quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A vida que segue.

Quarta-feira de Cinzas e aquela sensação de que não dá mais pra correr vai chegando. As férias vão ficando pra trás e na próxima segunda já recomeça a rotina toda denovo. Foram dias incríveis, que todos nós merecemos porque sobrevivemos a um ano que não foi nada fácil. Mas agora é hora de re-colocar os móveis no lugar e encarar o leão de cada dia.


É hora de voltar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Recesso

Eu devia ter avisado antes, mas devido ao carnaval o blog está em recesso e voltará na quinta feira com novidades. Aguardem.

Boa Folia. Bom descanso.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ganhei o dia.

Essa sensibilidade toda que exala na minha alma acaba por muitas vezes me fazer sofrer. Mas também me traz alegrias. Me faz sorrir e me emocionar com cenas aparentemente banais do dia-a-dia.


Ontem saindo do shopping, passei pelo Saara. Ali tem um mini-parquinho com um escorregador e uma casinha. Nada demais. Dentro da casinha estava um menino, fofucho, de uns 3 anos de idade, se divertindo a beça ali. A avó do lado de fora, olhando sorridente e perguntando "Vai ficar aí é?".  E ela sorria pra ele enquanto ele retribuía com uma sonora gargalhada. Eram pessoas simples, deviam morar por perto. E aquele instante me fez ganhar o dia. Fiquei olhando um bom tempo para eles, sem ser notado. Quanta simplicidade, quanta verdade e quanto amor haviam ali sem que ninguém testemunhasse. Apenas eu. Privilegiado pelos céus. Meus olhos se encheram de água, como nesse momento em que relembro o fato. Me deu uma esperança tão grande no ser humano naquele momento. Em mim mesmo também. E me deu também meio que um dever de ser feliz. 


Até minha sensibilidade voltou a me presentear.


São os bons ventos de um ano bom.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Foice, o tempo

Você me pediu perdão como se pudéssemos remover com uma borracha nosso pequeno e trágico passado. Mas eu te perdoei porque não consigo gastar um átimo de segundo da minha existência guardando qualquer sentimento por você. E para te perdoar, precisei perdoar também a mim mesma pela armadilha que criei quando eu estava triste e desorientada demais para achar que você pudesse me dar qualquer tipo de direção e desabei nos seus braços e me deixei levar pelas suas mentiras caudalosas. E você, com sua personalidade nociva e perversa, e por viver tão afundando na ignorância de ser quem é ainda pensou que ser perdoado era um passaporte para qualquer tipo de aproximação. Não. Agora eu tenho sanidade para fazer escolhas certas e não estou mais frágil como antes. O que você me causou e as consequências graves que tive que administrar sozinha, por causa da sua covardia, me fortaleceram de tal forma, que o meu horizonte interno se ampliou no peito e nos olhos e o meu tamanho teve que ser aumentando para comportar tantos aprendizados. Por isso, a pessoa que consegue te perdoar hoje, não é a mesma que você feriu com toda crueldade que eu não sabia ser possível num ser humano considerado socialmente normal. O mal que você tem feito a si mesmo, não é mais problema meu e a minha presença seria um presente dado a alguém que não tem a menor condição de receber o que é bom. Eu poderia ter ajudado você a se lapidar com a minha predisposição para o amor. Mas você, acostumado a viver na escuridão, não soube suportar a minha luz.
Espero que encontre alguma paz se algum dia conseguir e quiser viver dentro da honestidade.
*
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Marla de Queiroz


http://doidademarluquices.blogspot.com/

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Eu e o Teatro - Coração Brasileiro

Em 2002 estava apenas envolvido com as montagens do Liceu, mas vez por outra ouvia Lud e Rafael comentando sobre a nova montagem da Persona, que eles estavam no elenco. Até que dois atores sumiram dos ensaios então Tia Tânia chamou a mim e a Tiaguinho pra fazer uma leitura do texto de "Coração Brasileiro". A peça conta a história de 4 amigos que crescem juntos, participando ativamente da história do país, contada no texto de 1964 até a eleição de Lula em 2002. Dividimos o espetáculo em 4 fases: Infância, Adolescência, Juventude e a fase Adulta. Em cada uma dessas fases, um ator diferente vivia um dos 4 personagens, ou seja havia um Jonas, uma Marta, uma Alice e um Tunico diferente em cada uma das fases.


