. Isso aqui é o Brasil, não é o Brooklyn. Então quando o Globo anuncia que o sujeito é "um dos mais do teatro", sendo que nem a mãe dele deve achar isso, fico pensando se eu vivo mesmo numa bolha e enlouqueci de vez, please me receitem Haldol urgente... Ou então que um "release" é capaz de convencer alguém a publicar que - pra usar uma comparação bem direta e compreenísvel - "o Grande destaque do Carnaval do Rio neste ano foi a Escola de Samba Do Playground Do Edifício Balança Mais Não Cai." Beija Flor, Mangueira, Salgueiro: tudo pé-de-chinelo. O Balança é que veio com tudo. Ah, me poupe!"
Cláudio Botelho


Este cidadão, que há anos não cria quase nada, apenas reproduz, está falando de mim e de todos os que sobrevivem de teatro sem apoios e patrocínios gigantescos, quando diz que o Teatro Alternativo não existe. “No Brasil não existe teatro alternativo, isso é uma conversa mole. O que existe é um teatro feito para ninguém ir, ou quem vai são os amigos ou parentes, ou são outros "alternativos", ou alunos de escola de teatro, não é público, não pagam ingressos.” E as pesquisas dramatúrgicas e cênicas realizadas em Universidades e Escolas de teatro Brasil afora? É de uma ignorância e arrogância sem limite esse tipo de opinião. Já assisti espetáculos da dupla Moeller e Botelho e há qualidades sim. A parte técnica sempre impressiona: iluminação caprichada, cenários e figurinos de impressionar, belos arranjos nas músicas. Mas e o trabalho de ator? Deixa muitas vezes a desejar. O de direção então nem se fala. E a inovação? A pesquisa? A emoção? A plateia saindo tocada e emocionada? Ou incomodada mesmo? Não existe.

Quando ele sobe nesse pedestal e vocifera e cospe “pra baixo”, é como se ele fosse o supra-sumo da qualidade e nada mais existisse de bom sendo produzido. Será uma amargura porque eles NUNCA estão entre os indicados aos prêmios de teatro? Doutores, estudiosos e críticos em arte, afirmam que todas as mudanças e novas possibilidades para os caminhos do teatro contemporâneo surgem do chamado Teatro Alternativo. Esse mesmo teatro que ele diz que ninguém assiste, já que “amigos e parentes não são público” (será que ele tem plateias de inimigos? Deus me livre!). Justamente por não ter a pressão de ser apenas um produto comercial, é que se permite a experimentação, o novo, o desconhecido. Permite-se não abrir exceções para o lugar-comum, o riso fácil. Dá-se tempo para o ator vivenciar aquilo que está encenando e não apenas decorar marcas e falas porque a estreia é daqui a dois meses e os diretores já têm mais 5 espetáculos sob encomenda.
A fala deste cidadão é um desrespeito com todos os grandes autores, diretores, atores e profissionais que lutam pra fazer uma arte que vá além de apenas lotar um teatro. Baile funk vive cheio. Zorra Total tem audiência cativa. E cá entre nós, nem todos os espetáculos do senhor Botelho lotam, principalmente em São Paulo. Os números em si, não são sinônimos de qualidade. Claro que todo mundo deseja mostrar o seu trabalho para o maior número de pessoas e acredite; quem vive e sobrevive com o chamado teatro alternativo trabalha muito por isso.
Senhor Botelho: Saia da sua redoma de vidro, estude um pouco mais, conheça novos ares. Teatro não se resume a uma cópia de Broadway. Tem muita gente, mas muuuuita gente que dá um duro danado estudando e trabalhando pra que novos horizontes se abram e para que o Teatro não se transforme numa TV ao vivo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013


Todo mundo sabe que eu cresci dentro de um contexto cristão evangélico e posso afirmar com toda a certeza que todos os valores morais e éticos que aprendi têm dois responsáveis diretos: a minha família e a igreja que freqüentei desde pirralho. Sempre tive e tenho até hoje na figura do pastor Silas Quirino de Carvalho, o maior referencial de honestidade, ética, transparência e moral que tive na vida. Não apenas pelo que o ouvia falar desde os meus seis anos de idade. Mas por todas as atitudes, decisões que o vi tomar ao longo dos anos nas mais diversas e adversas situações. É um homem que eu respeito e admiro muito, além do carinho que tenho por ele e por sua família. Assim como ele, durante os anos na igreja vi muitos homens e mulheres admiráveis pela sincera busca de Deus, de algo maior, de vida íntegra e justa diante daquilo que crêem. Porém, dentro do contexto da igreja evangélica, como em qualquer lugar do mundo, qualquer religião, trabalho, escola, segmento da sociedade, existem os lobos em pele de cordeiro, aqueles que se aproveitam da boa fé das pessoas. E por ter passado tantos anos dentro da igreja, após tanto ensinamento, depois de tanto ter convivido com pessoas sérias, fica muito fácil identificar os falsos profetas de hoje. E esses têm nome e sobrenome: Valdemiro Santiago, Edir Macedo, R.R Soares, Silas Malafaia e milhares de outros que de forma sórdida, usam o nome de Deus e a fé alheia para encherem os próprios bolsos. Tenho a certeza que dentre o “rebanho” destes, existem pessoas de boa índole, de caráter, mas que contudo, não conseguem enxergar quem são seus líderes.
Não preciso me retratar aqui com o velho discurso de “eu respeito a religião de todos, etc...”. O que eu respeito é a fé de cada um, a crença (ou não-crença) que cada indivíduo carrega consigo. Tenho muitos amigos, e amigos mesmo no sentido amplo da palavra que são evangélicos e são pessoas extraordinárias, gente que eu amo de paixão. Eu creio em Deus, creio em Jesus, essa é sim a minha fé. E essa mesma fé não me impede de ser cidadão pensante, não me torna cego diante das imensas quadrilhas disfarçadas de igrejas que têm se multiplicado em nossos dias. Não posso compactuar com esse nojo.

