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segunda-feira, 13 de maio de 2013

"Somos Tão Jovens" - Crítica

Thiago Mendonça NÃO é Renato Russo.


É louvável a iniciativa de se produzir um filme como esse. Levar a mensagem da Legião Urbana para essa garotada acostumada com “tche tcherere tche tche”, por si só já mereceria aplausos. Mas o que se viu na tela de “Somos Tão Jovens”, foi um retrato superficial e insosso da formação da cena punk-rock de Brasília. O longa-metragem de Antônio Carlos da Fontoura parece um daqueles filmes que a Globo ama passar no “Festival Nacional” no início de cada ano.

A história está ali. O problema é como ela é conduzida. O roteiro é mal-amarrado por ações que não se concluem sabe-se lá por quê. Quando alguma trama começa a entrar num clímax de emoção, a cena corta para outra história (Como no caso da ida de Petrus para o serviço militar ou a relação de Renato com Carlinhos). Não há momentos de perder o ar, de emoção, de entrega. É como se o avião pousasse assim que alça voo. Aliás, Sérgio Dalcin, o ator que faz Petrus é frágil demais. A escalação de Thiago Mendonça também não me parece das mais felizes. Nos seus papéis na TV, nunca conseguiu perder os trejeitos afeminados e Renato, definitivamente não era afeminado. Embora em alguns momentos (os de shows principalmente) Thiago até consiga reproduzir com bastante fidelidade os trejeitos de Renato Russo, na maior parte do tempo, sua interpretação é rasa e lembra qualquer coisa de Malhação ou peça de Ensino Fundamental. Falta a Thiago, a profundidade de Renato, a melancolia, o lirismo. O olhar. Aliás, não só a Thiago, mas o filme todo parece embrutecido e corrido demais. Não tem poesia. Ou melhor, reconheci dois momentos poéticos: A abertura ao som de violão, violas, violinos e violoncelos com “Tempo Perdido” e o momento em que a Legião toca “Ainda é Cedo”, dedicada para Aninha, vivida e defendida muito bem pela ótima Laila Zaid. Bianca Comparato, Marcos Breda, Sandra Corveloni e Bruno Torres estão muito bem em seus papéis. A participação de Edu Moraes como Herbert Vianna também é um ponto alto, esse sim, consegue chegar bem próximo do personagem real.

A intenção era mostrar a formação da Legião Urbana, passando pelo Aborto Elétrico e pelo período do Trovador Solitário de Renato. Como documentário não há nada de errado com o filme. Poderia passar para os meus alunos pra situar a banda no tempo e no espaço de Brasília no final do regime militar. Para conhecer alguns fatos da vida de Renato. Para apenas ouvir as músicas desse período tão rico para o rock nacional. Mas quem é fã da Legião e quem gosta de arte, sente falta de poesia, de melancolia, de beleza que as palavras de Renato traziam. Nada nele ou na Legião era superficial. O que mais faz falta em “Somos Tão Jovens” é uma visão mais artística da obra dessa banda que marcou gerações. Uma pena.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Sangue Bom - Crítica

Após os primeiros capítulos da novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari já dá pra perceber que a Globo quer tirar o cheiro de mofo que ficou no horário das sete após "Guerra dos Sexos". A novela se passa em São Paulo e já se mostrou solar e jovem, com os seis protagonistas com idades na casa dos 20. A característica do horário é o apelo ao humor e "Sangue Bom" já divertiu no primeiro capítulo com Giulia Gam reinando soberana e dando show na pele da atriz decadente Bárbara Ellen, uma mistura de Susana Vieira com Ana Maria Braga. Soltou frases impagáveis ao longo da semana como "Fui eu quem paguei seu DRT!", para o marido canastrão e "Parem de comer, quero todo mundo com cara de abatido", para os filhos na mesa do café da manhã no dia do velório do mesmo marido. Já dá pra sentir que ela fará misérias com a personagem.
Malu Mader vem encarnando uma garçonete pobre, e não compromete, embora ainda não tenha acertado no tom da personagem. Outra que precisa descer um pouco é Marisa Orth com sua Damáris, que lembra os trejeitos da Rita de "Toma lá dá cá" e de Úrsula Lane de "Bang Bang". Bruno Garcia, competente como sempre, faz uma boa dobradinha com a linda Letícia Sabatella, que embora seja excelente atriz, ainda parece não saber com certeza o que sua Verônica tem a dizer. Regiane Alves está ótima como a insegura Renata, que não sabe com certeza se quer mesmo se casar com o noivo vivido por Armando Babaioff, que aliás, parece finalmente ter um papel à altura do seu talento.
Ingrid Guimarães promete ser um ótimo ponto de humor com sua Tina. Pelas primeiras cenas da personagem, dá pra perceber que atriz está levando alguns improvisos para a trama, o que só tem acrescentado pontos positivos.
E chegamos ao elenco central que é irregular. Ponto positivo para Isabelle Drummond, Fernanda Vasconcelos e Humberto Carrão, que conseguiram fugir dos clichês da menina-moleque, a estudante boazinha e o órfão ressentido. Marcos Pigossi, Sophie Charlotte e Jayme Matarazzo ainda precisam fugir da chatice que ameaça os seus personagens, cada um de uma forma. Mas ainda falta muito chão pela frente e pode ser que eles consigam.
A trama em si, foca no mundo da fama, do poder e da necessidade de estar sempre no foco das atenções. Tudo isso faz contraponto com o "núcleo pobre" da trama. Coloco núcleo pobre entre aspas, porque na maioria dos casos, eles são mais bem de vida do que eu.
A trilha sonora por vezes incomoda com o excesso de gritos do Sambô, mas tem Agridoce, Ney Matogrosso e Monique Kessous para compensar. A abertura lembra muito as de Malhação em temporadas passadas, mas é bonita e mostra bem que é hora de trazer cor denovo ao horário das sete.