Após a primeira leitura, decidiu-se que Tiaguinho faria o Tunico da primeira fase e eu faria o Baltazar, um porteiro de cinema que aparece na segunda fase e o Tunico da terceira. Porém o ator que fazia esse personagem e que havia sumido do mapa, reapareceu. E agora? Eu ia ficar sem personagem. Porém, eu já havia lido o texto e percebido que um outro personagem ainda não tinha "dono". Miro Marks, um diretor de teatro que aparecia na quarta fase. Então eu resolvi na cara dura pedir pra fazer uma leitura dele e acabei ficando com o papel. 


E foram se passando os ensaios. Era um desafio. Atores diferentes fazendo o mesmo personagem em fases distintas da vida. Mas era muito gostoso também. Estudamos a fundo cada momento da história recente do país. O texto era muito inteligente, fazia o público pensar e aprender sem ser didático. A trilha sonora foi outro charme da peça... E a participação dos contrarregras? Era sensacional o que eles faziam, o público amava... Terminávamos a peça com uma coreografia fantástica montada por Zé Fernando e ensaiada duramente por Tia Jéssica.


E faltando 3 dias para a estreia... Como em Decote... Um ator precisou se desligar do grupo. E quem era esse ator? O que fazia o Tunico da terceira fase, que havia sumido no início do processo... E então, faltando 3 dias para estrearmos, lá ia eu mais uma vez encarar o desafio de assumir um personagem. Mas era diferente de Decote. A Terceira fase era imensa, e o Tunico era um personagem extremamente rico. Só consegui amadurecê-lo ao longo da temporada.


O espetáculo foi um sucesso na história da Companhia. Muita gente até hoje fala nele, fala comigo do Miro Marks. Foi um dos melhores e mais felizes elencos em que já estive. A gente adorava estar junto. Se respeitava. Se protegia. Se amava de verdade. Fizemos duas temporadas, a primeira em 2002 e a segunda em 2003 com algumas substituições no elenco. E ainda uma mega apresentação na tenda do Farol, com plateia hiper-lotada e com o maior aplauso que já recebemos na vida. Chegamos a pensar na hipótese de uma outra temporada, mas a partida de Tiaguinho nos deixou sem chão. A morte dele foi algo tão inesperado e tão doloroso, que não sei se daríamos conta. Eis o elenco.


Jonas - David e Decinho
Marta - Vívian (Sunshine) e Tainá
Alice - Ludmilla, Amazona, Juliana
Tunico - Tiaguinho, Rafael (Leon) e Eu.


Mara - Carol
Celeste - Iara
Miranda - Pedrinho
Baltazar - Eu
Bilheteira - Carol
Professor - Pedrinho
Concierge - Carol
Miro Marks - Eu
Carol - Gláucia (Ludmilla)


Contrarregras - Mahelle, Elias, Tio Chico e Lívia.


Ainda hoje tenho muitas saudades desse tempo, desse espetáculo, de tudo o que vivemos juntos. Desses sorrisos, de como fomos felizes. Olhar essa foto e não ter olhos cheios de lágrimas é impossível. Saudade, meus queridos. Muitas saudades.


Basta de Clamares Inocência - Cartola na voz de Elis

Basta de clamares inocência
Eu sei todo o mal que a mim você fez
Você desconhece consciência
Só deseja o mal a quem o bem te fez
Basta não ajoelhes, vá embora
Se estás arrempedida
Vê se chora
Quando você partiu
Disseste chora, não chorei
Caprichosamente fui esquecendo
Que te amei
Hoje me encontras tão alegre
e diferente
Jesus nao castiga o filho que está inocente
Basta não ajoelhes, vá embora
Se estás arrependida
Vê se chora






sábado, 11 de fevereiro de 2012

Loucos e Santos - Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Lady Antebellum - I Run to You.


Trocando de pele.

