sexta-feira, 1 de março de 2013

Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden


Extravagâncias, amantes, dívidas, separações, alegações de incesto, morte por febre.
Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden,
se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que carregar consigo um Lord Byron. Tem que ser antigo como são antigas a bactéria, a chaga de Cristo e tudo o mais que a medicina não deu cabo.
De teu motor valvulado, corrosivo e perecível, você tem que extirpar cadeados de lamentos, cruz e sacrifícios. Você tem que ser teu próprio pronto socorro, da selvageria que é a vida, do osso quando te arrebentam.
Pancadarias na arquibancada.
Uma taça feita de crânio, as perfurações, as úlceras, as lesões, as ofensas, as injurias, os agravos.
Se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden
se você quer ser um guitarrista do Iron Maiden tem que saber que não é invulnerável, que vão te fazer a corte e os cortes, nunca as suturas.
Você é antigo na dor.
Faz de sangrias coaguladas teu pranto.
Você colocou as mãos na labareda, deu as mãos de bandeja à palmatória.

Você cometeu haraquiri
E o show ainda nem chegou na metade.

(Luiz Felipe Leprevost)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Perguntas

Aqui no canto superior esquerdo da página do blog, tem um box que redireciona perguntas e curiosidades sobre a minha pessoa para minha página no ask.fm.

Lembrando que eu tenho o direito de me sentir a vontade pra responder ou não.

=)

Um sábado qualquer


Vou passar a postar algumas tirinhas aqui no blog de vez em quando. Começo com "Um sábado qualquer", de Carlos Ruas.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Voltando

Perdão, queridos leitores.

Fevereiro é sempre um mês complicado, com carnaval no meio. E ainda teve esse lance de eu virar repórter também. Eu tô adorando o que eu estou fazendo, principalmente porque estou conhecendo pessoas novas, realidades novas, coisas tão distintas do meu dia a dia. Acho que sou bom nisso: Ouvir pessoas. Tirar delas algo que possa ser proveitoso para os outro. É uma empreitada que tem me feito muito feliz.

Vou voltar a postar com mais frequência, pode deixar.

Até!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

De Pernas pro Ar 2 - Crítica

Antes de começar, é importante analisar o gênero do filme. "De pernas pro ar 2", assim como o primeiro da série, não se propõe a ser nada mais que um besteirol. Desses que vemos aos montes em Hollywood. O filme não se propõe a discutir temas profundos ou a renovar o gênero do humor nos cinemas; é entretenimento puro e simples. E o faz muito bem.

Ingrid Guimarães é uma craque na comédia. Acha uns tons, umas pausas que são só dela. Tal qual Maria Clara Gueiros, é uma atriz de um personagem só, mas esse personagem funciona bem pra caramba em várias situações e histórias. Com a alta qualidade da película, também dá pra perceber como a figura de Ingrid é estranha e em alguns momentos, feia mesmo. Mas ela consegue prender o espectador direitinho e é quem conduz o filme.

Do primeiro filme temos Bruno Garcia, Cristina Pereira, Maria Paula, Denise Weinberg e Eduardo Mello. Bruno Garcia é um grande ator e nessa continuação tem o destaque merecido que ficou faltando no filme anterior. Maria Paula, como Ingrid, interpreta o mesmíssimo tipo de sempre, mas incomoda menos que o de costume. Cristina Pereira como a empregada de Governador Valadares em Nova York, proporciona um dos melhores momentos do filme, que conta ainda com participações de Tatá Werneck, Luís Miranda, Christine Fernandes, Rodrigo Sant'anna e Eriberto Leão. A aparição de Tatá é pequena, ficou com gosto de quero mais. Rodrigo, marcado pelos tipos carimbados de Zorra Total, consegue arrancar boas gargalhadas como o garçom que finge que é de Governador Valadares, mas na verdade é de Nova Iguaçu. Eriberto Leão, sinceramente, conseguiu me cansar mais que a Maria Paula.

A produção é caprichada (exceto na cena em que a personagem de  Denise Weinberg deveria estar em Nova York, mas foi claramente feita em chromakey). As locações foram muito bem escolhidas e o roteiro de Paulo Cursino e Marcelo Saback não perde o fôlego em momento algum.

É claro que a sequência veio na onda do estouro de bilheteria do primeiro filme. Mas esse consegue apresentar um humor ainda mais afiado, inteligente e que ao contrário dos filmes de Bruno Mazzeo, não apela pra grosseria e não ofende o espectador com argumentos machistas e antiquados.

