terça-feira, 2 de outubro de 2012

Cheias de Charme - Balanço final.

A coisa de cinco anos atrás, a Globo percebeu que tinha algo errado em sua faixa de novelas. O horário das seis vivia de remakes. E o horário das sete patinava na audiência, tanto que Walcyr Carrasco nesse período quase que emendou um trabalho com o outro, pois suas tramas eram as únicas que conseguiam um resultado próximo do satisfatório. E às 21hs não se via muita perspectiva de mudança a curto prazo. Tirando as novelas de Glória Perez, nada parecia fisgar muito o telespectador, até a chegada de João Emanuel Carneiro  no horário com "A Favorita".

De lá pra cá, a emissora entendeu que era hora de se renovar, dando oportunidade a novos autores mostrarem o que têm pra dizer. Começou com a falecida Andrea Maltarolli, Elizabeth Jhin, Thelma Guedes e Duca Rachid e foi se estendendo a Lícia Manzo, Bosco Brasil, Filipe Miguez e Izabel de Oliveira. A bola da vez agora está com João Ximenes Braga e Cláudia Lage em "Lado a Lado", ás 18hs. No geral as experiências foram positivas, com exceção de "Tempos Modernos" do Bosco Brasil.

Mas dos três horários mencionados, a maior incógnita sempre foi o horário do meio. Ninguém sabia precisar com certeza o que o novo telespectador das 19h30 queria assistir. Novo sim, pois os costumes mudaram, leva-se mais tempo pra se chegar em casa nos grandes centro, é cada vez maior o número de pessoas fazendo faculdade a noite, etc. Então afinal de contas, o que uma novela das 19h teria que ter pra fisgar o espectador?

Cheias de Charme não reinventou a pólvora, mas mostrou caminhos possíveis. Primeiro, os autores são dois craques, veteranos em colaboração em outras obras. Filipe ainda escreveu peças para a Cia dos Atores. Criaram tipo inesquecíveis, marcantes, e isso é um ponto. Quem vai se esquecer que um dia houve uma vilã como Chayene? Um canastrão chamado Fabian? Um grupo chamado Empreguetes? Toda a estruturação da trama foi muito bem amarrada e fez com que o espectador pudesse acompanhar passo a passo, sem saltos ou furos de roteiro, a ascensão das três Marias para o estrelato. A novela trouxe humor e emoção na medida certa, tudo com um tom farsesco e debochado que remete às antigas novelas das sete, como Bebê a Bordo, Guerra dos Sexos, Quatro por Quatro, Que Rei sou Eu, etc. Toda a estética de conto de fadas, história em quadrinhos chamou a atenção de um público que a Globo decidiu abandonar pelas manhãs: o infantil. E ta aí Carrossel pra não deixar mentir: Tem criança em casa a noite sim, e elas estão doidinhas pra fugir da mesmice da TV a cabo.

Música e internet. A conexão da teledramaturgia com essas duas outras linguagens, também foi responsável pelo sucesso da trama. Foi um risco. E no final deu tudo mais do que certo. 

O elenco foi outra escolha acertadíssima. Ou alguém consegue imaginar outra atriz vivendo Chayene? Cláudia Abreu esteve estupenda durante toda a novela, inclusive na reta final, quando a trama mostrou sinal de desgaste, Cacau segurou boa parte da trama nas costas, com a boa surpresa Titina Medeiros e Luiz Henrique Nogueira. As três Marias, protagonistas vividas por Leandra Leal, Isabelle Drummond e Taís Araújo também estiveram seguras nos seus papéis, com destaque pra Taís, que soube dar a volta por cima da Helena de Viver a Vida, e fez de Maria da Penha a sua melhor atuação. Não dá pra não citar a estonteante Mallu Gali, que carregou a parte dramática da novela com brilhantismo. Outro acerto foi a família Sarmento, com excessão de Jonatas Faro e Gisele Batista, ainda fracos. Mas Alexandra Richter, Tato Gabus, Rodrigo Pandolfo, Simone Gutierrez, Dhu Moraes e Aracy Balabanian formaram o núcleo mais interessante da história.   Desde os maus-tratos a Cida até a derrocada financeira da família.

Marcos Palmeira, Humberto Carrão, Chandely Braz, Ilva Niño, Leopoldo Pacheco, Miguel Roncato, Tainá Muller, Marília Martins e Daniel Dantas também tiveram seus momentos de brilhar. Aliás foi outra característica da novela: Todos tiveram seu momento. Talvez tenha sido uma das boas lições que Izabel tenha aprendido nos seus anos de colaboradora de Manoel Carlos em suas melhores épocas: Durante a trama, dar espaço pra todos.

A novela já deixa saudade. Muito se comentou acerca de um spin-off ou uma série derivada. Bobagem. Os próprios autores não acreditam nisso. E é bom que seja assim. Que todos tenhamos ficado com esse gostinho de quero mais. Pela frente tem Guerra dos Sexos, do Silvio de Abreu e em seguida, Sangue Bom da Maria Adelaide Amaral. Dois craques. Sorte pra eles!



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