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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Quando a vida te faz leve

A cada noite, quando colocamos nossas cabeças no travesseiro, é difícil termos a humildade de reconhecer que tivemos um dia bom. Desses que não precisam de grandes eventos, mudanças repentinas ou surpresas gratas. Apenas mais um dia em que as coisas estão no lugar e seguindo o seu fluxo natural (ou o que a gente espera que seja natural). Não houve uma promoção no trabalho, nem a conclusão de um curso, muito menos o nascimento de um filho. Aparentemente é só mais um vinte e seis de fevereiro, como tantos outros que você já viveu. Mas não é. É um dia único. Onde o almoço não teve nada de diferente. Onde nenhuma novidade aparente surgiu. Mas será que isso não é motivo para gratidão?
Fomos ensinados a guardar comemorações. A só agradecer quando alguém nos faz algo de muito bom. O tempo todo somos bombardeados que estamos sempre precisando de "mais " alguma coisa. Mais dinheiro, mais amor, mais atenção, mais descanso, mais lazer, mais tesão, mais, mais, mais. Até onde esse "mais" vai?
A vida te faz leve quando você começa a se sentir agradecido pelos dias comuns. Quando o que você tem te faz feliz e te deixa com sorrisos espalhados por aí. Os dias comuns são repletos de motivos para agradecimento. Os beijos na boca, as conversas no bar, as gargalhadas das crianças, a conversa jogada fora na faculdade, o trabalho cumprido, os desabafos feitos, a família assistindo TV junta, a cama aconchegante, o sono profundo. Poderia passar dias enumerando os fatores que podem nos levar a gratidão. Gratidão a quem? Cada um acredita em alguma coisa diferente. Mas este é um sentimento que nos leva a lugares tão fantásticos, que todo mundo deveria experimentar. Não perca tempo.
Comece agora. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dia bom...

Hoje é um bom dia.

Porque acordei e tinha pão na mesa e café pronto. Tomei na minha caneca, que eu gosto bastante e foi minha tia que me deu no meu aniversário. É um bom dia porque me vesti com a polo que ganhei de amigo-oculto e ela fica muito bem em mim. Porque peguei um ônibus vazio pra ir pro trabalho. Porque ouvi Mercedes Sosa no caminho. Porque já fiz piada aqui no trabalho.

É um bom dia porque pessoas se foram e não sei mesmo até que ponto teria sido melhor se tivessem ficado. Porque segui em frente e agora meu coração está realmente livre. Porque tudo o que doeu ontem, não dói mais.

Porque tenho todas as ferramentas necessárias pra seguir em frente e ser feliz pra caramba.

É um bom dia.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Alice

Alice não sabia.

Acordou numa manhã quente de verão e já não sabia mais. O que fazia no mundo. Aquela sensação de estranheza que a acompanhava mansa, desde a infância, de repente rasgou seu peito com garras afiadas e lentas. Se sentiu devassada e perdida, completamente aturdida. Olhava em volta e via a mediocridade ganhando espaço. A superficialidade havia se alastrado como um vírus global, e Alice sentia como se tivesse sido de um dia pro outro. Se olhava no espelho e não havia mudado.

Agora ela se dava conta.

Que nesses anos todos ela foi sobrevivendo, apenas. E Alice não queria mais sobreviver. Ela queria a liberdade, poder colocar pra fora a sensibilidade sem ser taxada como louca, dramática. Alice queria um amor de verdade, não os de filmes e novelas com frases perfeitas, mas um amor de final de dia, de poder se encontrar no olhar de alguém. E também se perder nesse olhar.

Alice queria asas.

E foi sentindo nojo do mundo, da realidade. E foi se sentindo suja, cada vez mais suja, a cada segundo mais suja. E Alice nasceu numa manhã de inverno, quando havia caído uma forte geada na madrugada de Curitiba. E a cidade amanheceu branca, cristalina. Alice nasceu numa manhã de cristal, era a história que sua avó Lu contava.

