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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Listas de aniversário

Todo mundo que me conhece sabe que eu acompanho Grey's Anatomy, uma série médica que já está indo para a sua décima temporada. Numa série de longa duração assim, é natural que haja alguma rotatividade no elenco: Alguns personagens saem e outros entram, às vezes aquele que eu mais gostava se vai, mas chegam outros que você aprende a gostar. 
Entendi que a vida também é assim. Ao começar a convidar as pessoas para o meu aniversário, percebi que muita gente que eu queria perto ano passado, por vários motivos hoje não têm motivo para se achegarem. E outras começaram a chegar perto. Não te parece incrível esse movimento da vida? Como numa grande teatro em que os atores se revezam no palco, e o roteiro segue solto, num espetáculo de improviso.
Por muito tempo eu lamentei as partidas. As via como perdas. Mas hoje eu me comovo com o rumo que meus amigos tomaram. Cresceram. Somos adultos e isso é tão bonito de ver. Me orgulho de cada um, mesmo que momentaneamente não estejamos próximos fisicamente, mas até mesmo nas séries, esses personagens reaparecem em episódios especiais (como a Addison, diva). 
E os novos chegam com tramas com bastante potencial. Ao que tudo indica, passaremos os próximos quatro anos juntos, até a colação de grau, no caso do núcleo da Universidade. Sabe que eu passei a amar essa dança das cadeiras? 
O fato é que as listas de aniversário são um bom termômetro para analisarmos e agradecermos pelas pessoas que temos perto. E por aquelas que precisaram se afastar fisicamente, mas estão lá, num lugarzinho quente e aconchegante do coração. 
Brindemos à coreografia da vida!


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sutilezas

São elas que transformam as coisas na verdade. Pequenas coisas. Mínimas. Detalhes que passam desapercebidos pela maioria. Eu sempre fui dado às sutilezas. E isso é de alguma forma contraditório porque quase nunca consigo ser sutil, embora me encante quem o seja. As coisas leves. Ditas com os olhos ou com um simples tocar nas mãos do outro. Isso me fascina. Eu adoro quando chega aquele momento em que não tem mais nada a ser dito, aquela catarse em que o nó sobe à garganta e os olhos fazem questão de encerrar aquela cena após permitirem o abraço ter o seu momento de glória. Perceber o mundo através do quase invisível é um desafio sedutor e viciante e a beleza que acompanha cada novidade descoberta causa um torpor sem igual. Pense bem. Naquele momento em que só você percebeu o sorriso da criança ao olhar para a avó no supermercado. Nos minutos que você gastou olhando para o horizonte na última viagem de ônibus e percebeu um pôr do sol de cores diferentes de todas as que você já tinha visto. O barulho da chuva. As pessoas indo e vindo num calçadão, tão diferentes entre si e tão iguais no caminhar apressado.
Tudo isso me deixa perplexo. E os detalhes foram moldando meu caminho profissional. Escrever, ouvir histórias, atuar, cantar. E como eu disse lá em cima, para um bocado de coisa eu não tenho sutileza alguma. Mas estou tentando buscar dentro de mim algo que me faça administrar essa sensibilidade mais aguda que um si bemol. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Kids

Quando se trabalha com crianças, é importante saber observar. Mas quando se ensina teatro para crianças, é fundamental. Porque cada gesto, cada briga, cada sorriso, cada palavra pode dizer muito mais do que aparenta. Os detalhes são menores em seres humanos menores. Mas nem por isso menos importantes. Muitas vezes estão pedindo ajuda. Outras, querem apenas se exibir. De fato, os pequenos são transparentes. O que falta na maioria dos casos, são adultos capazes de reconhecer e decodificar os sinais.

Crianças são inconsequentes, tanto pro lado bom quanto pro lado ruim. Não têm medo do ridículo, da fantasia, sonham, falam bobagem, dão ideias tolas, falam alto, te enlouquecem com 70 perguntas por minuto. Se machucam e acabam machucando quem amam. Brigam por vaidade, por coisas, pra provar que estão certas, quando são contrariadas, por ciúmes.

Mas e nós, adultos e maduros? Pelo que brigamos, se não pelas mesmas razões? Eu achava que com o passar dos anos as coisas iam mudar, a maturidade ia me trazer equilíbrio e serenidade pra lidar com as decepções, as dores, as mágoas. Mas nessa altura da vida eu ainda me vejo rompendo relações sólidas por que alguém não agiu como deveria em uma determinada situação, chorando por que fui deixado de lado na "brincadeira", me magoando com um "chega pra lá". Por que?

A verdade é que uma parte de nós nunca cresce, e como tudo na vida, vem com ônus e bônus. Ser como criança pode ser um elogio ou uma ofensa, depende da situação. Fato é que precisamos aprender a conviver de forma equilibrada com essa infância guardada.

Que criança eu sou nesse momento? Aquela que brigou com o amigo, mas sente falta de brincar com ele. E começa a se aproximar querendo pedir desculpa. Como naqueles momentos em que os adultos dizem "Não tem vergonha na cara mesmo. Estavam se engalfinhando e agora já estão brincando de novo." Exato. Criança não tem vergonha de pisar o orgulho e voltar atrás. É o lado bom.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ritmo

Como atores, aprendemos nas primeiras aulas de teatro a trabalhar com ritmo. Caminhar pela sala, marcar com uma parte do corpo, acelerar, reduzir, sentir a música. Sentir o tempo é item de primeira necessidade de um ator. Não somente com relação aos movimentos se sincronizarem com o pulso de uma música. Vai além. Precisamos saber a hora certa de dar o texto. Sentir o intervalo exato entre uma fala e outra. O tempo do silêncio. O tão falado tempo da comédia. No teatro, o tempo é tudo.

Então parei pra pensar que se o teatro é a representação da vida real, nesta também o tempo é soberano. Entendi que saber administrá-lo, é muito mais do que dar conta das coisas que se tem pra fazer no dia. É bem mais complexo. É saber a hora de parar. De mudar de rumo. De voltar atrás. De correr. De desacelerar. De soltar as rédeas. De tomá-las de volta. É saber pra onde você quer levar a sua vida. E em que velocidade.