quinta-feira, 28 de junho de 2012

Gabriela - Crítica

A iniciativa de se produzir novelas de curta duração no horário das 23h foi uma ótima sacada da Globo. "O Astro" no ano passado foi um acerto desde a adaptação até a escolha do elenco. O objetivo de frear o crescimento de "A Fazenda", da Record foi alcançado e a emissora decidiu continuar apostando no formato, que na verdade é o mesmo de séries como "A Muralha", "Um Só Coração", "A Casa das Sete Mulheres", etc: Um produto forte de dramaturgia, com elenco bem escolhido, de duração de cerca de 60 capítulos, na segunda linha de shows.

A escolha de "Gabriela" pra ser adaptada esse ano é boa. A novela marcou época tal qual "O Astro". E foi dada a Walcyr Carrasco a chance de escrever um trama mais adulta, mais séria, que passasse longe das comédias românticas do horário das seis, ou das aventuras das sete. Temos que lembrar que um dos maiores sucessos da extinta Manchete, "Xica da Silva", leva a assinatura do autor. Pois bem, Walcyr tinha a faca e o queijo nas mãos. E não soube fazer nada.

A escolha de Juliana Paes é um equívoco. Gabriela é uma ninfeta, não uma balzaquiana. A atriz sorri o tempo todo, mesmo em cenas tensas. E sua personagem é limpinha demais: Depois de comer o pão que o diabo amassou no sertão, Gabriela surge com base nas unhas, dentes brancos e depilada. Difícil de acreditar.

Outra escolha equivocada é Ivete no papel de Maria Machadão. A personagem que foi interpretada na primeira versão por Eloisa Mafalda, havia sido destinada para Elizabeth Savalla nesta adaptação. O próprio Walcyr convidou a atriz, porém, Roberto Talma bateu pé na escolha de Ivete. Bobagem. Apesar do carisma da cantora, o papel é muito maior que ela, que chega ao constrangimento com suas canastrices.

O resto do elenco é irregular. Conta com figuras tarimbadas como Antonio Fagundes, Mauro Mendonça, Bete Mendes, Laura Cardoso, José Wilker, Bel Kutner, Gero Camilo entre outro bons atores. Leona Cavalli também tem sido uma grata surpresa. Mas Maitê Proença, Erik Marmo, Vanessa Giácomo, Fabiana Karla, Marcos Pigossi, e cia não convencem a ninguém.

O texto é outro problema. Walcyr parece não conseguir se desvencilhar do horário das seis. Frequentemente se tem a impressão de se estar assistindo a uma novela como "Chocolate com Pimenta" ou "Alma Gêmea". O texto é cercado de clichês e obviedades que subestimam a inteligência do telespectador. A descaracterização do Bataclã também foi lastimável. Virou uma espécie de Moulin Rouge baiano. E a "baianização" ne Nacib também não tem sentido nenhum.

A novela tem qualidades, como os bons atores já mencionados, a direção de arte, a bela trilha sonora, os cenários e figurinos caprichados. Mas isso não basta. "Gabriela" poderia ser a reinvenção de Walcyr Carrasco como autor. Mas é a prova de que ele ainda tem muitos vícios que precisa perder.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Dança da Solidão - Paulinho da Viola e Marisa Monte


Sanatório


Isso não é uma carta.

Também não é um texto dissertativo. Não é poesia, não é dramaturgia, não é soneto, não é nada. Isso é conseqüência de uma soma de ausências que já não cabe dentro de mim, precisa ser regurgitada em forma de palavras tão absurdamente desconexas, quanto as ações desses últimos meses.
Perdido numa tempestade eterna de emoções, numa vastidão tão grande de sensações desconhecidas dentro de mim que me pareço me afogar e naufragar a cada instante.
Antes nunca tivesse tido aquele gosto doce...
Antes nunca tivesse sabido o quanto é bom...
Antes nunca tivesse acreditado que eu podia e que eu também tinha direito.
Antes nunca tivesse tido falsas esperanças.
Antes nunca aquele amor, aquelas músicas.
A sensação plena de felicidade. Antes nunca tivesse tido.
Porque agora é ruim demais viver sem ela.
Às vezes tenho vontade de acordar e não sair da cama. Fugir desse mundo esquisito e ficar olhando pro teto até que algo aconteça, até que minha família me tire à força e me interne. Mas acho que até pra isso é preciso coragem. E eu me sinto um fraco hoje.