Era só isso que eu queria deixar claro.

terça-feira, 26 de março de 2013

Essas Mulheres...


Neste mês, comemoramos o dia Internacional da Mulher. Eu conversei com três representantes do sexo feminino que têm uma coisa em comum: todas se consideram pessoas bem-sucedidas naquilo que fazem, porque fazem com amor. A empresária Raquel Silveira, a coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Redentor, Shirley Rangel, e a diretora do Centro de Artes Madeleine Rosay e presidente da CESDA (Clélia Serrano Dança e Arte), Clélia Serrano.




Raquel Silveira – Empresária

A empresária Raquel Silveira se formou em Direito, mas há 22 anos escolheu trabalhar com cosméticos e como ela mesma diz, foi onde se encontrou e se apaixonou. Hoje, ela trabalha com a Racco na região. Dentro desse mercado, ela conseguiu desenvolver outro trabalho do qual se orgulha bastante: Treinar pessoas: “Eu não apenas vendo o produto, mas treino as pessoas para terem condições de brigar no mercado de trabalho. Na verdade, eu me encantei muito mais com essa possibilidade de permitir que as pessoas se coloquem de forma mais agressiva no mercado, do que com a venda do produto propriamente dita.”
90% das pessoas que trabalham com Raquel são mulheres. E por isso mesmo ela diz que é preciso dosar firmeza e sensibilidade: “O tempo todo. A gente precisa ter números, mas precisa de carinho também. Se colocar no lugar do outro.”
O que mudou no perfil da revendedora de cosméticos hoje? Raquel afirma que a mudança veio no conhecimento do produto. “Hoje ninguém quer vender um produto por vender. As mulheres querem saber de que empresas estão falando, como é o produto e por aí vai.”, conta Raquel. Por fim, ela diz por que se considera uma mulher bem-sucedida: “Primeiro, porque eu amo o que eu faço. E segundo, porque através do meu trabalho eu consigo contagiar as pessoas e mudar a realidade delas.”




Shirley Rangel – Coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Redentor e assessora da direção da Unidade Campos.

Shirley Rangel atua em dois segmentos importantes da sociedade: Educação e Saúde. Ela é coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Redentor e faz uma bonita analogia entre as duas áreas: “Eu cuido de um livro como eu cuido de uma pessoa. As pessoas têm marcas, a gente leva cicatrizes. E o livro também. O livro que está íntegro na estante, sem uma página amassadinha, ele não exerceu a função que tinha que exercer.” Shirley conversou com o Mania de Saúde sobre educação e contou por que valoriza o professor primário: “É um herói. Forma o cidadão desde pequeno e não é reconhecido. E esse papel é basicamente exercido por mulheres.” Ela diz também que a atuação do professor de Ensino Médio é importantíssima, porque é quem forma os cidadãos. “Eu não formo cidadãos. Eu estou formando universitários que já são cidadãos. Eles já chegam à Universidade com uma história. E essa base precisa ser reconhecida.”, afirma. Com a projeção de crescimento do Brasil maior do que a de outras economias mais consolidadas, Shirley destaca também a importância do Ensino Técnico: “A gente não vai conseguir ter um bom desenvolvimento se não tiver bons profissionais. Não adianta só formar. É preciso formar com qualidade. E acima de tudo, pra ser bem-sucedido, tem que ter humildade. Saber que é preciso aprender a cada dia.”




Clélia Serrano – Diretora do Centro de Artes Madeleine Rosay e presidente da CESDA (Clélia Serrano Dança e Arte), que administra o Corpo de Baile do Trianon.

Clélia Serrano formou-se aos 13 anos, na Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde atuou no Corpo de Baile e como solista. Teve professores de renome, entre eles, Madeleine Rosay, que dá nome ao Centro de Artes que dirige. Recentemente, através da Oscip Clélia Serrano Dança e Arte, passou a dirigir também o corpo de baile do Teatro Municipal Trianon.
Em conversa com o Mania de Saúde, Clélia analisa que tanto hoje, quanto na época em que começou a carreira, existem dificuldades distintas para o artista iniciante: “Hoje o que mais dificulta é a falta de incentivo cultural.Tem muito bailarino, e pouco lugar para se trabalhar.” Para Clélia, a disciplina é fator fundamental na formação do artista. E aliar a delicadeza do balé com a firmeza de quem está à frente de um espetáculo não é tarefa das mais fáceis. “Eu brigo muito. Nesta época de espetáculo não se pode ter papas na língua. Aí fica todo mundo brigado comigo, chateado, mas depois que acontece o espetáculo todo mundo é só elogios. Tem que ter a firmeza. Quando eu brigo, eles sabem que é para o bem. E eu sei que eles gostam de mim”, conta. Clélia finaliza dando uma dica para ser bem-sucedido: “Fazer o que gosta. E com amor. Não é gostar porque dá dinheiro. É amar o que faz. E é por isso que eu me considero uma mulher bem-sucedida”.



