sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Lado a Lado - Crítica

Assisti ao primeiro capítulo de "Lado a Lado" com uma boa expectativa. Sempre que a Globo lança novos autores, eu me proponho a assistir ao trabalho com boa vontade. João Ximenes Braga e Cláudia Lage eram colaboradores de nomes consagrados como Gilberto Braga e Manoel Carlos. Agora partem para seu "voo solo em dupla".

O primeiro capítulo, mostrando apenas o elenco central, fez lembrar em alguns momentos, episódios pilotos de séries: a forma como os personagens foram se apresentando, as situações, os ângulos, a trilha; nada estava por acaso. O ponto forte dessa estreia foi a caprichada direção de arte: Cenários e figurinos deslumbrantes, enchendo os olhos de quem está assistindo. A abertura com o samba-enredo da Mangueira foi um achado.

A estreia foi centrada em Patrícia Pillar, Marjorie Estiano, Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Isabela Garcia e Milton Gonçalves. Todos parecendo estar muito confortáveis em seus papéis. Estranhei um pouco a voz da Isabela, mais rouca que o normal, chegando a falhar algumas vezes. Merece atenção. Tivemos ainda participações pequenas de Caio Blat, Sheron Menezes e Zezeh Barbosa. As duas últimas, recém-saídas de "Aquele Beijo". Este aliás é um problema atualmente na Globo: A repetição de elencos.

A trama se passa num período muito importante pra se compreender a formação do espaço urbano carioca. Achei muito feliz a escolha dos autores por esse período histórico. O texto é bom, mas precisa abandonar alguns didatismos como "O carnaval é a festa da carne", etc. A iluminação também poderia ser mais clara; pouca luz nesse horário afasta o telespectador.

Há uma boa história pra se contar, uma boa direção e bons atores. O cuidado que se tem que tomar é com o ritmo. Mas "Lado a Lado", promete retomar o trilho de boas novelas das 18hs, que se iniciou com "Cordel Encantado", prosseguiu com "A Vida da Gente", mas foi abandonado pela fraca "Amor Eterno Amor".

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Chegar na Persona.

Me perguntaram o que me faz feliz hoje.

Depois de oito horas dentro de uma sala fechada, olhando pro computador, ligando para clientes, respondendo e-mails, pressão de gerente... É bom chegar na Persona. Dá um alívio.

Passar pela grade e ver as crianças brincando na varanda. Abrir o portão e ouvir “Oi, tio Lênin!”. Sempre tem alguém num canto da varanda fofocando. Mas é sempre alguém que também tem um sorriso. Chegar na sala da frente e ver os olhos sempre tranqüilos de Rogéria. Encontrar Decinho, parceiro de tantos anos.
É bom desacelerar.
Olhar quem está na sala. Perceber o movimento na Companhia. Tem sempre alguém ensaiando na sala de trás. Tomar um café rápido com Tia Tânia antes da aula para as pestinhas. A cozinha ainda é nosso cômodo preferido da casa. Onde trocamos confidências.
Subir as escadas e dividir a turma com a calma de Thássia e a determinação de Iara. Chamar a atenção de Valentina. Rir com as maluquices de Tamíris e Laís. Ver a firmeza dos olhos de Roberta. Ouvir as histórias de Carolzinha.
É sempre bom.
Emendar uma aula na outra e ver aquele salão ser tomado pela energia da massa humana. Aquela vontade de viver, de fazer arte. O afeto que nos une. Os movimentos precisos de Guilherme. As interferências de Olga. As implicâncias com Luisa. A humildade tão verdadeira de Felipe Rangel. A voz doce de Anderson. O mega-fone de Caio. O humor ácido de Camila. Os olhos de Hugo. Anne e Lise, já tão grandes. O sorriso de Paula. A cumplicidade com Renata. A parceria com Tia Tetê. A confiança em Tia Tânia. A inocência do segundo ano, tentando de todas as formas, virar gente grande. A Companhia como um todo, sendo fortalecida por cada novo integrante que vai se somando.

Acho que é tudo isso.

É tudo isso que me faz feliz hoje.