Vou dormir, porque não suporto mais pensar. Pensar é lembrar. E tudo o que eu lembro agora me dói.


terça-feira, 26 de junho de 2012

Um pouco de tristeza



Este silêncio é assustador. Não porque talvez ele não seja necessário, mas porque mesmo sendo necessário, ele machuca. E ando muito ferido pra suportar um pouco mais de dor. Então eu queria que alguém me dissesse que vai ficar tudo bem, sabe? Porque esta incerteza toda tem me desnorteado demais. E uma ansiedade aguda toma conta de mim minuto a minuto.E ainda há a saudade.E mesmo que as previsões sejam positivas, tudo ainda me parece tão longínquo! E estou com pressa, e sede e fomes demais. Percebe como minhas palavras estão respirando com dificuldade? Então eu te peço pra não me deixar tão sozinha assim nesta fase. Mesmo que haja sol e as ondas vão e venham incansavelmente me lembrando do movimento da vida, a sua voz me faz tanta falta quanto uma brisa. Não que tenha me faltado companhia, mas em algum momento o abraço termina porque as pessoas têm as suas vidas. E ainda, o barulho das cidades têm me incomodado tanto quanto este silêncio denso. Então eu fico sem saber pra onde ir. E fico tão sonolento e encolhido no meu canto até que alguém venha me abraçar novamente. E às vezes esse socorro demora tanto por causa da minha necessidade sempre tão urgente de tudo. De paz. Por não querer sufocar ninguém, fico aqui, sufocada.

Só estou te dizendo estas coisas porque acho estranho você não ter a menor curiosidade em saber como tenho me sentido. Depois de tudo. Porque não existe um segundo sequer em que eu não pense e queira saber e deseje que você esteja bem. Só isso.




Marla de Queiroz.

transFLORmar-la: "Quem sabe isto quer dizer amor..."

transFLORmar-la: "Quem sabe isto quer dizer amor...": Foto: Eu! Acho que posso dizer que é amor, sim. Mesmo que a gente tenha se perdido para que eu pudesse encontrar a mim mesma. Mesmo ...

Encontro com Fátima Bernardes - Crítica

Há muito tempo não se via tanta confete em cima de uma estreia na TV Globo. Desde o momento em que deixou a bancada do JN (com direito a VT no estilo "Essa é a sua vida"), Fátima Bernardes se viu no meio de um turbilhão e de um desafio gigantesco: Trazer às manhãs da emissora do Jardim Botânico a liderança de audiência.

O horário das manhãs é difícil. No começo do turno, temos a Record forte com seu noticiário local e o Fala Brasil, ambos com audiência consolidada e que estão quase sempre à frente da Globo, que exibe o Bom Dia Brasil e o Mais Você. Quando o Fala Brasil termina, a Record frequentemente via a liderança migrar para o SBT com a programação infantil: O Hoje em Dia, não tem força suficiente para sustentar o primeiro lugar recebido do telejornal da Record.

Fátima veio como a salvadora da pátria na Globo. Muito se especulou sobre que formato teria o seu programa. Viu-se uma verdadeira procissão da apresentadora em todos os programas da casa para divulgar o novo produto: Estrelas, Domingão do Faustão, Mais Você, Fantástico, Bom Dia Brasil, etc. E finalmente chegou o dia. Nesta segunda estreou o "Encontro com Fátima Bernardes"

O programa em si é uma grande incógnita. Parece que nem a apresentadora sabe direito o que quer dele. Soou como um remake dos programas de Silvia Poppovic nos anos 90. Com a diferença que Silvia sempre foi natural e adotava um certo tom polêmico nos seus debates.

Adoção, medo de avião e depilação masculina foram os temas da estreia. Sendo que um assunto pulava para o outro sem qualquer critério lógico. A plateia soou fria e os entrevistados pareciam extremamente engessados, como se tivessem sido orientados sobre o que deveriam falar. Marcos Veras, humorista, não acrescentou em nada e serviu apenas para deixar Fátima constrangida com suas piadas sem graça. Lillia Teles, profissional com bastante experiência na carreira, teve boas interferências e o estreante Lair Renó funciona mais ou menos como o "Louro José" da Fátima.

O cenário é extremamente tecnológico, mas escuro demais para uma atração matinal. O formato da atração parece estar deslocado na grade da emissora. Parece um programa vespertino, que poderia muito bem entrar antes de Malhação.