terça-feira, 12 de março de 2013

Flor do Caribe - Crítica

Walther Negrão é um dos autores mais antigos em atividade. Acho que mais antigo que ele só o Lauro César Muniz. Está há 30 anos escrevendo novelas para o horário das 18hs e 19hs. Algumas de sucesso com Tropicaliente, Top Model, Fera Radical, Chega Mais e Era uma vez. Ontem, Negrão estreou seu mais novo trabalho: Flor do Caribe, com Grazi Massafera, Henri Castelli e Igor Rickli nos papéis principais, o que aparentemente já é uma desvantagem se considerarmos que tínhamos Marjorie Estiano, Camila Pitanga, Lázaro Ramos e Thiago Fragoso como protagonistas da trama anterior, estes, excelentes atores.

Flor do Caribe já se mostra como um retorno ao novelão típico do horário. Após uma sequência de tramas com ares de inovação (Cordel Encantado, A Vida da Gente, Amor Eterno Amor e Lado a Lado), podemos esperar um folhetim tradicional, como já mostrou este primeiro capítulo. Um casal apaixonado que será ameaçado pelo vilão rico que se faz de amigo. E aí, se tanto reclamamos da repetição de Glória Perez em suas tramas, é bom lembrar que esse mote já foi usado em outras tramas de Negrão como Tropicaliente, Como Uma Onda e Desejo Proibido. Este primeiro capítulo foi todo focado nos protagonistas e apresentou de forma clara o conflito que deve permear toda a trama: O desejo de Alberto separar Cassiano e Ester. Ainda não fomos apresentados a todo o elenco, mas já é possível comemorar as presenças de Bete Mendes, Juca de Oliveira, Angela Vieira, Sérgio Mamberti, Cacá Amaral e a grande Laura Cardoso. O trio de protagonistas, me parece fraco e pouco carismático. Embora Grazi já mostre uma boa evolução com relação a seus trabalhos anteriores, Henri e Igor ainda não disseram a que vieram. E sinto que teremos uma sensação de dejávu com a repetição de tantos atores de Avenida Brasil em cena: Débora Nascimento, José Loreto, Bruno Gissoni, Juca de Oliveira, Ailton Graça e Thiago Martins.

A fotografia é belíssima e deixa a trama com um ar leve e solar, fazendo um contraponto à antecessora Lado a Lado, que eu achava escura demais no início. Deu muita vontade de conhecer as praias do Rio Grande do Norte. A direção está caprichada, assim como cenários e figurinos, e de certa forma não se espera algo diferente dentro do padrão Globo, que tem buscado investir pesado no horário das 18hs. A trilha sonora está de muito bom gosto com nomes como Marcelo Jeneci, O Teatro Mágico, Isabela Taviani, Alceu valença, Elba Ramalho entre outros. O texto soou algumas vezes clichê, principalmente nas cenas apaixonadas do casal central. Mas revendo essas cenas eu acabei me perguntando: Quem não é clichê quando está apaixonado? Não sei vocês, mas eu sou. Como já falei, ainda vimos pouquíssimo das tramas paralelas, que são de importância vital para o andamento da trama e muitas vezes superam o núcleo central. Acredito que podemos ter boas surpresas vindo daí.

Resumo da ópera: A novela não trouxe nada de novo. É uma história que já foi contada, mas diferentemente do que ocorre com Glória Perez, Negrão sabe dar outras cores e temperos na sua receita. Não acredito que vai ser um mega sucesso de público e crítica (como foi Cordel Encantado), mas acho que pode ser um folhetim agradável e de entretenimento despretensioso. Não será especiaria, mas quem sabe, um feijão com arroz bem saboroso.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

De Pernas pro Ar 2 - Crítica

Antes de começar, é importante analisar o gênero do filme. "De pernas pro ar 2", assim como o primeiro da série, não se propõe a ser nada mais que um besteirol. Desses que vemos aos montes em Hollywood. O filme não se propõe a discutir temas profundos ou a renovar o gênero do humor nos cinemas; é entretenimento puro e simples. E o faz muito bem.