Matéria publicada no Mania de Saúde, edição de março

segunda-feira, 25 de março de 2013

O grande Teatro de Bolso











No dia 27 de março, comemora-se o Dia Internacional do Teatro, e a data serve para lembrar a importância de um dos espaços mais queridos pelos artistas de Campos: O Teatro de Bolso Procópio Ferreira.
Situado na Avenida XV de Novembro, s/nº, o teatro foi inaugurado em abril de 1968, e tem esse nome por ser um espaço de pequeno porte, onde a pequena plateia fica bem próxima ao palco. Com capacidade para receber até 162 pessoas, o Teatro de Bolso é parte importante da história artística do município, sendo o berço de estreia de grande parte dos artistas da cidade, como da atriz Katiana Rodrigues: "O TB foi o primeiro teatro onde me apresentei, com a peça ‘Estória da Moça Preguiçosa’. A direção era de Pedro Carneiro, e a personagem principal, Rosangela Queiroz. Nesse trabalho, fiz amigos que até hoje estão ao meu lado", conta Katiana.
A atriz e diretora Tânia Pessanha também tem uma relação de afeto com o TB: "Acho que todos ou quase todos têm uma relação de afeto e gratidão com esse Teatro. Foi durante muito tempo nosso único espaço." Tânia ainda salienta as mudanças que o espaço sofreu ao longo dos anos: "No espaço físico, algumas modificações foram feitas. Melhoramentos técnicos, camarins bem montados. Na ‘vida’ do teatro, acho que também houve mudanças, mas não foi para melhor. Percebo que o TB ficou sem o movimento artístico que pode ter. Acho que nós, artistas de Campos, precisamos ocupar mais o espaço, que é maravilhoso, para que ele volte a ter vida artística em abundância como já teve."
O Presidente da Fundação Teatro Municipal Trianon, João Vicente Alvarenga, também tem uma relação pessoal com o local, que foi onde ele começou a vida pública e já apresentou mais de 30 espetáculos. "O Teatro de Bolso é essa incubadora cultural, espaço de criação, de transformação, de reflexão, de vivências e trocas de experiências. Essa foi a receita de minha geração, que contou com um fato histórico muito importante, a Ditadura Militar, que restringiu liberdades e direitos políticos. Isso foi muito bom, porque nos fez sonhar com a possibilidade de outra dimensão, de um mundo melhor", conta João Vicente, que incentiva a revitalização do espaço: "Temos que recuperar essa sua função junto à classe teatral. O TB deverá ser um espaço permitido para o sonho compromissado com o trabalho e a criação. Os grupos devem procurar o Diretor, Sr. Adeilson Trindade, para agendar seus ensaios e reuniões."

Vou começar a postar aqui no blog, algumas das matérias que escrevi para o Mania de Saúde. A primeira foi, por consequência, o primeiro texto que produzi para o jornal.

terça-feira, 12 de março de 2013

Flor do Caribe - Crítica

Walther Negrão é um dos autores mais antigos em atividade. Acho que mais antigo que ele só o Lauro César Muniz. Está há 30 anos escrevendo novelas para o horário das 18hs e 19hs. Algumas de sucesso com Tropicaliente, Top Model, Fera Radical, Chega Mais e Era uma vez. Ontem, Negrão estreou seu mais novo trabalho: Flor do Caribe, com Grazi Massafera, Henri Castelli e Igor Rickli nos papéis principais, o que aparentemente já é uma desvantagem se considerarmos que tínhamos Marjorie Estiano, Camila Pitanga, Lázaro Ramos e Thiago Fragoso como protagonistas da trama anterior, estes, excelentes atores.

Flor do Caribe já se mostra como um retorno ao novelão típico do horário. Após uma sequência de tramas com ares de inovação (Cordel Encantado, A Vida da Gente, Amor Eterno Amor e Lado a Lado), podemos esperar um folhetim tradicional, como já mostrou este primeiro capítulo. Um casal apaixonado que será ameaçado pelo vilão rico que se faz de amigo. E aí, se tanto reclamamos da repetição de Glória Perez em suas tramas, é bom lembrar que esse mote já foi usado em outras tramas de Negrão como Tropicaliente, Como Uma Onda e Desejo Proibido. Este primeiro capítulo foi todo focado nos protagonistas e apresentou de forma clara o conflito que deve permear toda a trama: O desejo de Alberto separar Cassiano e Ester. Ainda não fomos apresentados a todo o elenco, mas já é possível comemorar as presenças de Bete Mendes, Juca de Oliveira, Angela Vieira, Sérgio Mamberti, Cacá Amaral e a grande Laura Cardoso. O trio de protagonistas, me parece fraco e pouco carismático. Embora Grazi já mostre uma boa evolução com relação a seus trabalhos anteriores, Henri e Igor ainda não disseram a que vieram. E sinto que teremos uma sensação de dejávu com a repetição de tantos atores de Avenida Brasil em cena: Débora Nascimento, José Loreto, Bruno Gissoni, Juca de Oliveira, Ailton Graça e Thiago Martins.

A fotografia é belíssima e deixa a trama com um ar leve e solar, fazendo um contraponto à antecessora Lado a Lado, que eu achava escura demais no início. Deu muita vontade de conhecer as praias do Rio Grande do Norte. A direção está caprichada, assim como cenários e figurinos, e de certa forma não se espera algo diferente dentro do padrão Globo, que tem buscado investir pesado no horário das 18hs. A trilha sonora está de muito bom gosto com nomes como Marcelo Jeneci, O Teatro Mágico, Isabela Taviani, Alceu valença, Elba Ramalho entre outros. O texto soou algumas vezes clichê, principalmente nas cenas apaixonadas do casal central. Mas revendo essas cenas eu acabei me perguntando: Quem não é clichê quando está apaixonado? Não sei vocês, mas eu sou. Como já falei, ainda vimos pouquíssimo das tramas paralelas, que são de importância vital para o andamento da trama e muitas vezes superam o núcleo central. Acredito que podemos ter boas surpresas vindo daí.