Me olhei no espelho e me vi diferente.


Não foi exatamente por fora que eu mudei. Embora a transformação que aconteceu tenha refletido muito nos meus olhos. De repente vi o passado se desprender de mim. Os fantasmas. O peso. A dor. As nuvens negras. Todo o lixo acumulado por anos de repente soltou-se e me vi leve, folha verde de verão, pássaro que escapa do laço do passarinheiro. Pessoas que insistiam em me manter presas, ficaram pra trás de repente, como placas velhas no meio da estrada, sumindo no retrovisor, ficando cada vez menores até desaparecerem de vez. 


Como os animais que trocam de pele, assim foi. O velho, o desnecessário, o que já estava podre, caiu como escamas que se soltam. Entendi que não posso mais olhar e me fixar no passado. É tempo de acelerar. Pra frente. Com fé. Com Coragem. Há muita coisa pra viver. Há muito sonho pra sonhar. Há muito pra ser. Muito por fazer.


Lênin Willemen, 10 de fevereiro de 2012. 
Feliz Vida Nova.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Eu e o Teatro Parte 3 - Liceu

Em 2002, o grupo de teatro do Liceu teve o desafio (insano) de montar dois espetáculos: "Drummond" e "Apareceu a Margarida".


O primeiro foi uma belíssima montagem de poemas de Carlos Drummond de Andrade de forma pouco convencional. Era muito bom de se fazer. No elenco éramos, Eu, Ludmilla, Rafael, Anelise, Douglas, Lívia Monteiro, Carol Mulatinho, Iara Rangel, Mercilla e a sonoplastia do saudoso Thiaguinho. Apresentamos algumas vezes no Liceu e depois no então CEFET onde recebemos o convite pra irmos ao Rio nos apresentar na Academia Brasileira de Letras! Dá pra imaginar a chiqueza? Éramos todos uns fedelhos, mas amávamos aquele espetáculo. Eu tenho muita vontade de fazer algo com Drummond denovo. Aliás, dica pra quem quer montar Persona em Cena esse ano.


"Apareceu a Margarida" trata-se na verdade de um monólogo de uma professora muito surtada que fala MUITOS impropérios para toda a turma. Dividimos o texto e então cada um de nós era uma D. Margarida. Eu, Iara, Ludmilla, Mercilla, Carol, Rafael, Mahelle e Lívia Monteiro nos revezávamos e nos divertíamos muito fazendo aquilo. Foi um pouco de insanidade nossa achar que daríamos conta de um monólogo. Mas foi uma experiência ótima, outra dica para o Persona em Cena. Não montar a peça toda, mas um trecho.


Foram minhas duas últimas montagens no Teatro Liceísta. Quem já passou por lá sabe o que isso significa. Nossos nomes estão literalmente gravados ali naquele espaço. Por isso fiquei profundamente irritado quando ao apresentarmos Villa de Lobos, pessoas que estavam ali pela primeira vez, que nunca foram (e provavelmente nunca serão) liceístas, foram lá escrever seus nomes no bastidor. Isso não se faz. É violar um espaço que tem um valor sentimental muito grande pra muita gente. Como eu me emociono em chegar lá e ver os nomes de Rodrigo, Tio Chico, Rafael, Vivian, Lud, Amazona, Bruninho, Thiaguinho e tantos outros que lá estiveram e escreveram a sua história. 

Próximo Post: Coração Brasileiro.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Novas cores

Eu sou assim. Quando eu mudo de cor, mudo aquilo que me representa também. No caso aqui, é o blog. O chumbo de antes não me pertence mais nesse momento. É tempo de cores. Sol. Areia do mar. Vida explodindo em sensações tão pequenas. Mas são nas mínimas mudanças que a mulher percebe a nova vida que está sendo gerada. Nas pequenas coisas que Deus se manifesta com mais profundidade.

Bem vindo de volta, Sol.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A Vida da Gente - Crítica



Bom não é esse o propósito do blog, mas como ator, diretor e alguém que tem paixão pelas letras, não posso me furtar a falar sobre o curioso caso da novela das seis "A Vida da Gente".