Ingrid Guimarães é uma craque na comédia. Acha uns tons, umas pausas que são só dela. Tal qual Maria Clara Gueiros, é uma atriz de um personagem só, mas esse personagem funciona bem pra caramba em várias situações e histórias. Com a alta qualidade da película, também dá pra perceber como a figura de Ingrid é estranha e em alguns momentos, feia mesmo. Mas ela consegue prender o espectador direitinho e é quem conduz o filme.

Do primeiro filme temos Bruno Garcia, Cristina Pereira, Maria Paula, Denise Weinberg e Eduardo Mello. Bruno Garcia é um grande ator e nessa continuação tem o destaque merecido que ficou faltando no filme anterior. Maria Paula, como Ingrid, interpreta o mesmíssimo tipo de sempre, mas incomoda menos que o de costume. Cristina Pereira como a empregada de Governador Valadares em Nova York, proporciona um dos melhores momentos do filme, que conta ainda com participações de Tatá Werneck, Luís Miranda, Christine Fernandes, Rodrigo Sant'anna e Eriberto Leão. A aparição de Tatá é pequena, ficou com gosto de quero mais. Rodrigo, marcado pelos tipos carimbados de Zorra Total, consegue arrancar boas gargalhadas como o garçom que finge que é de Governador Valadares, mas na verdade é de Nova Iguaçu. Eriberto Leão, sinceramente, conseguiu me cansar mais que a Maria Paula.

A produção é caprichada (exceto na cena em que a personagem de  Denise Weinberg deveria estar em Nova York, mas foi claramente feita em chromakey). As locações foram muito bem escolhidas e o roteiro de Paulo Cursino e Marcelo Saback não perde o fôlego em momento algum.

É claro que a sequência veio na onda do estouro de bilheteria do primeiro filme. Mas esse consegue apresentar um humor ainda mais afiado, inteligente e que ao contrário dos filmes de Bruno Mazzeo, não apela pra grosseria e não ofende o espectador com argumentos machistas e antiquados.

Pelo final do filme, podemos esperar uma terceira aventura de Alice. "De pernas pro ar" é um besteirol brasileiro sim, com muito orgulho. E não deixa nada a desejar pro modelo americano.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Salve Jorge - Primeiro Capítulo

Ontem estreou a nova novela das 21h, Salve Jorge, de Glória Perez. Eu sempre tenho o pé atrás com essa autora. De um modo geral, Glória sabe falar com o povão, costuma amarrar bem suas tramas, mas acho que peca pelo exagero, pela falta de verossimilhança e pela repetição de situações. Mas fui assistir com boa vontade, pela estreia de Nanda Costa como protagonista e também por outros bons nomes do elenco, como Alexandre Nero, Domingos Montagner, Totia Meireles, entre outros. Mas Mariana Rios, Giovana Antonelli, Flávia Alessandra, Fernanda Paes Leme e Rodrigo Lombardi se repetem nos mesmos tipos de sempre.

A ideia de usar a ocupação do Morro do Alemão como plano de fundo para o início da história foi muito feliz. Foi um momento importante da cidade do Rio de Janeiro. Usar as imagens reais da época também foi uma ideia ótima, mas de execução infeliz. A edição ficou meio tosca. Deu um ar de novela da Record logo de cara. Aos poucos essa imagem foi sendo perdida, ainda bem.

Achei os diálogos meio bobos, forçados. Tentando deixar tudo muito claro, muito mastigado para o telespectador. É sempre bom lembrar: O público de hoje mudou, está mais exigente. E teve ainda o problema da repetição. A Neusa Borges tava lá fazendo o mesmo tipo histérica de sempre. O "Seu Gomes", o "Farinha", o Antônio Calloni casado com uma mulher que lançará os bordões estrangeiros da novela, o núcleo pobre irreverente... Tudo como dantes na terra de Abrantes. É uma das coisas que me incomoda nesses autores veteranos das 21h: Insistem em fazer novela como há dez, vinte anos atrás.

A abertura ficou muito bonita e casou perfeitamente com a voz de Seu Jorge. Aliás o trabalho técnico e de produção está de parabéns, como é de se esperar das produções da Globo. Não dá pra se analisar uma obra só pelo primeiro capítulo, é preciso aguardar e ver o que Salve Jorge ainda tem pra contar para o espectador.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cheias de Charme - Balanço final.

A coisa de cinco anos atrás, a Globo percebeu que tinha algo errado em sua faixa de novelas. O horário das seis vivia de remakes. E o horário das sete patinava na audiência, tanto que Walcyr Carrasco nesse período quase que emendou um trabalho com o outro, pois suas tramas eram as únicas que conseguiam um resultado próximo do satisfatório. E às 21hs não se via muita perspectiva de mudança a curto prazo. Tirando as novelas de Glória Perez, nada parecia fisgar muito o telespectador, até a chegada de João Emanuel Carneiro  no horário com "A Favorita".