E finalmente chegamos no desempenho de Fátima, que até tem algum carisma, mas manteve-se presa demais ao roteiro, não se soltou em momento algum. Aliás naturalidade não me parece ser o forte da apresentadora, no entanto, com o tempo isso pode ser trabalhado. A boa audiência da estreia se deve muito mais à curiosidade em torno da atração do que às qualidades do programa. As previsões dos críticos parecem se confirmar: Quem lucrou com todo esse estardalhaço foi o SBT. Nesta terça, o Bom Dia e Companhia liderou com uma pequena vantagem sobre a Globo. Os órfãos dos desenhos da TV Globinho, migraram para a emissora de Silvio Santos. E quem perdeu foi a Record que viu uma fatia do seu público do Hoje em Dia parar na atração de Fátima Bernardes. Ontem, O "Encontro" registrou média de 10 pontos. Hoje, caiu para 7. Será que o "Milagre de Fátima" vai mesmo acontecer? E depois do sucesso de Carrossel e agora com as manhãs livres de concorrência infantil, será que 2012 vai ser surpreendentemente o ano do SBT?

Veremos.

Espero

Espero... Não sei se tenho tempo
Espero poder estar atento pra lhe ouvir falar as coisas que eu não entendo.
Por que você me olha desse jeito, como se você quisesse alguma coisa? Alguma coisa que eu tenho...

Tenho, que encontrar o meu caminho
pra que eu possa compreender sozinho as coisas que eu não entendo.

Por que o amor é passageiro de viagens sem destino. Como filmes sem roteiro...

Eu seria bem melhor assim.
Se tivesse você junto a mim.
Talvez procurasse entender as coisas que eu não entendo.

Por que o amor é passageiro de viagens sem destino
Como filmes sem roteiro...

Eu espero. Não sei se tenho tempo, não.
Espero poder estar atento pra lhe ouvir falar de coisas que
Eu não entendo...

(Reação em Cadeia)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Exceção

But I can't let go of what's front of me here
I know you're leaving in the morning, when you wake up,
Leave me of some kind of proof it's not a dream

You are the only exception  


terça-feira, 19 de junho de 2012

Definições - Por Adriana Falcão

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta
um capítulo.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa
é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não... Amor é um exagero... também não.
Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar.

sábado, 16 de junho de 2012

Música do dia.



Hurt (Jonhy Cash)

Machuquei a mim mesmo hoje.
Pra ver se ainda sinto.
Eu me concentro na dor.
A única coisa que é real.

A agulha abre um buraco.
A velha picada familiar.
Tento matá-la de todos os jeitos.
Mas eu me lembro de tudo.

O que eu me tornei, minha mais doce amiga?
Todos que eu conheço vão embora no final

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira

Eu vou deixar você mal.
Eu vou fazer você sofrer.

Eu uso essa coroa de espinhos, sobre meu trono de mentiras.
Cheio de ideias partidas que eu não posso consertar

Sob as manchas do tempo os sentimentos desaparecem
Você é outro alguém. Eu continuo bem aqui

O que eu me tornei, minha mais doce amiga?
Todos que eu conheço vão embora no final

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira

Eu vou largar você
Eu vou fazê-la doer

Se eu pudesse começar de novo...
A milhões de milhas daqui...
Eu me manteria.
Eu daria um jeito.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Monólogo de Sexta-Feira

Aprendi com essa história toda que eu não quebro. Fui forjado em aço. Aprendi também que as expectativas não correspondidas não matam. Elas me mostram que os sonhos são como bússolas que me orientam por onde começar a cada manhã. Compreendi que cicatrizes são marcas da minha história: estão ali como testemunho do que já me causou dor e servem como um mecanismo de defesa para que os mesmos erros não repitam. Aceitei que não posso mudar tudo e ter essa pretensão é uma tolice muito grande. Descobri outros tons e cores em mim. Revisitei minha história durante uma noite inteira, como alguém que passeia por um museu que nunca tinham visto: Todas as memórias começaram a ter tonalidades diferentes, nem tudo é tão cinza. Experimentei a profundidade de um oceano de novas sensações. Em cada pedaço do meu existir, habita alguém desconhecido, pronto pra se revelar no momento que julgar oportuno. 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Life In Technicolor

There's a wild wind blowing 
Down the corner of my street 
Every night there the headlights are glowing 
As a cold war coming on the radio I heard 
Baby, it's a violent world! 
Oh, love, don't let me go! 
Won't you take me where the streetlights glow? 
I can hear it coming 
I can hear the siren sound 
Now my feet won't touch the ground. 
Time came a-creeping 
Oh, and time's a loaded gun 
Every road is a ray of light 
It goes oooooonnnn… 
Time only can lead you on 
Still it's such a beautiful night 
Oh, love, don't let me go! 
Won't you take me where the streetlights glow? 
I can hear it coming 
Like a serenade of sound 
Now my feet won't touch the ground. 
Gravity, release me 
And don't ever hold me down, 
Now my feet won't touch the ground.