Pelo final do filme, podemos esperar uma terceira aventura de Alice. "De pernas pro ar" é um besteirol brasileiro sim, com muito orgulho. E não deixa nada a desejar pro modelo americano.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Preciso dizer que te amo - Cena 1

Luz abre aos poucos. Dé está em cena, assiste TV. Jonas entra, joga a mochila no chão com violência e senta ao lado de Dé. Silêncio. Os dois encaram a TV. Dé olha pra Jonas e volta pra TV. 

DÉ – E aí, como é que foi lá?

Jonas não responde. Está furioso, segurando pra não chorar. Dé insiste.

DÉ – Ok, você não quer falar, mas eu quero saber, porra. Como foi lá, o julgamento? – Jonas não responde ainda. – Jonas!

JONAS – Não teve merda de julgamento nenhum, Dé! O advogado daquele filho da puta conseguiu adiar de novo! Apresentou uma papelada lá que eu não entendi direito e agora só daqui a três meses pra ter outro julgamento. E enquanto isso, você sabe onde ele vai aguardar né? Na mansão dele, fazendo a faculdade dele, levando a vidinha escrota de playboy dele...

DÉ – Putz, cara... E o pai da Alice? E o promotor?

JONAS – O pai dela ficou arrasado... Depois ele me explicou que o promotor não teve saída, teve que aceitar o pedido de adiamento. É uma daquelas “brechas da lei” que só funciona pra rico.

DÉ – Cara, que merda... Já vai fazer um ano do acidente né?

JONAS – 2 de agosto. No dia do aniversário da Clara.

DÉ – E o cara ainda tá solto. É inacreditável, Jonas...

JONAS – É porque não foi o contrário, saca? Se a Alice tivesse provocado o acidente e matado o filhinho do deputado, essa hora ela tava cumprindo um ano de prisão. Mas não... Foi ela que morreu. E o pai dela não é ninguém nessa merda de país, entende? É só um comerciante, que levanta todo dia cedinho, rala pra caramba pra dar emprego pra umas dez pessoas, paga uma porrada de imposto em dia e a única coisa que ele queria na vida era ver a filha formada... Só isso que ele queria, Dé!

Jonas levanta e se afasta. Não quer que Dé o veja chorando.

DÉ – E você? O que você quer da vida agora, Jonas?

JONAS – Eu quero... Eu nem sei o que eu quero... É o clichê mais tosco do mundo, mas eu realmente queria, eu daria qualquer coisa pra acordar desse pesadelo. Acordar do lado dela sabe? Ver aquele cabelo ruivo, a pele branca dela numa camiseta velha minha, ela se amarrava em dormir com as minhas roupas. Ela dizia que ficar com o meu cheiro fazia com que ela sonhasse comigo. Eu queria ouvir ela roncar baixinho como ela roncava, nem que fosse só mais uma vez. E ela acordava às vezes com o próprio ronco e aí a gente caía na risada no meio da noite... De vez em quando eu acordo de madrugada porque eu sonho com ela acordando e rindo... Eu quase ouço a voz dela, Dé... E... É uma dor do tamanho de um prédio, saca? Eu tô de saco cheio desse vazio... Desse buraco no meu peito que já dura um ano! Eu não aguento mais essa saudade filha da puta!

Jonas cai no choro. Dé o abraça fortemente. A luz vai baixando lentamente sobre os dois.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os posts mais vistos do blog

As maiores audiências no blog são sempre as críticas. Acho que vou fazê-las com mais frequência. =)

26/06/2012, 2 comentários
251 visualizações
28/05/2012, 2 comentários
223 visualizações
23/04/2012, 3 comentários
205 visualizações
28/06/2012, 1 comentário
199 visualizações
138 visualizações

Feliz dia novo.

É meio bobo mas todo mundo faz. Usa um instrumento criado apenas pra facilitar e contar os dias, e de alguma forma coloca um misticismo, uma mágica na virada do calendário. Teoricamente é um dia como outro qualquer. Um dia depois de outro.

Não há mal nenhum em desejar mudanças pra esse novo período marcado pela mudança de um ou dois algarismos na data. No meio da confusão que se tornou nosso dia a dia, é até saudável. O que não podemos nos esquecer é não precisamos esperar o dia 1º de janeiro pra virar um jogo. Eu mesmo dei  giro de 180° na última semana de dezembro. O que quero dizer é que Deus nos deu oportunidades diárias de mudar. Cada manhã traz com o sol, um mundo inteirinho de possibilidades. Descubra quais são as suas.

Feliz dia novo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dia bom...

Hoje é um bom dia.

Porque acordei e tinha pão na mesa e café pronto. Tomei na minha caneca, que eu gosto bastante e foi minha tia que me deu no meu aniversário. É um bom dia porque me vesti com a polo que ganhei de amigo-oculto e ela fica muito bem em mim. Porque peguei um ônibus vazio pra ir pro trabalho. Porque ouvi Mercedes Sosa no caminho. Porque já fiz piada aqui no trabalho.