De lá pra cá, a emissora entendeu que era hora de se renovar, dando oportunidade a novos autores mostrarem o que têm pra dizer. Começou com a falecida Andrea Maltarolli, Elizabeth Jhin, Thelma Guedes e Duca Rachid e foi se estendendo a Lícia Manzo, Bosco Brasil, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. A bola da vez agora está com João Ximenes Braga e Cláudia Lage em "Lado a Lado", ás 18hs. No geral as experiências foram positivas, com exceção de "Tempos Modernos" do Bosco Brasil.

Mas dos três horários mencionados, a maior incógnita sempre foi o horário do meio. Ninguém sabia precisar com certeza o que o novo telespectador das 19h30 queria assistir. Novo sim, pois os costumes mudaram, leva-se mais tempo pra se chegar em casa nos grandes centro, é cada vez maior o número de pessoas fazendo faculdade a noite, etc. Então afinal de contas, o que uma novela das 19h teria que ter pra fisgar o espectador?

Cheias de Charme não reinventou a pólvora, mas mostrou caminhos possíveis. Primeiro, os autores são dois craques, veteranos em colaboração em outras obras. Filipe ainda escreveu peças para a Cia dos Atores. Criaram tipo inesquecíveis, marcantes, e isso é um ponto. Quem vai se esquecer que um dia houve uma vilã como Chayene? Um canastrão chamado Fabian? Um grupo chamado Empreguetes? Toda a estruturação da trama foi muito bem amarrada e fez com que o espectador pudesse acompanhar passo a passo, sem saltos ou furos de roteiro, a ascensão das três Marias para o estrelato. A novela trouxe humor e emoção na medida certa, tudo com um tom farsesco e debochado que remete às antigas novelas das sete, como Bebê a Bordo, Guerra dos Sexos, Quatro por Quatro, Que Rei sou Eu, etc. Toda a estética de conto de fadas, história em quadrinhos chamou a atenção de um público que a Globo decidiu abandonar pelas manhãs: o infantil. E ta aí Carrossel pra não deixar mentir: Tem criança em casa a noite sim, e elas estão doidinhas pra fugir da mesmice da TV a cabo.

Música e internet. A conexão da teledramaturgia com essas duas outras linguagens, também foi responsável pelo sucesso da trama. Foi um risco. E no final deu tudo mais do que certo. 

O elenco foi outra escolha acertadíssima. Ou alguém consegue imaginar outra atriz vivendo Chayene? Cláudia Abreu esteve estupenda durante toda a novela, inclusive na reta final, quando a trama mostrou sinal de desgaste, Cacau segurou boa parte da trama nas costas, com a boa surpresa Titina Medeiros e Luiz Henrique Nogueira. As três Marias, protagonistas vividas por Leandra Leal, Isabelle Drummond e Taís Araújo também estiveram seguras nos seus papéis, com destaque pra Taís, que soube dar a volta por cima da Helena de Viver a Vida, e fez de Maria da Penha a sua melhor atuação. Não dá pra não citar a estonteante Mallu Gali, que carregou a parte dramática da novela com brilhantismo. Outro acerto foi a família Sarmento, com excessão de Jonatas Faro e Gisele Batista, ainda fracos. Mas Alexandra Richter, Tato Gabus, Rodrigo Pandolfo, Simone Gutierrez, Dhu Moraes e Aracy Balabanian formaram o núcleo mais interessante da história.   Desde os maus-tratos a Cida até a derrocada financeira da família.

Marcos Palmeira, Humberto Carrão, Chandely Braz, Ilva Niño, Leopoldo Pacheco, Miguel Roncato, Tainá Muller, Marília Martins e Daniel Dantas também tiveram seus momentos de brilhar. Aliás foi outra característica da novela: Todos tiveram seu momento. Talvez tenha sido uma das boas lições que Izabel tenha aprendido nos seus anos de colaboradora de Manoel Carlos em suas melhores épocas: Durante a trama, dar espaço pra todos.

A novela já deixa saudade. Muito se comentou acerca de um spin-off ou uma série derivada. Bobagem. Os próprios autores não acreditam nisso. E é bom que seja assim. Que todos tenhamos ficado com esse gostinho de quero mais. Pela frente tem Guerra dos Sexos, do Silvio de Abreu e em seguida, Sangue Bom da Maria Adelaide Amaral. Dois craques. Sorte pra eles!



quinta-feira, 28 de junho de 2012

Gabriela - Crítica

A iniciativa de se produzir novelas de curta duração no horário das 23h foi uma ótima sacada da Globo. "O Astro" no ano passado foi um acerto desde a adaptação até a escolha do elenco. O objetivo de frear o crescimento de "A Fazenda", da Record foi alcançado e a emissora decidiu continuar apostando no formato, que na verdade é o mesmo de séries como "A Muralha", "Um Só Coração", "A Casa das Sete Mulheres", etc: Um produto forte de dramaturgia, com elenco bem escolhido, de duração de cerca de 60 capítulos, na segunda linha de shows.