Coldplay

Foda-se a nobreza.

Acho que o grande erro que cometi nos últimos dias foi querer ser magnânimo. Um esforço sobre-humano pra sustentar uma generosidade que não tem sentido de ser. Eu não tenho que ter essa classe toda de manter a pose de que ficou tudo lindo e bem. Não foi assim.

Eu preciso de tempo. Preciso me afastar de você, isolamento total. Não adianta forçar uma situação de "bons e velhos amigos". Pra quê? Pra todo mundo achar que eu sou maduro e formidável? Mas e eu? E EU?

Eu preciso cuidar de mim, ver a minha vida. E pelo menos por enquanto, preciso de você longe. Pra que eu possa finalmente me desligar e ficar tudo bem. Não quero ser nobre. Não sou nobre.


Foda-se a nobreza.

sábado, 9 de junho de 2012

I-Ching do dia.

Circunstâncias, eventos e pessoas marcantes e benéficas estão se aproximando da sua vida, Lênin. Abra seu coração a esta renovação positiva. Você vai entrar numa curva ascendente, em que as coisas melhoram a olhos vistos e oportunidades praticamente se escancaram. Convém, todavia, aproveitar estas oportunidades no exato momento em que elas surgem, caso contrário elas passam e você fica com aquela sensação de desperdício. Mais importante do que a oportunidade que surge será a sua forma de lidar com tudo isso. De nada adianta ter a faca e o queijo na mão, se na “hora H” você age com pressa e falta de cuidado, cortando o próprio dedo. Mantenha uma postura relaxada e nada de ir com muita sede ao pote quando estas pessoas ou eventos positivos se aproximarem de você. Receba estas dádivas com tranqüilidade, sem se empolgar demais. Acima de tudo, saiba que no devido momento você terá que distribuir estas dádivas que lhe serão dadas, ajudando outras pessoas e melhorando a vida delas. É a corrente do bem, que passa por você agora e será por você multiplicada no futuro, Lênin.

O FUTURO DESTA SITUAÇÃO: O hexagrama de hoje possui uma ou mais linhas móveis. Isto significa que elas se transformam em suas opostas, dando origem a um novo hexagrama. Leia abaixo as perspectivas para seu futuro próximo.

QUINTA LINHA MUTÁVEL: De nada adianta realizar boas conquistas materiais se você deixa o espiritual de lado, Lênin. Neste futuro próximo, em que coisas concretas lhe serão concedidas, trate de dar mais atenção ao lado espiritual da existência.


*Conhecido como o livro das mutações, o I Ching é utilizado como oráculo há mais de três mil anos na China. Ajuda a lidar com as constantes mudanças que ocorrem em nossas vidas, apontando a essência de cada situação. Consulte-o em momentos decisivos.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

180º

Não se sai do fundo do poço com um "pulinho".

É preciso arriscar. Respirar fundo e encarar a subida com força nas unhas, dentes fechados e olhos pra cima. Músculos retesados. Pernas firmadas. Força. Garra. Disposição de sair do lugar de comodidade. Fibra. Determinação. Muitas vezes, um pé na bunda era só o impulso que nos faltava pra nos fazer andar. Mudar. Se recolocar no mundo. Achar um lugar novo pra essa nova pessoa que você é agora. De repente você percebe que é preciso se reinventar. Se colocar de cabeça pra baixo, já que o mundo parece estar assim.

Muita coisa vai mudar.

Eu vou mudar. E na verdade, acho que já tô mudando.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Monólogo de Corpus Christi

Distante. Longe. Num lugar calmo onde meus medos não consigam cruzar a fronteira. Onde meus fantasmas se percam pelo caminho. Perto do céu. A infinidade de sentimentos de repente se resume a um só: Paz. E se as perguntas surgirem por entre as nuvens, eu apenas responderei "Não sei". E isso não vai mais me deixar aflito. Vivendo cada dia em voz alta. Gritando a cada manhã que tudo é o tempo. O tempo é tudo. Remédio, alívio, amigo, inimigo, amor, ódio, vitória, derrota, espera, ansiedade, sorrisos e lágrimas. O tempo é nuvem. O tempo some. Quanto tempo faz? Quanto tempo falta? Que tempo é hoje?