Resumo da ópera: A novela não trouxe nada de novo. É uma história que já foi contada, mas diferentemente do que ocorre com Glória Perez, Negrão sabe dar outras cores e temperos na sua receita. Não acredito que vai ser um mega sucesso de público e crítica (como foi Cordel Encantado), mas acho que pode ser um folhetim agradável e de entretenimento despretensioso. Não será especiaria, mas quem sabe, um feijão com arroz bem saboroso.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Dias nublados


"Não tenho pressa. Saio do café. Quem, como eu, tanto andou por essas ruas antes dessas ruas serem essas ruas? Sim, tenho-os comigo o quanto estou só. Escuto-os na sala a tagarelar, o hálito alegre da fala sobre nada. Fico melancólico nessa época do ano. Ouço os pingos na lata dos carros estacionados. A chuva, o frio, o mofo não me deixam lembrar direito. Um único dia de sol e tudo estará cegado novamente. Fui crescendo, a neblina e a geada a se infiltrarem em minha pele, no coração só superfície, coração sem fundo. Não há nitidez, nada é uma certeza. Nem bem me dou conta, estou trazendo o inverno dentro dos tímpanos. Sou mais cansado que um velho. Não se pode reter para sempre os instantes. Que passem. Plenitude é o que vai, some. No agora, esqueço. E esquecer talvez seja o jeito humano de guardar. Não quero reter os momentos de felicidade, como alguém que pretendesse o raro de si mesmo. A infelicidade me atravesse, não como eu fosse um túnel, mas lama que não admite modelação. Me atravesse, não suportaria encarcerá-la. A vida acontece conforme o errar se sucede, não como preferimos. Amanhece, abrimos os olhos. É dia. E os olhos abertos, lanternas a procurar na escuridão. O tempo passa para que as pessoas amadureçam, tornem-se melhores? Se você envelhece com pesares e lamentos, destrói cada uma das coisas que um dia amou? É preciso abandonar e ir em frente, ou a maneira mais ineficientemente tola de abjurar o passado seja o insistir na evitação de que a vida não nos fará esquecer sem que sejamos esquecidos. Perambulo, zumbi no centro."


POR LUIZ FELIPE LEPREVOST

Não pense.


Desligue o pensamento por um minuto.
E apenas sinta.

Sinta o agora que está em você.
A alegria. A paz. A dor. O medo. O amor. A raiva. O Tédio. O sono. O vigor. O otimismo. O lamento. A risada.

Sinta

Estamos num mundo onde sentir é quase uma ofensa. Onde é preciso pensar o tempo todo em alguma coisa, antes de tomar uma decisão.

Estamos com a intuição enferrujada.
E o medo toma conta.
Um excesso de prudência feio e grande.

Se jogue.
Arrisque.
Pule, mergulhe, voe, corra, salte, bata, ande, cante, dance.

Vá.

A vida é agora.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Dois minutos

Os passos eram lentos. Havia um peso de dez trens nos seus ombros. Os olhos passeavam pelo corredor e quando finalmente chegou na porta do quarto de Ricardo, ela estanca. Se lembrou da última vez que tinha entrado naquele quarto, há dois anos atrás, quando ele ainda estava prestando vestibular. Pensa se realmente precisa fazer isso. Se não pode deixar pra outra pessoa. Por dois segundos ela vacila. Mas ela sabe que tem que entrar.

Com muita dificuldade Heloísa vence a dor e entra no quarto do filho. Aquele cômodo tinha se tornado território proibido para ela, domínio exclusivo de Ricardo, onde nem a empregada Rute podia entrar. As roupas lavadas e passadas eram deixadas num cabideiro no corredor e as sujas, num cesto no banheiro. Inclusive as roupas de cama. Havia dois anos que ele mesmo limpava o próprio quarto. Heloísa não via problema nisso, "adolescência é assim mesmo", conformava-se o seu ex-marido, pai de Ricardo. Ela imaginava fotos de mulheres nuas na parede do quarto do filho, e que ele ficaria com vergonha se ela as visse. Nunca tivera curiosidade em confirmar suas hipóteses.

Agora ela se sente ridícula com a sua própria ingenuidade.
Agora ela não sabe mais quem era o rapaz que morava ali, debaixo daquele teto.
Agora ela não sabe mais nada.

Agora ela estava ali, no lugar que era só dele, tentando entender como tudo tinha acontecido. A cama estava desarrumada, seguindo o padrão de todo o quarto. Nada ali lembrava o menino que estampava a maior parte dos porta-retratos da casa. As roupas estavam espalhadas pelos móveis. Os cds estavam espalhados pelo chão, que agora era molhado pelas lágrimas discretas que caíam quase em câmera lenta do rosto de Heloísa.

Na mesa do computador, dois boletos da faculdade
e são dois meses de atraso
e já fazem dois dias que Ricardo não está mais lá
e são só dois minutos que Heloísa suporta ficar ali.

Também em dois minutos, Ricardo e mais quatro amigos espancaram um homossexual até a morte.