A escolha de "Gabriela" pra ser adaptada esse ano é boa. A novela marcou época tal qual "O Astro". E foi dada a Walcyr Carrasco a chance de escrever um trama mais adulta, mais séria, que passasse longe das comédias românticas do horário das seis, ou das aventuras das sete. Temos que lembrar que um dos maiores sucessos da extinta Manchete, "Xica da Silva", leva a assinatura do autor. Pois bem, Walcyr tinha a faca e o queijo nas mãos. E não soube fazer nada.

A escolha de Juliana Paes é um equívoco. Gabriela é uma ninfeta, não uma balzaquiana. A atriz sorri o tempo todo, mesmo em cenas tensas. E sua personagem é limpinha demais: Depois de comer o pão que o diabo amassou no sertão, Gabriela surge com base nas unhas, dentes brancos e depilada. Difícil de acreditar.

Outra escolha equivocada é Ivete no papel de Maria Machadão. A personagem que foi interpretada na primeira versão por Eloisa Mafalda, havia sido destinada para Elizabeth Savalla nesta adaptação. O próprio Walcyr convidou a atriz, porém, Roberto Talma bateu pé na escolha de Ivete. Bobagem. Apesar do carisma da cantora, o papel é muito maior que ela, que chega ao constrangimento com suas canastrices.

O resto do elenco é irregular. Conta com figuras tarimbadas como Antonio Fagundes, Mauro Mendonça, Bete Mendes, Laura Cardoso, José Wilker, Bel Kutner, Gero Camilo entre outro bons atores. Leona Cavalli também tem sido uma grata surpresa. Mas Maitê Proença, Erik Marmo, Vanessa Giácomo, Fabiana Karla, Marcos Pigossi, e cia não convencem a ninguém.

O texto é outro problema. Walcyr parece não conseguir se desvencilhar do horário das seis. Frequentemente se tem a impressão de se estar assistindo a uma novela como "Chocolate com Pimenta" ou "Alma Gêmea". O texto é cercado de clichês e obviedades que subestimam a inteligência do telespectador. A descaracterização do Bataclã também foi lastimável. Virou uma espécie de Moulin Rouge baiano. E a "baianização" ne Nacib também não tem sentido nenhum.

A novela tem qualidades, como os bons atores já mencionados, a direção de arte, a bela trilha sonora, os cenários e figurinos caprichados. Mas isso não basta. "Gabriela" poderia ser a reinvenção de Walcyr Carrasco como autor. Mas é a prova de que ele ainda tem muitos vícios que precisa perder.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Encontro com Fátima Bernardes - Crítica

Há muito tempo não se via tanta confete em cima de uma estreia na TV Globo. Desde o momento em que deixou a bancada do JN (com direito a VT no estilo "Essa é a sua vida"), Fátima Bernardes se viu no meio de um turbilhão e de um desafio gigantesco: Trazer às manhãs da emissora do Jardim Botânico a liderança de audiência.

O horário das manhãs é difícil. No começo do turno, temos a Record forte com seu noticiário local e o Fala Brasil, ambos com audiência consolidada e que estão quase sempre à frente da Globo, que exibe o Bom Dia Brasil e o Mais Você. Quando o Fala Brasil termina, a Record frequentemente via a liderança migrar para o SBT com a programação infantil: O Hoje em Dia, não tem força suficiente para sustentar o primeiro lugar recebido do telejornal da Record.

Fátima veio como a salvadora da pátria na Globo. Muito se especulou sobre que formato teria o seu programa. Viu-se uma verdadeira procissão da apresentadora em todos os programas da casa para divulgar o novo produto: Estrelas, Domingão do Faustão, Mais Você, Fantástico, Bom Dia Brasil, etc. E finalmente chegou o dia. Nesta segunda estreou o "Encontro com Fátima Bernardes"

O programa em si é uma grande incógnita. Parece que nem a apresentadora sabe direito o que quer dele. Soou como um remake dos programas de Silvia Poppovic nos anos 90. Com a diferença que Silvia sempre foi natural e adotava um certo tom polêmico nos seus debates.

Adoção, medo de avião e depilação masculina foram os temas da estreia. Sendo que um assunto pulava para o outro sem qualquer critério lógico. A plateia soou fria e os entrevistados pareciam extremamente engessados, como se tivessem sido orientados sobre o que deveriam falar. Marcos Veras, humorista, não acrescentou em nada e serviu apenas para deixar Fátima constrangida com suas piadas sem graça. Lillia Teles, profissional com bastante experiência na carreira, teve boas interferências e o estreante Lair Renó funciona mais ou menos como o "Louro José" da Fátima.

O cenário é extremamente tecnológico, mas escuro demais para uma atração matinal. O formato da atração parece estar deslocado na grade da emissora. Parece um programa vespertino, que poderia muito bem entrar antes de Malhação.