É um bom dia porque pessoas se foram e não sei mesmo até que ponto teria sido melhor se tivessem ficado. Porque segui em frente e agora meu coração está realmente livre. Porque tudo o que doeu ontem, não dói mais.

Porque tenho todas as ferramentas necessárias pra seguir em frente e ser feliz pra caramba.

É um bom dia.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Alice

Alice não sabia.

Acordou numa manhã quente de verão e já não sabia mais. O que fazia no mundo. Aquela sensação de estranheza que a acompanhava mansa, desde a infância, de repente rasgou seu peito com garras afiadas e lentas. Se sentiu devassada e perdida, completamente aturdida. Olhava em volta e via a mediocridade ganhando espaço. A superficialidade havia se alastrado como um vírus global, e Alice sentia como se tivesse sido de um dia pro outro. Se olhava no espelho e não havia mudado.

Agora ela se dava conta.

Que nesses anos todos ela foi sobrevivendo, apenas. E Alice não queria mais sobreviver. Ela queria a liberdade, poder colocar pra fora a sensibilidade sem ser taxada como louca, dramática. Alice queria um amor de verdade, não os de filmes e novelas com frases perfeitas, mas um amor de final de dia, de poder se encontrar no olhar de alguém. E também se perder nesse olhar.

Alice queria asas.

E foi sentindo nojo do mundo, da realidade. E foi se sentindo suja, cada vez mais suja, a cada segundo mais suja. E Alice nasceu numa manhã de inverno, quando havia caído uma forte geada na madrugada de Curitiba. E a cidade amanheceu branca, cristalina. Alice nasceu numa manhã de cristal, era a história que sua avó Lu contava.

Quando Alice partiu, no meio de uma tempestade de verão, no final da tarde, ela não desistiu de viver. Ela partiu pra ganhar asas. Ela se foi pra viver. Porque estava cansada de sobreviver.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Meu 2012 nos palcos

Ontem finalizei meu ciclo nos palcos deste ano, com a apresentação de Mil Pedaços em Lajes do Muriaé. Foi um ano muito intenso. Na quantidade de eventos, produções, apresentações. Deixa eu tentar lembrar...

Pra você Gostar de Mim - Trianon
Pra você Gostar de Mim - SESC Campos
A Vaca Lelé - Trianon
A Vaca Lelé - Dr. Hermann
A Vaca Lelé - SESC Campos
De Fuxicos e Retalhos SESC Campos
De Fuxicos e Retalhos SESI Itaperuna
De Fuxicos e Retalhos SESI Macaé.
Mil Pedaços - Temporada no Teatro de Bolso
Mil Pedaços - Itaperuna
Mil Pedaços - Laje do Muriaé
Com açúcar, com afeto - Trianon.

Recebemos um grupo novo cheio de muito gás, muita energia, que pode vir a acrescentar muito na companhia. Estou muito contente com as turmas de primeiro ano de 2012. Tanto do juvenil, quanto do infantil.
Foram muitas horas de ensaio, reuniões, planejamento. E sobretudo, foi um ano de muito aprendizado pra mim em vários aspectos. Entendi que pra uma boa parte eu não tenho mais o que ensinar. Comecei a ver alguns olhares duvidando da qualidade do meu trabalho. Algumas vezes questionando e outras até mesmo afrontando. E então eu mesmo comecei a duvidar. E em alguns momentos ter até a certeza de que não tenho mesmo muito mais o que fazer por eles. E isso foi o que mais me doeu nesse final de ano. Mas até que aprendi a lidar com isso com alguma dignidade. Embora ainda não consiga reverter essa dignidade em vontade de continuar com alguns processos.
Outra ficha que caiu é que eu sou apenas "o tio". E isso tem me incomodado pra caramba. Não tem problema quando são as crianças que me chamam assim. E quando era um adolescente/adulto eu achava até engraçado no início, eu mesmo me chamava assim. Mas depois fui percebendo que isso é sintomático. Eu me tornei apenas isso: "o tio". É como se eu tivesse 45 anos. E eu só tenho 27, caramba! Eu fico me perguntando se não está na hora de procurar a minha turma, sabe? É lógico que tem algum conflito de gerações, mas nem é tanto assim. Estou na Persona desde 2001. Vi muita gente passar por lá. Mas pela primeira vez me vejo segregado. Se por um lado eu lastimo, por outro nem tanto. É consequência do amadurecimento. O que fazer com relação a isso? Chorar e lamentar? Absolutamente! É preciso se adaptar à esse constante movimento da vida. Procurar saídas. Encontrar soluções. Abrir horizontes.

