Neste mês, comemoramos o dia Internacional da Mulher. Eu conversei com três representantes do sexo feminino que têm
uma coisa em comum: todas se consideram pessoas bem-sucedidas naquilo que
fazem, porque fazem com amor. A empresária Raquel Silveira, a coordenadora do
curso de Enfermagem da Faculdade Redentor, Shirley Rangel, e a diretora do
Centro de Artes Madeleine Rosay e presidente da CESDA (Clélia Serrano Dança e
Arte), Clélia Serrano.
Raquel Silveira – Empresária
A empresária Raquel Silveira se formou em Direito, mas há 22
anos escolheu trabalhar com cosméticos e como ela mesma diz, foi onde se encontrou
e se apaixonou. Hoje, ela trabalha com a Racco na região. Dentro desse mercado,
ela conseguiu desenvolver outro trabalho do qual se orgulha bastante: Treinar
pessoas: “Eu não apenas vendo o produto, mas treino as pessoas para terem
condições de brigar no mercado de trabalho. Na verdade, eu me encantei muito
mais com essa possibilidade de permitir que as pessoas se coloquem de forma
mais agressiva no mercado, do que com a venda do produto propriamente dita.”
90% das pessoas que trabalham com Raquel são mulheres. E por
isso mesmo ela diz que é preciso dosar firmeza e sensibilidade: “O tempo todo.
A gente precisa ter números, mas precisa de carinho também. Se colocar no lugar
do outro.”
O que mudou no perfil da revendedora de cosméticos hoje?
Raquel afirma que a mudança veio no conhecimento do produto. “Hoje ninguém quer
vender um produto por vender. As mulheres querem saber de que empresas estão
falando, como é o produto e por aí vai.”, conta Raquel. Por fim, ela diz por
que se considera uma mulher bem-sucedida: “Primeiro, porque eu amo o que eu
faço. E segundo, porque através do meu trabalho eu consigo contagiar as pessoas
e mudar a realidade delas.”
Shirley Rangel – Coordenadora do curso de Enfermagem da
Faculdade Redentor e assessora da direção da Unidade Campos.
Shirley Rangel atua em dois segmentos importantes da
sociedade: Educação e Saúde. Ela é coordenadora do curso de Enfermagem da
Faculdade Redentor e faz uma bonita analogia entre as duas áreas: “Eu cuido de
um livro como eu cuido de uma pessoa. As pessoas têm marcas, a gente leva
cicatrizes. E o livro também. O livro que está íntegro na estante, sem uma
página amassadinha, ele não exerceu a função que tinha que exercer.” Shirley
conversou com o Mania de Saúde sobre educação e contou por que valoriza o
professor primário: “É um herói. Forma o cidadão desde pequeno e não é
reconhecido. E esse papel é basicamente exercido por mulheres.” Ela diz também
que a atuação do professor de Ensino Médio é importantíssima, porque é quem
forma os cidadãos. “Eu não formo cidadãos. Eu estou formando universitários que
já são cidadãos. Eles já chegam à Universidade com uma história. E essa base
precisa ser reconhecida.”, afirma. Com a projeção de crescimento do Brasil
maior do que a de outras economias mais consolidadas, Shirley destaca também a
importância do Ensino Técnico: “A gente não vai conseguir ter um bom
desenvolvimento se não tiver bons profissionais. Não adianta só formar. É
preciso formar com qualidade. E acima de tudo, pra ser bem-sucedido, tem que
ter humildade. Saber que é preciso aprender a cada dia.”
Clélia Serrano – Diretora do Centro de Artes Madeleine Rosay
e presidente da CESDA (Clélia Serrano Dança e Arte), que administra o Corpo de
Baile do Trianon.
Clélia Serrano formou-se aos 13 anos, na Escola de Dança do
Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde atuou no Corpo de Baile e como
solista. Teve professores de renome, entre eles, Madeleine Rosay, que dá nome
ao Centro de Artes que dirige. Recentemente, através da Oscip Clélia Serrano
Dança e Arte, passou a dirigir também o corpo de baile do Teatro Municipal
Trianon.
Em conversa com o Mania de Saúde, Clélia analisa que tanto
hoje, quanto na época em que começou a carreira, existem dificuldades distintas
para o artista iniciante: “Hoje o que mais dificulta é a falta de incentivo
cultural.Tem muito bailarino, e pouco lugar para se trabalhar.” Para Clélia, a
disciplina é fator fundamental na formação do artista. E aliar a delicadeza do
balé com a firmeza de quem está à frente de um espetáculo não é tarefa das mais
fáceis. “Eu brigo muito. Nesta época de espetáculo não se pode ter papas na
língua. Aí fica todo mundo brigado comigo, chateado, mas depois que acontece o
espetáculo todo mundo é só elogios. Tem que ter a firmeza. Quando eu brigo,
eles sabem que é para o bem. E eu sei que eles gostam de mim”, conta. Clélia
finaliza dando uma dica para ser bem-sucedido: “Fazer o que gosta. E com amor.
Não é gostar porque dá dinheiro. É amar o que faz. E é por isso que eu me
considero uma mulher bem-sucedida”.
Matéria publicada no Mania de Saúde, edição de março