A Globo estava com um pepino no horário há alguns anos. O último grande sucesso (ainda assim de qualidade dramatúrgica duvidosa) foi "Alma Gêmea", em 2005. De lá pra cá o que se viu foi uma repetição de clichês e nada de novo. "Sinhá Moça" tinha um bela fotografia e bom elenco, mas era mais do mesmo. Elizabeth Jhin tentou algo diferente em "Eterna Magia" mas foi prontamente orientada a transforma sua trama de Bruxas e Magos em mais um folhetim água com açúcar. E o que se viu a seguir foi uma sucessão morna de histórias que soavam remakes de si mesmas.

A história começou a mudar em abril de 2011 com "Cordel Encantado". Um risco que a emissora decidiu correr: Uma trama de reis e rainhas misturada com o sertão brasileiro. Elenco, figurino, cenário, direção e história afinados renderam uma das melhores produções do horário. Então veio o desafio de se manter o padrão da qualidade alcançada pela trama de Telma Guedes e Duca Rachid.

Lícia Manzo veio com sua primeira novela solo. Anteriormente, escreveu o seriado de única temporada "Tudo Novo de Novo", estrelado por Júlia Lemmertz e Marco Ricca. Agora tinha a responsabilidade de manter a audiência conquistada pela bem-sucedida "Cordel Encantado".

Lícia optou por um trama com poucos personagens, o que permite tramas mais densas e profundas e parece que é exatamente essa a proposta de "A Vida da Gente". Não há clichês. Não há previsibilidade. Não há vilões. O ser humano é apresentado na sua complexidade e na suas multifacetas. Não se pode dizer que Eva ou Vitória sejam vilãs. Apesar do comportamento obcecado das duas, elas são completamente críveis e não são más no sentido maniqueísta da palavra. A primeira tem adoração pela filha, e não comete atrocidades e assassinatos como a Tereza Cristina de "Fina Estampa". A segunda é uma treinadora mão-de-ferro, amarga, dura, mas que ao mesmo tempo condenou veementemente a atitude da atleta que tomou estimulantes antes de entrar em quadra. Não são conceitos morais que faltam às duas. São emocionais.

A trama central fala de amor, claro. Mas foge do lugar-comum ao ir além do quem-fica-com-quem. Manu, Ana e Rodrigo são personagens que têm profundidade e a autora usa de outros personagens para devassar a intimidade desse triângulo. O público sente-se como amigo e confidente dos personagens. A autora traz no texto, reflexões e pensamentos que levam o público a se identificar e compreender o que se passa com cada personagem. A autora ainda usa do cotidiano, das cenas mais comuns do dia a dia como pano de fundo nas suas cenas, o que faz lembrar os bons tempos de Manoel Carlos. Tudo com muita beleza e delicadeza. A direção de arte é outro show a parte. Figurinos, cenários, o filtro usado na câmera. Até a acertada escolha em fugir do eixo Rio-São Paulo e ambientar a novela em Porto Alegre e Gramado, duas cidades belíssimas e com paisagens que combinam perfeitamente com a certa dose de melancolia que a trama traz.

A novela traz Fernanda Vasconcelos em seu melhor momento na TV. Marjorie Estiano confirma o que se percebe dela desde muito tempo: É uma atriz pronta. O mesmo não se pode dizer de Rafael Cardoso, que ainda precisa de muito feijão-com-arroz. No mais o elenco é homogêneo. Gisele Fróes, Ana Beatriz Nogueira, Thiago Lacerda, Ângelo Antônio, Regiane Alves, Paulo Betti, Malu Gali estão seguros e dando show em cena. Gratificante é ver o trabalho de Nicette Bruno e Stênio Garcia sendo valorizado numa trama tão bonita.