Quando Alice partiu, no meio de uma tempestade de verão, no final da tarde, ela não desistiu de viver. Ela partiu pra ganhar asas. Ela se foi pra viver. Porque estava cansada de sobreviver.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Kids

Quando se trabalha com crianças, é importante saber observar. Mas quando se ensina teatro para crianças, é fundamental. Porque cada gesto, cada briga, cada sorriso, cada palavra pode dizer muito mais do que aparenta. Os detalhes são menores em seres humanos menores. Mas nem por isso menos importantes. Muitas vezes estão pedindo ajuda. Outras, querem apenas se exibir. De fato, os pequenos são transparentes. O que falta na maioria dos casos, são adultos capazes de reconhecer e decodificar os sinais.

Crianças são inconsequentes, tanto pro lado bom quanto pro lado ruim. Não têm medo do ridículo, da fantasia, sonham, falam bobagem, dão ideias tolas, falam alto, te enlouquecem com 70 perguntas por minuto. Se machucam e acabam machucando quem amam. Brigam por vaidade, por coisas, pra provar que estão certas, quando são contrariadas, por ciúmes.

Mas e nós, adultos e maduros? Pelo que brigamos, se não pelas mesmas razões? Eu achava que com o passar dos anos as coisas iam mudar, a maturidade ia me trazer equilíbrio e serenidade pra lidar com as decepções, as dores, as mágoas. Mas nessa altura da vida eu ainda me vejo rompendo relações sólidas por que alguém não agiu como deveria em uma determinada situação, chorando por que fui deixado de lado na "brincadeira", me magoando com um "chega pra lá". Por que?

A verdade é que uma parte de nós nunca cresce, e como tudo na vida, vem com ônus e bônus. Ser como criança pode ser um elogio ou uma ofensa, depende da situação. Fato é que precisamos aprender a conviver de forma equilibrada com essa infância guardada.

Que criança eu sou nesse momento? Aquela que brigou com o amigo, mas sente falta de brincar com ele. E começa a se aproximar querendo pedir desculpa. Como naqueles momentos em que os adultos dizem "Não tem vergonha na cara mesmo. Estavam se engalfinhando e agora já estão brincando de novo." Exato. Criança não tem vergonha de pisar o orgulho e voltar atrás. É o lado bom.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ritmo

Como atores, aprendemos nas primeiras aulas de teatro a trabalhar com ritmo. Caminhar pela sala, marcar com uma parte do corpo, acelerar, reduzir, sentir a música. Sentir o tempo é item de primeira necessidade de um ator. Não somente com relação aos movimentos se sincronizarem com o pulso de uma música. Vai além. Precisamos saber a hora certa de dar o texto. Sentir o intervalo exato entre uma fala e outra. O tempo do silêncio. O tão falado tempo da comédia. No teatro, o tempo é tudo.

Então parei pra pensar que se o teatro é a representação da vida real, nesta também o tempo é soberano. Entendi que saber administrá-lo, é muito mais do que dar conta das coisas que se tem pra fazer no dia. É bem mais complexo. É saber a hora de parar. De mudar de rumo. De voltar atrás. De correr. De desacelerar. De soltar as rédeas. De tomá-las de volta. É saber pra onde você quer levar a sua vida. E em que velocidade.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Proibido o retorno.

Eu precisei seguir.