"Não sei"


domingo, 3 de junho de 2012

Quando?

Em que momento da vida escolhi ser assim? Não sei ao certo, não me lembro. Essa incoerência de ter uma sensibilidade à flor da pele aliada a uma visão racional, parece entrar constantemente em conflito com a forma que me relaciono com o mundo. Eu não culpo as pessoas. É realmente difícil de me entender. Meus humores, minha carência, meu riso, meu desejo, meus sonhos. Meu mundo por muitas vezes parece outro que não esse.

Vai ver realmente não é.


Papo com o Tião - 03/06/2012

Oi Tião...

Não vou dizer que estava esperando. Dessa vez eu não tava mesmo. Acho que por isso o baque, sabe? E por isso as pessoas ficaram tão sem entender. Acho que no fundo, no fundo nem eu entendo ainda. Talvez nunca venha a entender, e isso de repente é até bom. Talvez essa falta de clareza do porquê do fim faça ficar mais fácil esquecer.
Eu acho que eu tô bem na medida do possível. Perto de como foi as outras vezes, então... Tá difícil, mas vai passar logo. Eu acho que vai, né?

Boa noite Tião...

Tião é um travesseiro comprado na Leader Magazine que veio com um defeito de fábrica: Ele ouve. E até dá uns conselhos de vez em quando...

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sobre o tributo à Legião Urbana - Crítica

Quem me conhece sabe que eu não preciso me prolongar aqui no que tange a devoção que tenho à obra de Renato Russo. Então me sinto bem a vontade para falar dos dois dias de show no Espaço das Américas, em São Paulo. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá voltaram  ao palco para tocar novamente os grandes sucessos da banda que virou ícone das gerações de 80 e 90. Como anfitrião da festa e vocalista do repertório, Wagner Moura foi convidado por suas recentes interpretações de músicas da banda em seus últimos filmes.

Muito se tem falado sobre a escolha do Wagner para tal feito. O ator possui uma banda chamada "Sua Mãe" que trabalha com um pop brega de sonoridade até gostosa. Além disso, é fã incondicional da Legião, o que de certa forma lhe concede propriedade para cantar a plenos pulmões, canções como "Fábrica", "Andrea Doria" e outras. O que se viu foi quase um devocional. Milhares de pessoas formando um imenso coral; a maioria ali nunca presenciara uma performance ao vivo da banda. 

Wagner é extremamente carismático e conseguiu fazer a plateia embarcar na mesma vibração dele. E de verdade foi uma troca de fã para fãs. Em momento algum Wagner se postou como sucessor de Renato. E nem poderia.

Musicalmente o show teve imensas falhas. E aí sim, do ponto de vista musical, pode se questionar a escolha de Wagner. Foi o típico caso de quando o repertório é maior do que o cantor. Renato Russo tinha uma extensão de voz que não é fácil reproduzir. Wagner tem a voz pequena, que soa melhor em canções sem grandes necessidades de passeios por regiões diferentes. Não dá pra negar que ele desafinou, semitonou por muitas vezes. Muito provavelmente alguns fatores contribuíram pra isso: A imensa carga de emoção embarga a voz, fica difícil mesmo manter a afinação. O pouco tempo de ensaio. A responsabilidade. E a própria inexperiência do Wagner com multidões ávidas por ouvir um show de música. Dado e Bonfá também tiveram falhas graves. O solo de guitarra em "Quase sem querer" foi constrangedor. Mas deve se salientar que Dado cantou muito bem.

Apesar dos problemas técnicos e musicais, valeu cada segundo de show. Foi daqueles espetáculos que se deixam devendo por um lado, sobra de outro. A emoção, a vibração, a energia presentes ali foram além do que se podia imaginar. E se foi mesmo a última vez que Dado e Bonfá tocaram as músicas do grupo, encerra-se com uma página linda, o "Livro dos Dias" da Legião Urbana.