2013 ainda está nebuloso com relação à minha presença nos palcos. Lógico que vou reapresentar "Com Açúcar e Com Afeto". Lógico que vou continuar no Anel. São as duas coisas certas, sob as quais não pairam dúvidas. Quanto ao resto, vai depender da minha capacidade em transformar a dignidade que eu falei lá no outro parágrafo, em desejo e alegria de continuar.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Para duas atrizes - Quem topa?

Cena da novela "A Vida da Gente" de Lícia Manzo, originalmente protagonizada por Fernanda Vasconcelos e Marjorie Estiano. 


ANA – A gente pode conversar? (tempo)

MANU – Obrigada pelo convite, mas... Na verdade eu já tinha falado pra Júlia que eu não vou poder ir por que...
ANA – Justamente, Manuela. Por quê?
MANU – Porque eu tenho trabalho nesse dia.
ANA – Domingo? No final da tarde?
MANU – Ana, por favor...
ANA – Por favor, digo eu Manuela... Meses já se passaram e nada justifica que você continue desse jeito.
MANU – Tá, pra você... Pra você talvez...  Agora não cabe a você julgar o que eu sinto.
ANA – Eu não to julgando nada... Ao contrário, é você que tá me julgando. Aliás, você tá me condenando por conta de um erro que eu cometi...
MANU – Um erro que destruiu muita coisa, Ana. A minha confiança, por exemplo.
ANA – Desculpa, mas isso ninguém consegue destruir. A não ser que você queira. Se coloca no meu lugar...
MANU – É impossível. Porque eu já disse e repito que no seu lugar, eu jamais teria feito uma coisa dessas.
ANA – Caramba, Manuela! Você fala de um jeito que parece que eu matei. Parece...
MANU – Mas você matou! Você matou a nossa amizade. Você matou a minha confiança, você matou o amor que eu sentia e pior ainda: pra nada! Por mero capricho!
ANA – Como assim capricho? Do que você tá falando? Capricho?
MANU – Eu to falando de você ter destruído a minha relação com o Rodrigo pra nada! Porque nem coragem de bancar essa decisão, você teve! Quando eu decidi ficar com o Rodrigo lá atrás, Ana, todo mundo dizia que seu coma não tinha mais volta. Mas ainda assim foi difícil bancar a decisão de me casar com ele e eu banquei! Você sabe por quê? Porque eu sou adulta! Porque eu não daria um passo de uma decisão desse tamanho envolvendo a Júlia, pra depois amarelar e voltar atrás...
ANA – Eu não amarelei coisa nenhuma!
MANU – Eu banquei porque eu amava o Rodrigo com todo meu coração, era de um jeito que você não faz ideia, de um jeito que você não vai entender nunca, porque você não sabe o que é isso, Ana! Amor! Você usa as pessoas, Ana...  Você é o centro do Universo. E até a atenção exagerada que a mamãe sempre te deu a vida inteira e que você dizia detestar; hoje eu me pergunto se ela não te cabia muito bem, já que pelo visto...
ANA – Eu não vou levar em consideração o que você tá falando, Manuela...  Você tá magoada e...
MANU – Magoada? Magoada é pouco, eu to destruída há meses, tentando refazer a minha vida e por essa razão você não tem o direito de se fazer de vítima e vir até aqui, falando que o fato de eu ter me afastado de você é uma injustiça!
ANA (sincera e desarmada) – Desculpa... O que é que eu posso fazer pra você me perdoar?
MANU – Se afastar de mim, Ana! Me deixar em paz! Isso você pode fazer! E começa também a tomar cuidado com as outras pessoas, com o que elas sentem, porque pelo visto...
ANA – Pelo visto o que?
MANU – Pelo visto você continua fazendo a mesma coisa... Só que a vítima dessa vez é o Lúcio.
ANA – Que história é essa, Manu, de vítima? Tudo tem limite, viu Manuela? Eu não vou admitir que você fale da minha relação com o Lúcio...
MANU – Da sua o quê? Da sua relação? Relação? Relação implica em duas partes. Uma percebendo a outra, uma cedendo em nome da outra. Você não tem e nunca vai ter relação com ninguém... Sedução é uma coisa, e nisso eu admito... Nisso eu concordo que você é muito boa. Tem flerte, encantamento... Namoro... Agora, o seu repertório para por aí. E sabe por quê? Porque pra ter uma relação é preciso existir respeito mútuo. E você não respeita... Ninguém... Nem nada...  A não ser sua própria vontade.
(silêncio)
ANA – Se o tom da conversa é esse... Desculpa, mas eu vou embora...
MANU (irônica) – Isso...  Muito bom, vai embora. Vai embora...  Nem uma conversa difícil você é capaz de bancar. É isso mesmo que você faz... Vai embora, foge, dá as costas, vai embora e deixa que os outros depois arrumem o caos que você deixou...
ANA – Escuta aqui! Quem você pensa que é pra subir aí nesse seu pedestal e vir me falar de coragem? Quando na verdade...
MANU – Na verdade o quê? Do que você tá falando?
ANA – Da sua covardia... Do seu golpe baixo, de ter deixado a minha filha no momento que ela mais precisava de você!
MANU – Eu fui embora porque eu precisava. Porque eu não tinha condições naquele momento.
ANA – Ai, não tinha condições? Coitadinha, né? Não tinha condições de agir feito a adulta que você diz que é pra ajudar a própria filha?
MANU – Eu não deixei a Júlia sozinha, ela também é sua filha!
ANA – Claro! Agora que te interessa eu também sou a mãe dela!
MANU – Olha aqui, é melhor a gente encerrar essa conversa.
ANA – Melhor pra quem?! Pra você? Porque é muito fácil você apontar o dedo na minha cara como se você fosse íntegra! Como se você fosse certa!
MANU – Ah, me desculpa Ana, mas perto de você...
ANA – Perto de mim, o quê? Você, Manuela, você é o centro do universo. Você deu as costas pra minha filha no momento que ela mais precisou de você! Você deixou ela se desestabilizar, você deixou ela sofrer, me rejeitar... Porque assim... Assim você se afirmava a mãe verdadeira né? A mãe perfeita... E ainda de quebra, destruiu qualquer possibilidade de entendimento entre mim e o Rodrigo. Você me acusa de ter amarelado, de ter voltado na minha decisão, mas fique sabendo que eu não fiquei com ele por sua causa, porque você minou essa relação quando se recusou a fazer uma ponte entre mim e a Júlia! Sabe por quê? Pra se vingar... Se vingar do fato do Rodrigo ainda me amar.
MANU – CALA A BOCA, ANA! CALA A BOCA! Eu não sou obrigada a ficar ouvindo isso na minha casa!
ANA – É obrigada sim porque essa casa aqui deveria ser minha! Essa vida deveria ser minha e a Júlia É MINHA FILHA! Não é sua filha! Você ouviu bem? E a minha história com o Rodrigo, ela foi abortada duas vezes. A primeira pela minha mãe e a segunda por você... Que impediu que a gente tentasse... Quer saber? Não adianta Manuela... Não adianta... Mesmo que a gente não fique junto, mesmo que o mundo inteiro impeça, o amor que a gente sente um pelo outro vai continuar existindo... (Ana desmonta e chora.).
Silêncio.
MANU- Para... E ouve... Ouve o que você acabou de dizer... Você acabou de dizer que o seu amor pelo Rodrigo continua existindo ao mesmo tempo em que você vem aqui com esse convite de casamento idiota na mão.
ANA – Eu não quis dizer isso em relação ao Rodrigo...
MANU – Você nunca quer dizer nada, não é? Você é sempre bem-intencionada. Mas deixa eu te falar uma coisa, Ana...  De boas intenções o inferno tá cheio...  E sendo assim... Libera o Lúcio, vai... Ele é um cara bacana, ele não merece ser usado por alguém como você...