A novela trouxe a grata surpresa que atende pelo nome de Maria Eduarda, atriz excelente que vem arrebentando num papel extremamente difícil. E ainda a pequena Jesuela Moro que foge do tatibitate comum às crianças da sua idade em novelas. Quem surpreendeu também positivamente foram Sthefany Brito, Daniela Escobar, Leona Cavalli e Júlia Almeida. Atrizes que sempre foram fraquinhas, mas conseguiram um resultado satisfatório na novela. Claro que nem tudo são flores. Rafael Almeida, Eriberto Leão e Francisco Cuoco continuam interpretando a si mesmos. E a novela sofre agora mais uma baixa com a entrada do infame Klebber Toledo. Mas, o que há de se fazer né?

A novela entra em sua reta final e já deixa saudade com uma das melhores produções da Globo nos últimos dez anos. Aliás, louvável essa postura da emissora em investir no horário das seis. Que assim seja com "Amor, eterno Amor" de Elizabeth Jhin que vem por aí.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dose de Grey's Anatomy


"As vezes você nem sabe que algo mudou. Acha que você é você, e sua vida ainda é sua vida, mas você acorda um dia e olha ao seu redor e não reconhece mais nada.. n a d a mesmo!" 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Esperou.

Insistira naquele encontro.

Não poderia ser no dia seguinte ou na semana que vem. Tinha que ser naquela terça feira. Passara o dia se preparando para aquela noite. Cortara o cabelo pela manhã com o barbeiro de sempre. Falaram sobre o final de ano, onde passariam o réveillon faltavam apenas dois dias para o fim de 2010. Se despediram com votos de um bom ano.
Nunca fora dado às compras, mas rendeu-se ao shopping. Uma camisa nova e um perfume diferente, valeria a pena. E um Cd novo de Lady Antebellum. A noite precisaria de uma trilha sonora especial.
Voltou caminhando e cantando pela rua... Passou no supermercado, comprou o que precisaria para um jantar de primeira. Já em casa, dera um jeito de limpar tudo, guardara as roupas que viviam na cadeira do computador, trocou o jogo de cama, as toalhas do banheiro, o jogo americano. Sempre achou cafona, mas comprara algumas velas e espalhou pelo apartamento. Deixou a sacada aberta e foi para o banho. Aproveitou cada minuto, fez a barba. Colocou a camisa azul que havia comprado e o perfume que tinha notas cítricas com um fundo amadeirado.
Olhou mais uma vez cada detalhe. Ligou a música. Sentou-se no sofá e esperou.
Esperou.
Esperou mais um pouco.
Esperou muito.

As velas se apagaram. O Cd acabou. O perfume passou. O jantar esfriou. A camisa amarrotou. 
Por volta de duas horas da manhã chegou um sms:

"Ele não vai. Tah aqui bebendo e com outra pessoa. Desculpa mas eu tinha que falar."

O celular desprendeu-se dentre os dedos e atingiu o chão como que em câmera lenta. Olhou à sua volta. A casa arrumada, o jantar, a roupa. O retrato que tinha colocado de volta no aparador.
Não parou a dor.


Abriu a porta, desceu as escadas e saiu errante pela rua. 




Nunca mais o vi.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Preciso

Preciso de tempo
Preciso de colo
Preciso emagrecer
Preciso de planejamento
Preciso procurar emprego
Preciso ir ao dentista
Preciso arrumar meu guarda-roupa
Preciso pagar a conta de internet
Preciso respirar mais
Preciso ir ao Rio
Preciso de uma tarde com Luciana
Preciso cortar o cabelo
Preciso de um abajur novo
Preciso pintar meu quarto
Preciso cantar mais
Preciso dormir mais
Preciso orar mais
Preciso daquele senso de humor de Tamires
Preciso ser mais paciente
Preciso de boas notícias
Preciso de aulas de dança
Preciso voltar a sonhar

Preciso lembrar todo dia de tudo o que eu preciso.

Porque desde que você se foi, só consigo pensar no quanto eu preciso de você.

Papo com o Tião

Oi Tião...