E finalmente chegamos no desempenho de Fátima, que até tem algum carisma, mas manteve-se presa demais ao roteiro, não se soltou em momento algum. Aliás naturalidade não me parece ser o forte da apresentadora, no entanto, com o tempo isso pode ser trabalhado. A boa audiência da estreia se deve muito mais à curiosidade em torno da atração do que às qualidades do programa. As previsões dos críticos parecem se confirmar: Quem lucrou com todo esse estardalhaço foi o SBT. Nesta terça, o Bom Dia e Companhia liderou com uma pequena vantagem sobre a Globo. Os órfãos dos desenhos da TV Globinho, migraram para a emissora de Silvio Santos. E quem perdeu foi a Record que viu uma fatia do seu público do Hoje em Dia parar na atração de Fátima Bernardes. Ontem, O "Encontro" registrou média de 10 pontos. Hoje, caiu para 7. Será que o "Milagre de Fátima" vai mesmo acontecer? E depois do sucesso de Carrossel e agora com as manhãs livres de concorrência infantil, será que 2012 vai ser surpreendentemente o ano do SBT?

Veremos.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sobre o tributo à Legião Urbana - Crítica

Quem me conhece sabe que eu não preciso me prolongar aqui no que tange a devoção que tenho à obra de Renato Russo. Então me sinto bem a vontade para falar dos dois dias de show no Espaço das Américas, em São Paulo. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá voltaram  ao palco para tocar novamente os grandes sucessos da banda que virou ícone das gerações de 80 e 90. Como anfitrião da festa e vocalista do repertório, Wagner Moura foi convidado por suas recentes interpretações de músicas da banda em seus últimos filmes.

Muito se tem falado sobre a escolha do Wagner para tal feito. O ator possui uma banda chamada "Sua Mãe" que trabalha com um pop brega de sonoridade até gostosa. Além disso, é fã incondicional da Legião, o que de certa forma lhe concede propriedade para cantar a plenos pulmões, canções como "Fábrica", "Andrea Doria" e outras. O que se viu foi quase um devocional. Milhares de pessoas formando um imenso coral; a maioria ali nunca presenciara uma performance ao vivo da banda. 

Wagner é extremamente carismático e conseguiu fazer a plateia embarcar na mesma vibração dele. E de verdade foi uma troca de fã para fãs. Em momento algum Wagner se postou como sucessor de Renato. E nem poderia.

Musicalmente o show teve imensas falhas. E aí sim, do ponto de vista musical, pode se questionar a escolha de Wagner. Foi o típico caso de quando o repertório é maior do que o cantor. Renato Russo tinha uma extensão de voz que não é fácil reproduzir. Wagner tem a voz pequena, que soa melhor em canções sem grandes necessidades de passeios por regiões diferentes. Não dá pra negar que ele desafinou, semitonou por muitas vezes. Muito provavelmente alguns fatores contribuíram pra isso: A imensa carga de emoção embarga a voz, fica difícil mesmo manter a afinação. O pouco tempo de ensaio. A responsabilidade. E a própria inexperiência do Wagner com multidões ávidas por ouvir um show de música. Dado e Bonfá também tiveram falhas graves. O solo de guitarra em "Quase sem querer" foi constrangedor. Mas deve se salientar que Dado cantou muito bem.

Apesar dos problemas técnicos e musicais, valeu cada segundo de show. Foi daqueles espetáculos que se deixam devendo por um lado, sobra de outro. A emoção, a vibração, a energia presentes ali foram além do que se podia imaginar. E se foi mesmo a última vez que Dado e Bonfá tocaram as músicas do grupo, encerra-se com uma página linda, o "Livro dos Dias" da Legião Urbana.

FORÇA SEMPRE.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Louco Por Elas - Crítica

João Falcão é um craque. Tem no seu currículo televisivo, sucessos como O Auto da Compadecida, Comédias da Vida Privada, Sexo Frágil e Clandestinos - O sonho começou. Além disso, tem obras aclamadas por público e crítica no teatro como A Máquina, Ensina-me a Viver e Clandestinos. Toda a bagagem do autor e diretor já seria motivo suficiente para ligar a TV nas noites de terça feira e assistir Louco por Elas, seu mais recente trabalho, em que assina também a direção.

O programa é exibido entre dois outros acertos da Globo: Após Tapas & Beijos e antes do Profissão Repórter. Conta a história de Léo, vivido por Du Moscovis, treinador de um time de futebol de areia feminino, pai de uma menina, "ex-padastro" de outra e recém-separado de Giovana (Deborah Secco). Além desse time de mulheres, Léo ainda mora com a avó biruta interpretada por Glória Menezes.