 (Ana está aos prantos e encara a irmã. Atônita, sai de cena.Agora Manuela também chora).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

I-Ching do Dia: FOGO EM CIMA, MONTANHA EMBAIXO: A VIAGEM










O I Ching nos recorda que há um momento para começar e um momento para concluir. Algo chegou ao fim e é preciso seguir adiante, ainda que o apego insista em mantê-lo controlando tudo, Lênin. Não é inteligente forçar uma situação apenas para impedir que a mudança ocorra, pois isso pode gerar apenas frustração e uma sensação de fracasso.
Observe que “algo que chegou ao fim” não é, necessariamente, uma afirmação negativa. Pode, pelo contrário, ser muito positiva, principalmente se o que chegou ao fim foi um sofrimento, uma situação insustentável, uma doença ou um problema. E também é preciso aprender a seguir adiante pois, por incrível que pareça, ficamos também apegados aos nossos sofrimentos. Confiar no desconhecido é a mensagem fundamental do fogo sobre a montanha, Lênin. Há momentos em que precisamos simplesmente saltar no abismo, na confiança de que asas nos conduzirão aonde devemos ir. O futuro reserva muitas surpresas pra você, mas apenas se você souber se desapegar do que não lhe serve mais.

Papo com o Tião - O Falso amigo.

Oi Tião.