Será que é só comigo que essa sensação de estar à deriva vem em todo começo de ano? Sei lá, uma sensação meio que de sem saber pra onde ir com certeza. Aí eu vou andando devagar porque tem muita névoa por enquanto, sabe?
Tô precisando de uma sacudida, essa é que é a verdade... Não sei, começar uma atividade nova, dar uma limpa em algumas coisas. Não tem aquela sensação de que você tá carregando coisa demais? Não falo só de atividades, mas coisas mesmo. E pessoas. Principalmente pessoas.
É como se tivesse um monte de gente que não mexe um fio de cabelo pra torcer a favor sabe?  Que só sabe ficar vendo a minha vida e falando, falando, falando... Um bando de Expert em porra nenhuma, que têm sempre opinião formada sobre tudo. 
A verdade, Tião, é que eu ando de saco cheio de muita gente.


Ba 'noite


E desculpa o desabafo...




Tião é um travesseiro comprado na Leader Magazine que veio com um defeito de fábrica: Ele ouve. E até dá uns conselhos de vez em quando...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Alô - Por Verônica H.



"Eu tenho. Tenho um milhão de medos presos aqui nessa linha. Se você desligar, sua vida vai seguir. A minha vai ficar contida nesse aparelho eletrônico. Eu já sou contida de tantas maneiras... Na verdade eu só queria te dizer que por mais que o tempo passe, não consigo preencher meus buracos. Eu olho em volta e não procuro nada. Só porque eu sei que não há nada. Só porque eu sei que o nada que eu quero tá longe de mim. É tudo um enorme, frio e presente nada. Um vazio do tamanho da minha quase existência. Eu quase existo, sabia? Afinal, quem existe por inteiro? Eu não. Eu sou metade amada (porque ninguém me assume por inteiro); metade interessante (porque assusto quem eu quero aproximar e frustro os que ignoram minha muralha); metade culpada (porque ninguém tem obrigação de me amar de verdade quando eu crio bloqueios tristes e vazios). Se você quiser desligar, tudo bem. Eu só tava fazendo drama. Claro que eu vou sobreviver, né? Nunca precisei de uma ligação pra me manter inteira. Mas me diz, e você, tá bem?"


Mil Pedaços - Trecho Novo II


A DESILUDIDA – Às vezes faço planos. Às vezes quero ir pra algum país distante...
Voltar a ser feliz.
Já não sei dizer o que aconteceu. Se tudo que sonhei foi mesmo um sonho meu, se meu desejo então já se realizou. O que fazer depois... Pra onde é que eu vou...

O PLATÔNICO – Percebo agora que o teu sorriso vem diferente... Quase parecendo te ferir.
Não queria te ver assim. Quero a tua força como era antes... O que tens é só teu e de nada vale fugir e não sentir mais nada...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Jogo Vencido (?)

 Não que eu precise dizer isso. Mas sabe quando você sente que o tempo passou e ainda tem um resto de sentimento? Aquele resquício de saudade e esperança tola de que tudo pode voltar atrás e ser como antes? Uma porcentagem miníma que você nem considerava mais, mas ela ainda existe. E então você se agarra a essa  pseudo-possibilidade e quer alimentá-la a todo custo, é o que seu coração manda, ordena.


Mas então o cérebro resolve funcionar e te diz que insistir nessa história é dar murro em ponta de faca, é como embalar um bebê morto. Esse filme você já viu e conhece bem o final. Mas se o cérebro fala, o coração grita. E ficamos no meio dessa discussão entre razão e emoção, tentando não sucumbir e ao mesmo tempo manter a sanidade. Não é tarefa fácil.


Desapegar um pouquinho não é tão difícil. O duro é admitir o jogo vencido.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Virgínia Woolf



Querido,
Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que é a você que eu devo toda minha felicidade. Você foi bom para mim, como ninguém poderia ter sido. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade, sem igual. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais. Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos.V.


Mil Pedaços - Trecho Novo


A DESILUDIDA – Aprendi o que era certo com a pessoa errada. Nada era como eu imaginava. Nem as pessoas que eu tanto amava. Me ajuda se eu quiser, me faz o que eu pedir! Não faz o que eu fizer, mas não me deixe aqui... Ninguém me perguntou se eu estava pronta. E eu fiquei completamente tonta, procurando descobrir a verdade nos meios das mentiras da cidade.