FORÇA SEMPRE.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Louco Por Elas - Crítica

João Falcão é um craque. Tem no seu currículo televisivo, sucessos como O Auto da Compadecida, Comédias da Vida Privada, Sexo Frágil e Clandestinos - O sonho começou. Além disso, tem obras aclamadas por público e crítica no teatro como A Máquina, Ensina-me a Viver e Clandestinos. Toda a bagagem do autor e diretor já seria motivo suficiente para ligar a TV nas noites de terça feira e assistir Louco por Elas, seu mais recente trabalho, em que assina também a direção.

O programa é exibido entre dois outros acertos da Globo: Após Tapas & Beijos e antes do Profissão Repórter. Conta a história de Léo, vivido por Du Moscovis, treinador de um time de futebol de areia feminino, pai de uma menina, "ex-padastro" de outra e recém-separado de Giovana (Deborah Secco). Além desse time de mulheres, Léo ainda mora com a avó biruta interpretada por Glória Menezes.

O humor é ágil e não subestima a inteligência do telespectador, o que já um grande passo. Du Moscovis, afastado da TV desde o fim de Alma Gêmea em 2006, parece ter aproveitado bem o período longe das telinhas. Voltou com tudo, num trabalho que parece ter sido feito sob medida pra ele. Aliás eis um dos grandes problemas da TV atualmente: As repetições de elenco nas produções. Atores estão emendando um trabalho após o outro, sem tempo pro telespectador descansar a imagem e fazendo com que o profissional muitas vezes caia no risco da repetição. Mas voltando a Louco por Elas, mesmo com a ótima fase de Du Moscovis, o grande nome da série é Glória Menezes, essa sim com um papel pensado para ela. As intervenções de Violeta, são sempre muito engraçadas e a atriz está mostrando que é gigante também na comédia. Deborah Secco está surpreendentemente muito bem na produção. As novatas Laura Barreto e Luisa Arraes encontraram ótimas soluções e tons para suas personagens.

É ótimo a Globo apostar num tipo de humor que não seja rasteiro, chulo, baixo como Zorra Total. João Falcão  arriscou ao apostar num texto com piadas muitas vezes sutis, todo centrado nas ótimas interpretações do elenco e no excelente texto. Ao que tudo indica o público aprovou a coragem do autor: Louco Por Elas tem audiência crescente e deve ganhar nova temporada ainda esse ano. Com Tapas & Beijos, Loucos Por Elas e Profissão Repórter, fica difícil trocar de canal ou desligar a TV depois de Avenida Brasil.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Estreia de SNL Brasil - Crítica

Por todas as polêmicas envolvidas com o nome de Rafinha Bastos, a atração que estreou ontem na Rede TV! era aguardada com muita expectativa por quem acompanha o mundo da TV e do humor. A atração começou pontualmente às 20h30 com uma sátira ao depoimento de Xuxa ao Fantástico na semana passada. Talvez tenha sido o ponto alto do programa. Sem tocar na questão do abuso sexual, a esquete fez piada com todos os mitos que giram em torno da apresentadora, muito bem imitada por Renata Gaspar. Outro ponto alto, foi o depoimento do Dengue que fazia companhia à loura nos seus programas.

No primeiro bloco Rafinha estava um tanto nervoso, mas bem. Os "pedidos de desculpas" e o festival de alfinetadas que não poupou nem mesmo a própria emissora, estavam num tom ideal de acidez. Mas do segundo bloco em diante parece que a coisa desandou. As esquetes foram longas demais, sem timing. Há problemas de iluminação também e Marina Lima como atração musical de estreia não empolgou ninguém. O programa ensaiou uma retomada fôlego no quadro do telejornal que é muito bom, mas não foi o suficiente pra recuperar o ritmo.

Um dos fatores que também pode ter afastado o público é o excesso de palavrões. Não tem que ser careta, mas o que se viu foi um exagero. O programa também poderia centrar-se mais na figura do Rafinha Bastos na parte ao vivo, já que ele tem carisma e sabe como fazer stand-up.

Não é nada que não dê para se consertar. Quem conhece o original americano sabe que é impossível tecer comparações entre a versão americana e a brasileira. O SNL Brasil mostrou identidade na estreia, mas precisa rever o que saiu errado nessa primeira exibição.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Papo com o Tião - 21/05/2012

Oi Tião...

Eu acho que nunca tive que lidar com um sentimento de ciúme. Sei lá, nunca foi muito meu gênero. Mas agora... Sei não Tião... Sabe quando você começa juntar algumas coisas daqui, outras dali... Pode ser tudo coisa da sua cabeça (e provavelmente é), mas fica aquela maldita pulga atrás da orelha.