No jornal da noite, a empregada Rute vê o repórter dizendo que o pedido de habeas corpus de Ricardo fora negado. Rute não sabia direito o que era habeas corpus, mas entendeu que o menino que a ignorou por 15 anos dentro daquele lar iria continuar preso. Rute só achou estranho quando a apresentadora se referiu aos assassinos do homossexual como "Grupo de jovens de Botafogo" e em uma outra notícia sobre roubo de carros no bloco seguinte, a mesma apresentadora falou em "Marginais da Baixada."

terça-feira, 5 de março de 2013

Di Vasca: Direitos iguais (Vale a pena ler)

Di Vasca: Direitos iguais: De: Marcos Roberto Enviada em: segunda -feira ,19 de maio de 2008 13:49 P ara: Luis Di Vasca Assunto: Logo pra camiseta Oi , Entrei...

sexta-feira, 1 de março de 2013

Solitária - A Banda Mais Bonita da Cidade


Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden


Extravagâncias, amantes, dívidas, separações, alegações de incesto, morte por febre.
Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden,
se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que carregar consigo um Lord Byron. Tem que ser antigo como são antigas a bactéria, a chaga de Cristo e tudo o mais que a medicina não deu cabo.
De teu motor valvulado, corrosivo e perecível, você tem que extirpar cadeados de lamentos, cruz e sacrifícios. Você tem que ser teu próprio pronto socorro, da selvageria que é a vida, do osso quando te arrebentam.
Pancadarias na arquibancada.
Uma taça feita de crânio, as perfurações, as úlceras, as lesões, as ofensas, as injurias, os agravos.
Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden
se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que saber que não é invulnerável, que vão te fazer a corte e os cortes, nunca as suturas.
Você é antigo na dor.
Faz de sangrias coaguladas teu pranto.
Você colocou as mãos na labareda, deu as mãos de bandeja à palmatória.

Você cometeu haraquiri
E o show ainda nem chegou na metade.

(Luiz Felipe Leprevost)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Perguntas

Aqui no canto superior esquerdo da página do blog, tem um box que redireciona perguntas e curiosidades sobre a minha pessoa para minha página no ask.fm.

Lembrando que eu tenho o direito de me sentir a vontade pra responder ou não.

=)

Um sábado qualquer


Vou passar a postar algumas tirinhas aqui no blog de vez em quando. Começo com "Um sábado qualquer", de Carlos Ruas.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Voltando

Perdão, queridos leitores.

Fevereiro é sempre um mês complicado, com carnaval no meio. E ainda teve esse lance de eu virar repórter também. Eu tô adorando o que eu estou fazendo, principalmente porque estou conhecendo pessoas novas, realidades novas, coisas tão distintas do meu dia a dia. Acho que sou bom nisso: Ouvir pessoas. Tirar delas algo que possa ser proveitoso para os outro. É uma empreitada que tem me feito muito feliz.

Vou voltar a postar com mais frequência, pode deixar.

Até!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

De Pernas pro Ar 2 - Crítica

Antes de começar, é importante analisar o gênero do filme. "De pernas pro ar 2", assim como o primeiro da série, não se propõe a ser nada mais que um besteirol. Desses que vemos aos montes em Hollywood. O filme não se propõe a discutir temas profundos ou a renovar o gênero do humor nos cinemas; é entretenimento puro e simples. E o faz muito bem.

Ingrid Guimarães é uma craque na comédia. Acha uns tons, umas pausas que são só dela. Tal qual Maria Clara Gueiros, é uma atriz de um personagem só, mas esse personagem funciona bem pra caramba em várias situações e histórias. Com a alta qualidade da película, também dá pra perceber como a figura de Ingrid é estranha e em alguns momentos, feia mesmo. Mas ela consegue prender o espectador direitinho e é quem conduz o filme.

Do primeiro filme temos Bruno Garcia, Cristina Pereira, Maria Paula, Denise Weinberg e Eduardo Mello. Bruno Garcia é um grande ator e nessa continuação tem o destaque merecido que ficou faltando no filme anterior. Maria Paula, como Ingrid, interpreta o mesmíssimo tipo de sempre, mas incomoda menos que o de costume. Cristina Pereira como a empregada de Governador Valadares em Nova York, proporciona um dos melhores momentos do filme, que conta ainda com participações de Tatá Werneck, Luís Miranda, Christine Fernandes, Rodrigo Sant'anna e Eriberto Leão. A aparição de Tatá é pequena, ficou com gosto de quero mais. Rodrigo, marcado pelos tipos carimbados de Zorra Total, consegue arrancar boas gargalhadas como o garçom que finge que é de Governador Valadares, mas na verdade é de Nova Iguaçu. Eriberto Leão, sinceramente, conseguiu me cansar mais que a Maria Paula.

A produção é caprichada (exceto na cena em que a personagem de  Denise Weinberg deveria estar em Nova York, mas foi claramente feita em chromakey). As locações foram muito bem escolhidas e o roteiro de Paulo Cursino e Marcelo Saback não perde o fôlego em momento algum.

É claro que a sequência veio na onda do estouro de bilheteria do primeiro filme. Mas esse consegue apresentar um humor ainda mais afiado, inteligente e que ao contrário dos filmes de Bruno Mazzeo, não apela pra grosseria e não ofende o espectador com argumentos machistas e antiquados.

Pelo final do filme, podemos esperar uma terceira aventura de Alice. "De pernas pro ar" é um besteirol brasileiro sim, com muito orgulho. E não deixa nada a desejar pro modelo americano.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Preciso dizer que te amo - Cena 1

Luz abre aos poucos. Dé está em cena, assiste TV. Jonas entra, joga a mochila no chão com violência e senta ao lado de Dé. Silêncio. Os dois encaram a TV. Dé olha pra Jonas e volta pra TV. 

DÉ – E aí, como é que foi lá?

Jonas não responde. Está furioso, segurando pra não chorar. Dé insiste.

DÉ – Ok, você não quer falar, mas eu quero saber, porra. Como foi lá, o julgamento? – Jonas não responde ainda. – Jonas!