Tava pensando aqui... É muito comum rotular de falso amigo aquele que te trai, que fala mal de você pelas costas, que só está ao seu lado por interesse, etc. Mas na verdade esses não são os piores tipos de "falsos amigos".

Pra mim, o pior é aquele que finge que se importa pra ficar bem consigo mesmo. Que te diz um "conta comigo sempre", mas nunca lembra de você pra nada. Aquele que não faz questão da sua presença. O pior "falso amigo" é quem te dá a ilusão que está ao seu lado, e quando você precisa, vê que nunca teve ninguém ali. Te dá a falsa sensação de companhia. Promete te amparar nas quedas, mas no primeiro tropeço ele se distrai com qualquer brisa. Disfarça a fragilidade da amizade, com palavras bonitas na sua rede social, com olhares profundos e versos banais de autores pop. Esse tipo de falso amigo é mais perigoso do que aquele que te maldiz no secreto. Porque te dá a falsa sensação de segurança, de proteção. Faz com que você se acomode com as "amizades" que tem, te impede de conhecer e se aprofundar em outras.

Pare e pense: Você tem algum(ns) amigo(s) assim?

Bom dia, Tião.


Tião é um travesseiro comprado na Leader Magazine que veio com um defeito de fábrica: Ele ouve. E até dá uns conselhos de vez em quando...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Dark Was The Night

"Eu tive um dia terrível!" 
Nós dizemos isso o tempo todo. Uma briga com o chefe, enjoo, engarrafamento… É isso que descrevemos como terrível, quando nada de terrível está acontecendo.

Na verdade, essas são as coisas que imploramos para ter: um canal, uma auditoria federal, café espirrado nas roupas. Porque quando o terrível realmente acontece, imploramos para um Deus que não acreditamos para resgatar os pequenos horrores. E levar isso embora. Parece fácil agora a cozinha inundada, a madeira podre, a briga que lhe deixa com raiva. Ajudaria se soubéssemos o que estava por vir? Saberíamos que estes seriam os melhores momentos da vida?

Narração do 9° episódio da 8ª temporada  de Grey's Anatomy.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Dezembros.

Nos últimos anos, os meses de dezembro não têm acrescentado muita coisa pra mim. Talvez seja o mês que eu menos goste no ano. É como se fosse um hiato, um período onde nada acontece e eu fico ansioso para o ano novo que se aproxima. E tem o lance da retrospectiva, né? Acaba sendo inevitável olhar pra trás e rever o que se passou nos onze meses anteriores. O que deu certo, o que deu errado, os amores e desamores, os medos, as angústias, as conquistas; o filme passa direitinho na cabeça. E não foi pouca coisa esse ano. Eu aprendi muito.

Talvez essa implicância com o mês de dezembro seja uma bobagem. A função desse mês deve ser essa mesma. Desacelerar e permitir que a gente olhe pra trás e respire fundo pra encarar o novo ano. E acreditem, eu realmente preciso disso.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Kids

Quando se trabalha com crianças, é importante saber observar. Mas quando se ensina teatro para crianças, é fundamental. Porque cada gesto, cada briga, cada sorriso, cada palavra pode dizer muito mais do que aparenta. Os detalhes são menores em seres humanos menores. Mas nem por isso menos importantes. Muitas vezes estão pedindo ajuda. Outras, querem apenas se exibir. De fato, os pequenos são transparentes. O que falta na maioria dos casos, são adultos capazes de reconhecer e decodificar os sinais.

Crianças são inconsequentes, tanto pro lado bom quanto pro lado ruim. Não têm medo do ridículo, da fantasia, sonham, falam bobagem, dão ideias tolas, falam alto, te enlouquecem com 70 perguntas por minuto. Se machucam e acabam machucando quem amam. Brigam por vaidade, por coisas, pra provar que estão certas, quando são contrariadas, por ciúmes.

Mas e nós, adultos e maduros? Pelo que brigamos, se não pelas mesmas razões? Eu achava que com o passar dos anos as coisas iam mudar, a maturidade ia me trazer equilíbrio e serenidade pra lidar com as decepções, as dores, as mágoas. Mas nessa altura da vida eu ainda me vejo rompendo relações sólidas por que alguém não agiu como deveria em uma determinada situação, chorando por que fui deixado de lado na "brincadeira", me magoando com um "chega pra lá". Por que?

A verdade é que uma parte de nós nunca cresce, e como tudo na vida, vem com ônus e bônus. Ser como criança pode ser um elogio ou uma ofensa, depende da situação. Fato é que precisamos aprender a conviver de forma equilibrada com essa infância guardada.