O PLATÔNICO - Não esconda tristeza de mim. Todos se afastam quando o mundo está errado... Quando o que temos é um catálogo de erros, quando precisamos de carinho
Força e cuidado. Este é o livro das flores... Este é o livro do destino... Este é o livro de nossos dias... Este é o dia de nossos amores...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ser popular: Um erro.

Eu não sei o porquê, mas no início de 2011 eu encasquetei que deveria conhecer mais gente, ser mais popular, algo mais ou menos como ter a liberdade de entrar em todas as rodinhas que encontrava à noite. Teve o seu lado bom, acabei me soltando mais. Porém isso me trouxe tanta dor-de-cabeça...

Porque nem sempre os mais "populares" são as melhores pessoas, ou boas pessoas. Então eu elegi muita gente como sendo "legal" e "descolada", que na verdade não tinha nada a acrescentar na minha vida. E na verdade nem gosta de mim. Isso acabou me gerando uma série de situações tensas, mal estar e muita dor de cabeça. 

No final do ano, entendi que esse lance de ser popular não é pra mim: Sempre fui reservado, na minha, muitas vezes passando por antipático quando na verdade é timidez. Educado eu tenho a obrigação de ser com todos. Mas na minha vida, como meus amigos, como pessoas que têm alguma relevância pra mim, ah isso é para bem poucos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Eu e o Teatro - Dez anos de Decote.

O primeiro passo no palco. 


"Decote" era um espetáculo baseado na obra de Nelson Rodrigues, escrito pela Cia Atores de Laura. Oito quadros que terminavam sempre com uma morte. Quando entrei, era pra fazer apenas dois quadros: O Terceiro, em que um coro de vizinhos ia se horrorizando diante de uma situação de incesto, e o quarto, onde uma irmã convence a outra de que se morrer, ela ficará linda. Era um processo de tantas descobertas, tantos conhecimentos, novas experiências... Eu não tinha fala, fazia pouca coisa, mas esse pouco pra mim já era tanto...
Faltando 3 dias para a estreia, tivemos um grave problema e um dos atores precisou ser substituído. David veio nos socorrer e entrou em quase todos os papéis. Porém, tinham um no quinto quadro que eu queria muito fazer. E na maior cara-de-pau, pedi o papel. Aí eu ganhei fala, rs. 
Estreamos com o coração na mão. O ensaio geral durou até as quatro da manhã no Teatro de Bolso. Ao longo da temporada, fomos amadurecendo no espetáculo nos papéis recém distribuídos. "Decote" gerou bordões que ficaram entre nós por muito tempo. Alguns duram até hoje:
- Fica quieta, Sofia.
- Feeeeia!
- Vai dar um trabalho quando crescer...
- O Clécio não é homem! O Clécio é seu irmão!
- Ela matou a irmã para ficar com A seu mundo...


E já fazem dez anos que "Decote" estreou. Tivemos duas formações. A primeira tinha Tainá, Rafael, Sérgio, Decinho, Bruno Gimenez, Juju, Carol, Tia Tânia, Sunshine, Vívian, David, Amazona, Bruno Franco, Gláucia que substituiu Nathalinha no Festival e eu. A Segunda formação contou com a entrada de Ludmilla, Elias, Pedrinho, Tio Chico e Rodrigo. Além disso tinha a participação de Leon e os gêmeos Júlio César e Carlos Eduardo como maqueiros, mais tarde substituídos por Luís Felipe.


Foi um espetáculo muito importante dentro da história da Cia. Foi o divisor de águas. O conceito de núcleo de pesquisas foi gerado ali. O que a escola e a companhia são hoje, nada mais é do que fruto do trabalho iniciado em "Decote".


Viajamos, ganhamos festival, fizemos duas temporadas, ganhamos uma apresentação em Búzios numa pousada maneiríssima, e encerramos a temporada dando ao SESC o maior público que ele já viu aqui em Campos numa apresentação maravilhosa. Sinto saudades imensas desse espetáculo e muita vontade de fazer denovo... 



















Quem sabe um dia?

Voltando

Oi Gente...


To uns dias sem postar, mas precisava desse final de semana em off.
Pra recomeçar os trabalhos, uma tirinha da Mafalda, que eu adoro...