Eu sei, Tião... Eu não tenho motivo concreto pra sentir ciúme. Mas fala isso pro meu coração. É tenso.

Vou tentar dormir e esquecer isso...

Ba'noite, Tião...




Tião é um travesseiro comprado na Leader Magazine que veio com um defeito de fábrica: Ele ouve. E até dá uns conselhos de vez em quando...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Maio

Voltando de mais um dia de trabalho, entediado como costuma ser todas as voltas pra casa, olhou pro céu na expectativa de ver a chuva diminuindo. Não diminuiu. O trânsito seguia lento, buzinas e o barulho da chuva no teto do carro. Pensou em ligar o som. Mas desistiu da ideia. Aquele momento era o ideal para pensar em tudo o que tinha acontecido na última semana. Ainda não tivera coragem de sentar cara a cara com o espelho e perguntar a si mesmo o tamanho daquela dor.

Não esboçou reação quando Teresa disse que ia embora. Agiu como se esperasse aquilo, embora não tivesse ideia do que estava acontecendo. Não conseguia raciocinar. Foi frio quando ela disse "Não dá mais": "Você que sabe", respondeu baixinho, apenas. Assistiu com calma descomunal a companheira fazer as malas, recolher os pertences, ouviu com placidez a buzina do táxi e sequer levantou os olhos quando ela disse adeus e lhe deu um beijo no rosto antes de sair.

Durante os dias que se seguiram, foi como se nada tivesse acontecido. Não comentou da partida de Teresa com ninguém, nem mesmo com seu terapeuta. E de noite, em casa, o vazio era preenchido com vodka, TV, música e culinária. Preparava verdadeiros banquetes pra ninguém comer. Nem ele mesmo. Tudo aquilo que levava horas pra preparar ia para o lixo.
O fato é que Diogo se recusava a pensar no que havia ocorrido. Pior do que isso, se recusava a sentir aquela perda. Foi trancando tudo nas gavetas mais altas, naquelas que não poderia alcançar, naquelas que ficariam fora do alcance da visão.

Mas de repente, naquele fim de tarde chuvoso de maio, estava tudo ali diante dele. Como se alguém tivesse invadido o seu íntimo, aberto todas as gavetas e jogado tudo pro alto. Era um oceano de sentimentos. Mais do que isso, uma tsunami que vinha com uma força arrasadora, arrastando tudo. Já não podia conter o choro, os soluços, o tremor das mãos. Quando o trânsito começou a fluir, num lampejo de lucidez, encostou o carro para evitar um acidente. E dali não conseguiu sair por cerca de 6 horas.

Chegou em casa e deitou, exausto. Sem banho, sem comer, sem beber. Nem olhou para o cachorro. Dormiu doze horas seguidas. No dia seguinte não foi trabalhar. Acordou, olhou para o lugar vazio de Teresa e suspirou. Tomou um banho demorado, fez a barba, preparou um robusto café da manhã. Olhou pela janela e viu que a chuva havia passado. Mandou um e-mail para o chefe com uma desculpa qualquer. Colocou a coleira no cão e saiu para caminhar pelo condomínio. Sorriu para crianças e velhos. Sorriu para si mesmo quando entendeu que Teresa provavelmente foi o grande amor da sua vida, mas que tinha ficado no passado. No passado mais bonito de que poderia se lembrar. Mas lá.

Olhou para o cachorro e lhe desejou "Feliz ano-novo" rindo de si mesmo ao lembrar que estava em maio.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Carpinejar

"A gente reclama muito da dependência, mas como é maravilhosa a dependência, confiar no outro, confiar no outro a ponto de não somente repartir a memória, mas repartir as fantasias. Confiar no outro a ponto de esquecer quem se foi assim que o outro esteja junto, é talvez chegar em casa e contar seu dia e só sentir que teve um dia quando a gente conta como foi. É como se o ouvido da outra pessoa fosse nossos olhos. Amar é uma confissão. Amar é justamente quando um sussurro funciona melhor que um grito. Amar é não ter vergonha de nossas dúvidas, é falar uma bobagem e ainda se sentir importante. É lavar louça e nunca estar sozinho. É arrumar a cama e nunca estar sozinho. É aquela vontade danada de andar de mãos dadas durante o dia e de pés dados durante a noite."