Que criança eu sou nesse momento? Aquela que brigou com o amigo, mas sente falta de brincar com ele. E começa a se aproximar querendo pedir desculpa. Como naqueles momentos em que os adultos dizem "Não tem vergonha na cara mesmo. Estavam se engalfinhando e agora já estão brincando de novo." Exato. Criança não tem vergonha de pisar o orgulho e voltar atrás. É o lado bom.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mariane - Legião Urbana



Eu tenho trabalhado tanto
Eu tenho pensado muito
Eu tenho feito algumas coisas fora do comum
Isso não é certo
Eu tenho pensado em você
Quando você vai voltar pra mim?

Eu tenho trabalhado todos os dias
Eu tenho pensado muito em você
Eu estive perdido pela manhã
Eu não sei o que fazer sem você
Quando eu vou te ver mais uma vez?

Eu sei isso é apenas uma fase
Eu não sei aonde eu vou
Eu não me preocupo, pois é só uma fase.
Isso passa

Eu tenho trabalhado muito
Eu tenho pensado em nós
Eu estive perdido pela manhã
Eu não sei mais o que fazer
Eu não quero mais pensar em você
Eu deixarei você partir pra sempre
Você me deixará aqui sozinho?

E eu não faço idéia pra onde vou
Mas não me preocupo muito com isso
Eu sei isso não passa de uma má fase
Um dia você vai voltar pra mim
E novamente vamos ser felizes

Isso é apenas uma fase

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Unaccompained Minor

"Eu sempre disse que seria mais feliz sozinho. Teria meu trabalho, meus amigos. 
Mas ter mais alguém na sua vida o tempo todo? São mais problemas que o necessário. 
Ao que parece, estou nesta situação.
Há um motivo para dizer que eu seria mais feliz sozinho. Não foi porque eu pensei que seria mais feliz sozinho. Foi porque eu pensei que se eu amasse alguém, e depois acabasse, talvez eu não conseguisse sobreviver. É mais fácil ficar sozinho. Porque, e se você descobrir que precisa de amor e depois você não tem? E se você gostar e depender dele? E se você modelar a sua vida em torno dele e então… ele acaba? Você consegue sobreviver a essa dor? 
Perder um amor é como perder um órgão. É como morrer. A única diferença é que a morte termina. 
E isso? 
Isso pode continuar para sempre.”


Narração do episódio Unaccompained Minor da sétima temporada de Grey's Anatomy.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ritmo

Como atores, aprendemos nas primeiras aulas de teatro a trabalhar com ritmo. Caminhar pela sala, marcar com uma parte do corpo, acelerar, reduzir, sentir a música. Sentir o tempo é item de primeira necessidade de um ator. Não somente com relação aos movimentos se sincronizarem com o pulso de uma música. Vai além. Precisamos saber a hora certa de dar o texto. Sentir o intervalo exato entre uma fala e outra. O tempo do silêncio. O tão falado tempo da comédia. No teatro, o tempo é tudo.

Então parei pra pensar que se o teatro é a representação da vida real, nesta também o tempo é soberano. Entendi que saber administrá-lo, é muito mais do que dar conta das coisas que se tem pra fazer no dia. É bem mais complexo. É saber a hora de parar. De mudar de rumo. De voltar atrás. De correr. De desacelerar. De soltar as rédeas. De tomá-las de volta. É saber pra onde você quer levar a sua vida. E em que velocidade.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Proibido o retorno.

Eu precisei seguir.

Eu não podia esperar mais. Você me mandou seguir em frente, embora tudo em você afirmasse o contrário. Suas atitudes, seu jeito, seu olhar. Mas você me disse "Vai!". Então eu não tive alternativa a não ser ir. Mesmo querendo permanecer. E de fato, eu relutei muito a me mover. Porque primeiro vem o baque. A pancada que te joga no chão e te deixa ali por algum tempo, tomando fôlego, esperando a dor se tornar ao menos suportável. E depois, já de pé, eu tomei a decisão de ir. Então não me culpe. Porque a cada novo dia eu fui percebendo que eu precisava caminhar. Correr. Voar. E foram tantos dias andando em círculo, até finalmente alguém apontar um caminho, que é injusto demais você me gritar lá de trás.
Eu não vou voltar.
Por mais que uma parte de mim queira, eu não posso fazer isso comigo mesmo. Muita coisa mudou em mim, em nós. O mundo mudou. Eu cresci, mas não tem mais aquele espaço pra você ocupar. 

sábado, 3 de novembro de 2012

Despedidas


Pessoas vão embora de todas as formas: vão embora da nossa vida, do nosso coração, do nosso abraço, da nossa amizade, da nossa admiração, do nosso país. E, muitas a quem dedicamos um profundo amor, morrem. E continuam imortais dentro da gente. A vida segue: doendo, rasgando, enchendo de saudade... Depois nos dá aceitação, ameniza a falta trazendo apenas a lembrança que não machuca mais: uma frase engraçada, uma filosofia de vida, um jeito tão característico, aquela peculiaridade da pessoa.
Mas pessoas vão embora. As coisas acabam. Relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo, adeuses começam a fazer sentido. E se a gente sente com estas idas e também vindas, é porque estamos vivos.
Cuidemos deste agora. Muitos já se foram para nos ensinar que a vida é só um bocado de momento que pode durar cem anos ou cinco minutos. E não importa quanto tempo você teve para amar alguém, mas o amor que você investiu durante aquele tempo.