O humor é ágil e não subestima a inteligência do telespectador, o que já um grande passo. Du Moscovis, afastado da TV desde o fim de Alma Gêmea em 2006, parece ter aproveitado bem o período longe das telinhas. Voltou com tudo, num trabalho que parece ter sido feito sob medida pra ele. Aliás eis um dos grandes problemas da TV atualmente: As repetições de elenco nas produções. Atores estão emendando um trabalho após o outro, sem tempo pro telespectador descansar a imagem e fazendo com que o profissional muitas vezes caia no risco da repetição. Mas voltando a Louco por Elas, mesmo com a ótima fase de Du Moscovis, o grande nome da série é Glória Menezes, essa sim com um papel pensado para ela. As intervenções de Violeta, são sempre muito engraçadas e a atriz está mostrando que é gigante também na comédia. Deborah Secco está surpreendentemente muito bem na produção. As novatas Laura Barreto e Luisa Arraes encontraram ótimas soluções e tons para suas personagens.

É ótimo a Globo apostar num tipo de humor que não seja rasteiro, chulo, baixo como Zorra Total. João Falcão  arriscou ao apostar num texto com piadas muitas vezes sutis, todo centrado nas ótimas interpretações do elenco e no excelente texto. Ao que tudo indica o público aprovou a coragem do autor: Louco Por Elas tem audiência crescente e deve ganhar nova temporada ainda esse ano. Com Tapas & Beijos, Loucos Por Elas e Profissão Repórter, fica difícil trocar de canal ou desligar a TV depois de Avenida Brasil.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Estreia de SNL Brasil - Crítica

Por todas as polêmicas envolvidas com o nome de Rafinha Bastos, a atração que estreou ontem na Rede TV! era aguardada com muita expectativa por quem acompanha o mundo da TV e do humor. A atração começou pontualmente às 20h30 com uma sátira ao depoimento de Xuxa ao Fantástico na semana passada. Talvez tenha sido o ponto alto do programa. Sem tocar na questão do abuso sexual, a esquete fez piada com todos os mitos que giram em torno da apresentadora, muito bem imitada por Renata Gaspar. Outro ponto alto, foi o depoimento do Dengue que fazia companhia à loura nos seus programas.

No primeiro bloco Rafinha estava um tanto nervoso, mas bem. Os "pedidos de desculpas" e o festival de alfinetadas que não poupou nem mesmo a própria emissora, estavam num tom ideal de acidez. Mas do segundo bloco em diante parece que a coisa desandou. As esquetes foram longas demais, sem timing. Há problemas de iluminação também e Marina Lima como atração musical de estreia não empolgou ninguém. O programa ensaiou uma retomada fôlego no quadro do telejornal que é muito bom, mas não foi o suficiente pra recuperar o ritmo.

Um dos fatores que também pode ter afastado o público é o excesso de palavrões. Não tem que ser careta, mas o que se viu foi um exagero. O programa também poderia centrar-se mais na figura do Rafinha Bastos na parte ao vivo, já que ele tem carisma e sabe como fazer stand-up.

Não é nada que não dê para se consertar. Quem conhece o original americano sabe que é impossível tecer comparações entre a versão americana e a brasileira. O SNL Brasil mostrou identidade na estreia, mas precisa rever o que saiu errado nessa primeira exibição.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cheias de Charme - Crítica

Com uma semana no ar, já deu pra perceber que "Cheias de Charme" não veio pra ser apenas mais uma novela tapa-buraco. A estreia de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira como autores principais, não poderia ter sido mais feliz.
A trama das três domésticas que se encontram e formam um pacto de amizade e da cantora tecno-brega com ares de vilã de histórias infantis veio com força total. As três "Marias" estão muito bem representadas: Leandra Leal, Isabelle Drummond e Thaís Araújo estão defendendo bem suas personagens, com destaque para a Penha de Thaís. Cláudia Abreu volta com tudo, após longo tempo longe das novelas (a sua última aparição foi na insossa 'Três Irmãs"). Sua Chayenne promete momentos de muita diversão para o público, enquanto Ricardo Tozzi parece ainda estar achando o caminho da dura missão de interpretar dois papéis.

Usar o mundo da música como plano de fundo para a trama parece ter sido uma das escolhas mais felizes da novela. O horário das sete precisava de um "upgrade" e ao que tudo indica, "Cheias de Charme" tem tudo pra emplacar.

O texto é afiado. As piadas, o humor, as referências, tudo muito bem acabado. A direção até agora também se mostrou correta, Denise Saraceni é uma craque. O elenco periférico tem altos e baixos. Jayme Matarazzo, Jonatas Faro e Humberto Carrão ainda precisam de muito feijão com arroz pra dizer a que vieram. Alexandra Ricther, Tato Gabus e Daniel Dantas não comprometem, mas não chegaram a brilhar ainda. Já Marcos Palmeira e Malu Galli, mostraram que têm grandes chances de roubarem a cena. Outra que já está arrasando é a estreante Titina Medeiros como Socorro. Veterana no teatro, está muito bem em sua primeira novela.

Por mais que a emissora negue, está sim vivendo um movimento de busca de uma aproximação com a Classe C. "Cheias de Charme" tem tudo pra fazer isso de uma forma salutar, com qualidade, sem apelação. Mas ainda foi só a primeira semana. Vamos ver que surpresas Filipe Miguez e Izabel de Oliveira reservam para o público.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Vida da Gente - Crítica



Bom não é esse o propósito do blog, mas como ator, diretor e alguém que tem paixão pelas letras, não posso me furtar a falar sobre o curioso caso da novela das seis "A Vida da Gente".

