E esse medo que domina todo o meu corpo me faz ficar aqui, parado, em inércia. Vendo meus sonhos e expectativas ruírem em nome de algo que eu nem sei se é meu. O pânico que congela. Que me impede de avançar e correr.
De tudo que me assombra, essa solidão é o que mais causa horror, o que me tira a sanidade vez por outra. Acordar e dormir sem ter um ouvido pra esse grito preso. Eu só queria que alguém jogasse na minha cara que é tudo bobagem, que nada disso, nenhuma parte desse sofrimento todo é útil ou verdadeiro.
Então eu sigo cada vez mais cético no ser humano, nas pessoas em redor, pois quem diz que é diferente, é porque na verdade é pior do que todo mundo e tem medo disso. Eu na verdade devo ser diferente de todo mundo mesmo, mas pra pior. Eu misteriosamente descobri uma fórmula de invisibilidade que me faz passar incólume por todos os lugares por onde ando. Ninguém me nota. E quando nota fica indiferente. Eu só queria saber como conseguir um pouquinho de cor. Um pouco de vida. Um pouco de graça. Ser mais que um mero objeto na sala de espera.
Eu queria tanto voltar a acreditar, voltar a imaginar que depois desse terreno pedregoso vai vir uma estrada bonita com gerânios e girassóis. Mas o caminho a minha frente soa cada vez mais nebuloso e cinza. Sombrio.
Vou levando os dias porque não me resta alternativa.
Caminho todas as noites pra que meu corpo chegue à exaustão e não me deixe pensar quando deito. Porque nada do que eu penso é bonito. Nada mais que eu sinto tem cheiro agradável. Ficou só o odor putrefato de coisas mortas.
Foi outro aborto.
*Em italiano: aliviar ou dar vazão aos seus sentimentos; abrir o coração; desafogar-se; desabafar.
De tudo que me assombra, essa solidão é o que mais causa horror, o que me tira a sanidade vez por outra. Acordar e dormir sem ter um ouvido pra esse grito preso. Eu só queria que alguém jogasse na minha cara que é tudo bobagem, que nada disso, nenhuma parte desse sofrimento todo é útil ou verdadeiro.
Então eu sigo cada vez mais cético no ser humano, nas pessoas em redor, pois quem diz que é diferente, é porque na verdade é pior do que todo mundo e tem medo disso. Eu na verdade devo ser diferente de todo mundo mesmo, mas pra pior. Eu misteriosamente descobri uma fórmula de invisibilidade que me faz passar incólume por todos os lugares por onde ando. Ninguém me nota. E quando nota fica indiferente. Eu só queria saber como conseguir um pouquinho de cor. Um pouco de vida. Um pouco de graça. Ser mais que um mero objeto na sala de espera.
Eu queria tanto voltar a acreditar, voltar a imaginar que depois desse terreno pedregoso vai vir uma estrada bonita com gerânios e girassóis. Mas o caminho a minha frente soa cada vez mais nebuloso e cinza. Sombrio.
Vou levando os dias porque não me resta alternativa.
Caminho todas as noites pra que meu corpo chegue à exaustão e não me deixe pensar quando deito. Porque nada do que eu penso é bonito. Nada mais que eu sinto tem cheiro agradável. Ficou só o odor putrefato de coisas mortas.
Foi outro aborto.
*Em italiano: aliviar ou dar vazão aos seus sentimentos; abrir o coração; desafogar-se; desabafar.
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