Segundos podem ser eternidades... ou não. Depende da ocasião.

Marla de Queiroz - http://doidademarluquices.blogspot.com.br/

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sfogarsi*

E esse medo que domina todo o meu corpo me faz ficar aqui, parado, em inércia. Vendo meus sonhos e expectativas ruírem em nome de algo que eu nem sei se é meu. O pânico que congela. Que me impede de avançar e correr.
De tudo que me assombra, essa solidão é o que mais causa horror, o que me tira a sanidade vez por outra. Acordar e dormir sem ter um ouvido pra esse grito preso. Eu só queria que alguém jogasse na minha cara que é tudo bobagem, que nada disso, nenhuma parte desse sofrimento todo é útil ou verdadeiro.
Então eu sigo cada vez mais cético no ser humano, nas pessoas em redor, pois quem diz que é diferente, é porque na verdade é pior do que todo mundo e tem medo disso. Eu na verdade devo ser diferente de todo mundo mesmo, mas pra pior. Eu misteriosamente descobri uma fórmula de invisibilidade que me faz passar incólume por todos os lugares por onde ando. Ninguém me nota. E quando nota fica indiferente. Eu só queria saber como conseguir um pouquinho de cor. Um pouco de vida. Um pouco de graça. Ser mais que um mero objeto na sala de espera.
Eu queria tanto voltar a acreditar, voltar a imaginar que depois desse terreno pedregoso vai vir uma estrada bonita com gerânios e girassóis. Mas o caminho a minha frente soa cada vez mais nebuloso e cinza. Sombrio.
Vou levando os dias porque não me resta alternativa.
Caminho todas as noites pra que meu corpo chegue à exaustão e não me deixe pensar quando deito. Porque nada do que eu penso é bonito. Nada mais que eu sinto tem cheiro agradável. Ficou só o odor putrefato de coisas mortas.
Foi outro aborto.


*Em italiano: aliviar ou dar vazão aos seus sentimentos; abrir o coração; desafogar-se; desabafar.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Salve Jorge - Primeiro Capítulo

Ontem estreou a nova novela das 21h, Salve Jorge, de Glória Perez. Eu sempre tenho o pé atrás com essa autora. De um modo geral, Glória sabe falar com o povão, costuma amarrar bem suas tramas, mas acho que peca pelo exagero, pela falta de verossimilhança e pela repetição de situações. Mas fui assistir com boa vontade, pela estreia de Nanda Costa como protagonista e também por outros bons nomes do elenco, como Alexandre Nero, Domingos Montagner, Totia Meireles, entre outros. Mas Mariana Rios, Giovana Antonelli, Flávia Alessandra, Fernanda Paes Leme e Rodrigo Lombardi se repetem nos mesmos tipos de sempre.

A ideia de usar a ocupação do Morro do Alemão como plano de fundo para o início da história foi muito feliz. Foi um momento importante da cidade do Rio de Janeiro. Usar as imagens reais da época também foi uma ideia ótima, mas de execução infeliz. A edição ficou meio tosca. Deu um ar de novela da Record logo de cara. Aos poucos essa imagem foi sendo perdida, ainda bem.

Achei os diálogos meio bobos, forçados. Tentando deixar tudo muito claro, muito mastigado para o telespectador. É sempre bom lembrar: O público de hoje mudou, está mais exigente. E teve ainda o problema da repetição. A Neusa Borges tava lá fazendo o mesmo tipo histérica de sempre. O "Seu Gomes", o "Farinha", o Antônio Calloni casado com uma mulher que lançará os bordões estrangeiros da novela, o núcleo pobre irreverente... Tudo como dantes na terra de Abrantes. É uma das coisas que me incomoda nesses autores veteranos das 21h: Insistem em fazer novela como há dez, vinte anos atrás.

A abertura ficou muito bonita e casou perfeitamente com a voz de Seu Jorge. Aliás o trabalho técnico e de produção está de parabéns, como é de se esperar das produções da Globo. Não dá pra se analisar uma obra só pelo primeiro capítulo, é preciso aguardar e ver o que Salve Jorge ainda tem pra contar para o espectador.