JONAS – Não teve merda de julgamento nenhum, Dé! O advogado daquele filho da puta conseguiu adiar de novo! Apresentou uma papelada lá que eu não entendi direito e agora só daqui a três meses pra ter outro julgamento. E enquanto isso, você sabe onde ele vai aguardar né? Na mansão dele, fazendo a faculdade dele, levando a vidinha escrota de playboy dele...

DÉ – Putz, cara... E o pai da Alice? E o promotor?

JONAS – O pai dela ficou arrasado... Depois ele me explicou que o promotor não teve saída, teve que aceitar o pedido de adiamento. É uma daquelas “brechas da lei” que só funciona pra rico.

DÉ – Cara, que merda... Já vai fazer um ano do acidente né?

JONAS – 2 de agosto. No dia do aniversário da Clara.

DÉ – E o cara ainda tá solto. É inacreditável, Jonas...

JONAS – É porque não foi o contrário, saca? Se a Alice tivesse provocado o acidente e matado o filhinho do deputado, essa hora ela tava cumprindo um ano de prisão. Mas não... Foi ela que morreu. E o pai dela não é ninguém nessa merda de país, entende? É só um comerciante, que levanta todo dia cedinho, rala pra caramba pra dar emprego pra umas dez pessoas, paga uma porrada de imposto em dia e a única coisa que ele queria na vida era ver a filha formada... Só isso que ele queria, Dé!

Jonas levanta e se afasta. Não quer que Dé o veja chorando.

DÉ – E você? O que você quer da vida agora, Jonas?

JONAS – Eu quero... Eu nem sei o que eu quero... É o clichê mais tosco do mundo, mas eu realmente queria, eu daria qualquer coisa pra acordar desse pesadelo. Acordar do lado dela sabe? Ver aquele cabelo ruivo, a pele branca dela numa camiseta velha minha, ela se amarrava em dormir com as minhas roupas. Ela dizia que ficar com o meu cheiro fazia com que ela sonhasse comigo. Eu queria ouvir ela roncar baixinho como ela roncava, nem que fosse só mais uma vez. E ela acordava às vezes com o próprio ronco e aí a gente caía na risada no meio da noite... De vez em quando eu acordo de madrugada porque eu sonho com ela acordando e rindo... Eu quase ouço a voz dela, Dé... E... É uma dor do tamanho de um prédio, saca? Eu tô de saco cheio desse vazio... Desse buraco no meu peito que já dura um ano! Eu não aguento mais essa saudade filha da puta!

Jonas cai no choro. Dé o abraça fortemente. A luz vai baixando lentamente sobre os dois.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os posts mais vistos do blog

As maiores audiências no blog são sempre as críticas. Acho que vou fazê-las com mais frequência. =)

26/06/2012, 2 comentários
251 visualizações
28/05/2012, 2 comentários
223 visualizações
23/04/2012, 3 comentários
205 visualizações
28/06/2012, 1 comentário
199 visualizações
138 visualizações

Feliz dia novo.

É meio bobo mas todo mundo faz. Usa um instrumento criado apenas pra facilitar e contar os dias, e de alguma forma coloca um misticismo, uma mágica na virada do calendário. Teoricamente é um dia como outro qualquer. Um dia depois de outro.

Não há mal nenhum em desejar mudanças pra esse novo período marcado pela mudança de um ou dois algarismos na data. No meio da confusão que se tornou nosso dia a dia, é até saudável. O que não podemos nos esquecer é não precisamos esperar o dia 1º de janeiro pra virar um jogo. Eu mesmo dei  giro de 180° na última semana de dezembro. O que quero dizer é que Deus nos deu oportunidades diárias de mudar. Cada manhã traz com o sol, um mundo inteirinho de possibilidades. Descubra quais são as suas.

Feliz dia novo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dia bom...

Hoje é um bom dia.

Porque acordei e tinha pão na mesa e café pronto. Tomei na minha caneca, que eu gosto bastante e foi minha tia que me deu no meu aniversário. É um bom dia porque me vesti com a polo que ganhei de amigo-oculto e ela fica muito bem em mim. Porque peguei um ônibus vazio pra ir pro trabalho. Porque ouvi Mercedes Sosa no caminho. Porque já fiz piada aqui no trabalho.

É um bom dia porque pessoas se foram e não sei mesmo até que ponto teria sido melhor se tivessem ficado. Porque segui em frente e agora meu coração está realmente livre. Porque tudo o que doeu ontem, não dói mais.

Porque tenho todas as ferramentas necessárias pra seguir em frente e ser feliz pra caramba.

É um bom dia.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Alice

Alice não sabia.

Acordou numa manhã quente de verão e já não sabia mais. O que fazia no mundo. Aquela sensação de estranheza que a acompanhava mansa, desde a infância, de repente rasgou seu peito com garras afiadas e lentas. Se sentiu devassada e perdida, completamente aturdida. Olhava em volta e via a mediocridade ganhando espaço. A superficialidade havia se alastrado como um vírus global, e Alice sentia como se tivesse sido de um dia pro outro. Se olhava no espelho e não havia mudado.

Agora ela se dava conta.

Que nesses anos todos ela foi sobrevivendo, apenas. E Alice não queria mais sobreviver. Ela queria a liberdade, poder colocar pra fora a sensibilidade sem ser taxada como louca, dramática. Alice queria um amor de verdade, não os de filmes e novelas com frases perfeitas, mas um amor de final de dia, de poder se encontrar no olhar de alguém. E também se perder nesse olhar.

Alice queria asas.