Eu não podia esperar mais. Você me mandou seguir em frente, embora tudo em você afirmasse o contrário. Suas atitudes, seu jeito, seu olhar. Mas você me disse "Vai!". Então eu não tive alternativa a não ser ir. Mesmo querendo permanecer. E de fato, eu relutei muito a me mover. Porque primeiro vem o baque. A pancada que te joga no chão e te deixa ali por algum tempo, tomando fôlego, esperando a dor se tornar ao menos suportável. E depois, já de pé, eu tomei a decisão de ir. Então não me culpe. Porque a cada novo dia eu fui percebendo que eu precisava caminhar. Correr. Voar. E foram tantos dias andando em círculo, até finalmente alguém apontar um caminho, que é injusto demais você me gritar lá de trás.
Eu não vou voltar.
Por mais que uma parte de mim queira, eu não posso fazer isso comigo mesmo. Muita coisa mudou em mim, em nós. O mundo mudou. Eu cresci, mas não tem mais aquele espaço pra você ocupar. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Meu corpo

Fui magro até a adolescência, talvez até os 17 anos. A chegada na vida adulta só aumentou a minha ansiedade natural e de certa forma fui transferindo isso pra alimentação. Com o passar dos anos isso foi agravado pela diminuição de atividade física, resultando nessa massa enorme que eu sou hoje.

Sim, eu sei o quanto eu estou gordo. Não preciso que ninguém me diga isso ou faça piadas com o fato. Acreditem, nada disso ajuda. É um desconforto que só está aumentando e eu sei que preciso tomar uma decisão. Mudar de postura.

A ansiedade eu estou tentando controlar com reiki. Mas num dia a dia tão corrido, com dois empregos, pouco tempo sobra pra atividade física. Aliás, tempo nenhum. E com esse rotina pesada, fica difícil se alimentar como deveria.

Hoje acordei me sentindo péssimo com relação a isso. Me sentir mal não vai mudar muito as coisas, eu sei. O que eu tenho que tentar é achar um equilíbrio pra não começar a ter pavor de comida. Na verdade eu já estou bem próximo disso.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Chegar na Persona.

Me perguntaram o que me faz feliz hoje.

Depois de oito horas dentro de uma sala fechada, olhando pro computador, ligando para clientes, respondendo e-mails, pressão de gerente... É bom chegar na Persona. Dá um alívio.

Passar pela grade e ver as crianças brincando na varanda. Abrir o portão e ouvir “Oi, tio Lênin!”. Sempre tem alguém num canto da varanda fofocando. Mas é sempre alguém que também tem um sorriso. Chegar na sala da frente e ver os olhos sempre tranqüilos de Rogéria. Encontrar Decinho, parceiro de tantos anos.
É bom desacelerar.
Olhar quem está na sala. Perceber o movimento na Companhia. Tem sempre alguém ensaiando na sala de trás. Tomar um café rápido com Tia Tânia antes da aula para as pestinhas. A cozinha ainda é nosso cômodo preferido da casa. Onde trocamos confidências.
Subir as escadas e dividir a turma com a calma de Thássia e a determinação de Iara. Chamar a atenção de Valentina. Rir com as maluquices de Tamíris e Laís. Ver a firmeza dos olhos de Roberta. Ouvir as histórias de Carolzinha.
É sempre bom.
Emendar uma aula na outra e ver aquele salão ser tomado pela energia da massa humana. Aquela vontade de viver, de fazer arte. O afeto que nos une. Os movimentos precisos de Guilherme. As interferências de Olga. As implicâncias com Luisa. A humildade tão verdadeira de Felipe Rangel. A voz doce de Anderson. O mega-fone de Caio. O humor ácido de Camila. Os olhos de Hugo. Anne e Lise, já tão grandes. O sorriso de Paula. A cumplicidade com Renata. A parceria com Tia Tetê. A confiança em Tia Tânia. A inocência do segundo ano, tentando de todas as formas, virar gente grande. A Companhia como um todo, sendo fortalecida por cada novo integrante que vai se somando.

Acho que é tudo isso.

É tudo isso que me faz feliz hoje.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Síndrome dos vinte e tantos


A chamam de 'crise do quarto de vida'.
Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc..
E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco.
As multidões já não são 'tão divertidas'... E as vezes até lhe incomodam.
E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante. Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal.
Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor.
Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar.
Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.
Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, nao esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que nao quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.
Às vezes, você se sente genial e invencível, outras... Apenas com medo e confuso (a).
De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.
Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro... E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos 'vinte e tantos' e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.
Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça... Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos...
Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16...
Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!

FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO... QUE ELE NAO PASSE!

A vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego...


Joelson S. Manfredine

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Monólogo de quinta

"Amar alguém que não te corresponde é o mesmo que jogar uma pedra preciosa no precipício. Ele não vai te mandar outra de presente e logo depois você se arrependerá muito de ter jogado o bem mais precioso que voce pertencia em um buraco sem volta. Eu me arrependi, e qualquer ser humano se arrependerá um dia. Este século é o dos des-amados. Deixaram de acreditar no amor para levar em conta o banal e sem emoção. Amores surgem a cada semana. "Te amo" é um bom dia e para o casamento basta estar vivo. Esqueceram das regras quadradas e retrógradas do conhecimento, da aproximação, do gostar, do amar. Não deu certo? Pelo menos houve a tentativa. Eu busco um amor retrógrado e quadrado. Eu busco um amor de conhecimento, aproximação, gostar e amar mútuo. Eu busco amar alguém que não me deixe por um amor "bom dia"... Fracos não são os que amam e sim, aqueles que não sabem amar. O defeito dos seres modernos é achar que encontram amor em qualquer esquina. Ah, se eles soubessem como é raro um amor verdadeiro. Não deixariam escapar pelas mãos o que Deus somente queria que nós fizéssemos: nos amarmos e nos repeitarmos eternamente."

Lays Silva

terça-feira, 10 de julho de 2012

Trégua.

Hoje já é dia 10 e esse é meu primeiro post do mês. Sei lá o que houve. Entrei num hiato criativo, sem muito o que escrever ultimamente. Na verdade acho que a razão que trouxe até aqui pra escrever é justamente essa: a calmaria instaurada nos últimos dias. Depois de uma noite de tempestade, o oceano acalmou, as águas estão tranquilas novamente. Isso tem seu lado bom e ruim. De alguma forma, sinto que virão emoções fortes nos próximos dias. Esse lance de que o período que envolve o nosso aniversário as coisas se intensificam, sabe? Vamos ver o que julho me reserva...


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Monólogo de Sexta-Feira

Aprendi com essa história toda que eu não quebro. Fui forjado em aço. Aprendi também que as expectativas não correspondidas não matam. Elas me mostram que os sonhos são como bússolas que me orientam por onde começar a cada manhã. Compreendi que cicatrizes são marcas da minha história: estão ali como testemunho do que já me causou dor e servem como um mecanismo de defesa para que os mesmos erros não repitam. Aceitei que não posso mudar tudo e ter essa pretensão é uma tolice muito grande. Descobri outros tons e cores em mim. Revisitei minha história durante uma noite inteira, como alguém que passeia por um museu que nunca tinham visto: Todas as memórias começaram a ter tonalidades diferentes, nem tudo é tão cinza. Experimentei a profundidade de um oceano de novas sensações. Em cada pedaço do meu existir, habita alguém desconhecido, pronto pra se revelar no momento que julgar oportuno. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Monólogo de Corpus Christi

Distante. Longe. Num lugar calmo onde meus medos não consigam cruzar a fronteira. Onde meus fantasmas se percam pelo caminho. Perto do céu. A infinidade de sentimentos de repente se resume a um só: Paz. E se as perguntas surgirem por entre as nuvens, eu apenas responderei "Não sei". E isso não vai mais me deixar aflito. Vivendo cada dia em voz alta. Gritando a cada manhã que tudo é o tempo. O tempo é tudo. Remédio, alívio, amigo, inimigo, amor, ódio, vitória, derrota, espera, ansiedade, sorrisos e lágrimas. O tempo é nuvem. O tempo some. Quanto tempo faz? Quanto tempo falta? Que tempo é hoje?

"Não sei"