A Globo estava com um pepino no horário há alguns anos. O último grande sucesso (ainda assim de qualidade dramatúrgica duvidosa) foi "Alma Gêmea", em 2005. De lá pra cá o que se viu foi uma repetição de clichês e nada de novo. "Sinhá Moça" tinha um bela fotografia e bom elenco, mas era mais do mesmo. Elizabeth Jhin tentou algo diferente em "Eterna Magia" mas foi prontamente orientada a transforma sua trama de Bruxas e Magos em mais um folhetim água com açúcar. E o que se viu a seguir foi uma sucessão morna de histórias que soavam remakes de si mesmas.

A história começou a mudar em abril de 2011 com "Cordel Encantado". Um risco que a emissora decidiu correr: Uma trama de reis e rainhas misturada com o sertão brasileiro. Elenco, figurino, cenário, direção e história afinados renderam uma das melhores produções do horário. Então veio o desafio de se manter o padrão da qualidade alcançada pela trama de Telma Guedes e Duca Rachid.

Lícia Manzo veio com sua primeira novela solo. Anteriormente, escreveu o seriado de única temporada "Tudo Novo de Novo", estrelado por Júlia Lemmertz e Marco Ricca. Agora tinha a responsabilidade de manter a audiência conquistada pela bem-sucedida "Cordel Encantado".

Lícia optou por um trama com poucos personagens, o que permite tramas mais densas e profundas e parece que é exatamente essa a proposta de "A Vida da Gente". Não há clichês. Não há previsibilidade. Não há vilões. O ser humano é apresentado na sua complexidade e na suas multifacetas. Não se pode dizer que Eva ou Vitória sejam vilãs. Apesar do comportamento obcecado das duas, elas são completamente críveis e não são más no sentido maniqueísta da palavra. A primeira tem adoração pela filha, e não comete atrocidades e assassinatos como a Tereza Cristina de "Fina Estampa". A segunda é uma treinadora mão-de-ferro, amarga, dura, mas que ao mesmo tempo condenou veementemente a atitude da atleta que tomou estimulantes antes de entrar em quadra. Não são conceitos morais que faltam às duas. São emocionais.

A trama central fala de amor, claro. Mas foge do lugar-comum ao ir além do quem-fica-com-quem. Manu, Ana e Rodrigo são personagens que têm profundidade e a autora usa de outros personagens para devassar a intimidade desse triângulo. O público sente-se como amigo e confidente dos personagens. A autora traz no texto, reflexões e pensamentos que levam o público a se identificar e compreender o que se passa com cada personagem. A autora ainda usa do cotidiano, das cenas mais comuns do dia a dia como pano de fundo nas suas cenas, o que faz lembrar os bons tempos de Manoel Carlos. Tudo com muita beleza e delicadeza. A direção de arte é outro show a parte. Figurinos, cenários, o filtro usado na câmera. Até a acertada escolha em fugir do eixo Rio-São Paulo e ambientar a novela em Porto Alegre e Gramado, duas cidades belíssimas e com paisagens que combinam perfeitamente com a certa dose de melancolia que a trama traz.

A novela traz Fernanda Vasconcelos em seu melhor momento na TV. Marjorie Estiano confirma o que se percebe dela desde muito tempo: É uma atriz pronta. O mesmo não se pode dizer de Rafael Cardoso, que ainda precisa de muito feijão-com-arroz. No mais o elenco é homogêneo. Gisele Fróes, Ana Beatriz Nogueira, Thiago Lacerda, Ângelo Antônio, Regiane Alves, Paulo Betti, Malu Gali estão seguros e dando show em cena. Gratificante é ver o trabalho de Nicette Bruno e Stênio Garcia sendo valorizado numa trama tão bonita.

A novela trouxe a grata surpresa que atende pelo nome de Maria Eduarda, atriz excelente que vem arrebentando num papel extremamente difícil. E ainda a pequena Jesuela Moro que foge do tatibitate comum às crianças da sua idade em novelas. Quem surpreendeu também positivamente foram Sthefany Brito, Daniela Escobar, Leona Cavalli e Júlia Almeida. Atrizes que sempre foram fraquinhas, mas conseguiram um resultado satisfatório na novela. Claro que nem tudo são flores. Rafael Almeida, Eriberto Leão e Francisco Cuoco continuam interpretando a si mesmos. E a novela sofre agora mais uma baixa com a entrada do infame Klebber Toledo. Mas, o que há de se fazer né?

A novela entra em sua reta final e já deixa saudade com uma das melhores produções da Globo nos últimos dez anos. Aliás, louvável essa postura da emissora em investir no horário das seis. Que assim seja com "Amor, eterno Amor" de Elizabeth Jhin que vem por aí.