E foi sentindo nojo do mundo, da realidade. E foi se sentindo suja, cada vez mais suja, a cada segundo mais suja. E Alice nasceu numa manhã de inverno, quando havia caído uma forte geada na madrugada de Curitiba. E a cidade amanheceu branca, cristalina. Alice nasceu numa manhã de cristal, era a história que sua avó Lu contava.

Quando Alice partiu, no meio de uma tempestade de verão, no final da tarde, ela não desistiu de viver. Ela partiu pra ganhar asas. Ela se foi pra viver. Porque estava cansada de sobreviver.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Meu 2012 nos palcos

Ontem finalizei meu ciclo nos palcos deste ano, com a apresentação de Mil Pedaços em Lajes do Muriaé. Foi um ano muito intenso. Na quantidade de eventos, produções, apresentações. Deixa eu tentar lembrar...

Pra você Gostar de Mim - Trianon
Pra você Gostar de Mim - SESC Campos
A Vaca Lelé - Trianon
A Vaca Lelé - Dr. Hermann
A Vaca Lelé - SESC Campos
De Fuxicos e Retalhos SESC Campos
De Fuxicos e Retalhos SESI Itaperuna
De Fuxicos e Retalhos SESI Macaé.
Mil Pedaços - Temporada no Teatro de Bolso
Mil Pedaços - Itaperuna
Mil Pedaços - Laje do Muriaé
Com açúcar, com afeto - Trianon.

Recebemos um grupo novo cheio de muito gás, muita energia, que pode vir a acrescentar muito na companhia. Estou muito contente com as turmas de primeiro ano de 2012. Tanto do juvenil, quanto do infantil.
Foram muitas horas de ensaio, reuniões, planejamento. E sobretudo, foi um ano de muito aprendizado pra mim em vários aspectos. Entendi que pra uma boa parte eu não tenho mais o que ensinar. Comecei a ver alguns olhares duvidando da qualidade do meu trabalho. Algumas vezes questionando e outras até mesmo afrontando. E então eu mesmo comecei a duvidar. E em alguns momentos ter até a certeza de que não tenho mesmo muito mais o que fazer por eles. E isso foi o que mais me doeu nesse final de ano. Mas até que aprendi a lidar com isso com alguma dignidade. Embora ainda não consiga reverter essa dignidade em vontade de continuar com alguns processos.
Outra ficha que caiu é que eu sou apenas "o tio". E isso tem me incomodado pra caramba. Não tem problema quando são as crianças que me chamam assim. E quando era um adolescente/adulto eu achava até engraçado no início, eu mesmo me chamava assim. Mas depois fui percebendo que isso é sintomático. Eu me tornei apenas isso: "o tio". É como se eu tivesse 45 anos. E eu só tenho 27, caramba! Eu fico me perguntando se não está na hora de procurar a minha turma, sabe? É lógico que tem algum conflito de gerações, mas nem é tanto assim. Estou na Persona desde 2001. Vi muita gente passar por lá. Mas pela primeira vez me vejo segregado. Se por um lado eu lastimo, por outro nem tanto. É consequência do amadurecimento. O que fazer com relação a isso? Chorar e lamentar? Absolutamente! É preciso se adaptar à esse constante movimento da vida. Procurar saídas. Encontrar soluções. Abrir horizontes.

2013 ainda está nebuloso com relação à minha presença nos palcos. Lógico que vou reapresentar "Com Açúcar e Com Afeto". Lógico que vou continuar no Anel. São as duas coisas certas, sob as quais não pairam dúvidas. Quanto ao resto, vai depender da minha capacidade em transformar a dignidade que eu falei lá no outro parágrafo, em desejo e alegria de continuar.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Para duas atrizes - Quem topa?

Cena da novela "A Vida da Gente" de Lícia Manzo, originalmente protagonizada por Fernanda Vasconcelos e Marjorie Estiano. 


ANA – A gente pode conversar? (tempo)

