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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Poeira

Os móveis estão sujos.
Porque não saíram do lugar. E ninguém entra há anos.
Três vidros trincados em seu peito
e o violão quebrado que não toca.
A madeira está podre. Por dentro.
E a infiltração derrama solidão no assoalho manchado.
Tem teias de aranha no sofá.
E ratos mortos na sopa do jantar.
As paredes vão ruir. As rachaduras partem a vida ao meio.
A vida de quem?
Dessa gente que vive de sobreviver. 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden


Extravagâncias, amantes, dívidas, separações, alegações de incesto, morte por febre.
Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden,
se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que carregar consigo um Lord Byron. Tem que ser antigo como são antigas a bactéria, a chaga de Cristo e tudo o mais que a medicina não deu cabo.
De teu motor valvulado, corrosivo e perecível, você tem que extirpar cadeados de lamentos, cruz e sacrifícios. Você tem que ser teu próprio pronto socorro, da selvageria que é a vida, do osso quando te arrebentam.
Pancadarias na arquibancada.
Uma taça feita de crânio, as perfurações, as úlceras, as lesões, as ofensas, as injurias, os agravos.
Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden
se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que saber que não é invulnerável, que vão te fazer a corte e os cortes, nunca as suturas.
Você é antigo na dor.
Faz de sangrias coaguladas teu pranto.
Você colocou as mãos na labareda, deu as mãos de bandeja à palmatória.

Você cometeu haraquiri
E o show ainda nem chegou na metade.

(Luiz Felipe Leprevost)