MANU – Obrigada pelo convite, mas... Na verdade eu já tinha falado pra Júlia que eu não vou poder ir por que...
ANA – Justamente, Manuela. Por quê?
MANU – Porque eu tenho trabalho nesse dia.
ANA – Domingo? No final da tarde?
MANU – Ana, por favor...
ANA – Por favor, digo eu Manuela... Meses já se passaram e nada justifica que você continue desse jeito.
MANU – Tá, pra você... Pra você talvez...  Agora não cabe a você julgar o que eu sinto.
ANA – Eu não to julgando nada... Ao contrário, é você que tá me julgando. Aliás, você tá me condenando por conta de um erro que eu cometi...
MANU – Um erro que destruiu muita coisa, Ana. A minha confiança, por exemplo.
ANA – Desculpa, mas isso ninguém consegue destruir. A não ser que você queira. Se coloca no meu lugar...
MANU – É impossível. Porque eu já disse e repito que no seu lugar, eu jamais teria feito uma coisa dessas.
ANA – Caramba, Manuela! Você fala de um jeito que parece que eu matei. Parece...
MANU – Mas você matou! Você matou a nossa amizade. Você matou a minha confiança, você matou o amor que eu sentia e pior ainda: pra nada! Por mero capricho!
ANA – Como assim capricho? Do que você tá falando? Capricho?
MANU – Eu to falando de você ter destruído a minha relação com o Rodrigo pra nada! Porque nem coragem de bancar essa decisão, você teve! Quando eu decidi ficar com o Rodrigo lá atrás, Ana, todo mundo dizia que seu coma não tinha mais volta. Mas ainda assim foi difícil bancar a decisão de me casar com ele e eu banquei! Você sabe por quê? Porque eu sou adulta! Porque eu não daria um passo de uma decisão desse tamanho envolvendo a Júlia, pra depois amarelar e voltar atrás...
ANA – Eu não amarelei coisa nenhuma!
MANU – Eu banquei porque eu amava o Rodrigo com todo meu coração, era de um jeito que você não faz ideia, de um jeito que você não vai entender nunca, porque você não sabe o que é isso, Ana! Amor! Você usa as pessoas, Ana...  Você é o centro do Universo. E até a atenção exagerada que a mamãe sempre te deu a vida inteira e que você dizia detestar; hoje eu me pergunto se ela não te cabia muito bem, já que pelo visto...
ANA – Eu não vou levar em consideração o que você tá falando, Manuela...  Você tá magoada e...
MANU – Magoada? Magoada é pouco, eu to destruída há meses, tentando refazer a minha vida e por essa razão você não tem o direito de se fazer de vítima e vir até aqui, falando que o fato de eu ter me afastado de você é uma injustiça!
ANA (sincera e desarmada) – Desculpa... O que é que eu posso fazer pra você me perdoar?
MANU – Se afastar de mim, Ana! Me deixar em paz! Isso você pode fazer! E começa também a tomar cuidado com as outras pessoas, com o que elas sentem, porque pelo visto...
ANA – Pelo visto o que?
MANU – Pelo visto você continua fazendo a mesma coisa... Só que a vítima dessa vez é o Lúcio.
ANA – Que história é essa, Manu, de vítima? Tudo tem limite, viu Manuela? Eu não vou admitir que você fale da minha relação com o Lúcio...
MANU – Da sua o quê? Da sua relação? Relação? Relação implica em duas partes. Uma percebendo a outra, uma cedendo em nome da outra. Você não tem e nunca vai ter relação com ninguém... Sedução é uma coisa, e nisso eu admito... Nisso eu concordo que você é muito boa. Tem flerte, encantamento... Namoro... Agora, o seu repertório para por aí. E sabe por quê? Porque pra ter uma relação é preciso existir respeito mútuo. E você não respeita... Ninguém... Nem nada...  A não ser sua própria vontade.
(silêncio)
ANA – Se o tom da conversa é esse... Desculpa, mas eu vou embora...
MANU (irônica) – Isso...  Muito bom, vai embora. Vai embora...  Nem uma conversa difícil você é capaz de bancar. É isso mesmo que você faz... Vai embora, foge, dá as costas, vai embora e deixa que os outros depois arrumem o caos que você deixou...
ANA – Escuta aqui! Quem você pensa que é pra subir aí nesse seu pedestal e vir me falar de coragem? Quando na verdade...
MANU – Na verdade o quê? Do que você tá falando?
ANA – Da sua covardia... Do seu golpe baixo, de ter deixado a minha filha no momento que ela mais precisava de você!
MANU – Eu fui embora porque eu precisava. Porque eu não tinha condições naquele momento.
ANA – Ai, não tinha condições? Coitadinha, né? Não tinha condições de agir feito a adulta que você diz que é pra ajudar a própria filha?
MANU – Eu não deixei a Júlia sozinha, ela também é sua filha!
ANA – Claro! Agora que te interessa eu também sou a mãe dela!
MANU – Olha aqui, é melhor a gente encerrar essa conversa.
ANA – Melhor pra quem?! Pra você? Porque é muito fácil você apontar o dedo na minha cara como se você fosse íntegra! Como se você fosse certa!
MANU – Ah, me desculpa Ana, mas perto de você...
ANA – Perto de mim, o quê? Você, Manuela, você é o centro do universo. Você deu as costas pra minha filha no momento que ela mais precisou de você! Você deixou ela se desestabilizar, você deixou ela sofrer, me rejeitar... Porque assim... Assim você se afirmava a mãe verdadeira né? A mãe perfeita... E ainda de quebra, destruiu qualquer possibilidade de entendimento entre mim e o Rodrigo. Você me acusa de ter amarelado, de ter voltado na minha decisão, mas fique sabendo que eu não fiquei com ele por sua causa, porque você minou essa relação quando se recusou a fazer uma ponte entre mim e a Júlia! Sabe por quê? Pra se vingar... Se vingar do fato do Rodrigo ainda me amar.
MANU – CALA A BOCA, ANA! CALA A BOCA! Eu não sou obrigada a ficar ouvindo isso na minha casa!
ANA – É obrigada sim porque essa casa aqui deveria ser minha! Essa vida deveria ser minha e a Júlia É MINHA FILHA! Não é sua filha! Você ouviu bem? E a minha história com o Rodrigo, ela foi abortada duas vezes. A primeira pela minha mãe e a segunda por você... Que impediu que a gente tentasse... Quer saber? Não adianta Manuela... Não adianta... Mesmo que a gente não fique junto, mesmo que o mundo inteiro impeça, o amor que a gente sente um pelo outro vai continuar existindo... (Ana desmonta e chora.).
Silêncio.
MANU- Para... E ouve... Ouve o que você acabou de dizer... Você acabou de dizer que o seu amor pelo Rodrigo continua existindo ao mesmo tempo em que você vem aqui com esse convite de casamento idiota na mão.
ANA – Eu não quis dizer isso em relação ao Rodrigo...
MANU – Você nunca quer dizer nada, não é? Você é sempre bem-intencionada. Mas deixa eu te falar uma coisa, Ana...  De boas intenções o inferno tá cheio...  E sendo assim... Libera o Lúcio, vai... Ele é um cara bacana, ele não merece ser usado por alguém como você...

 (Ana está aos prantos e encara a irmã. Atônita, sai de cena.Agora Manuela também chora).