quinta-feira, 23 de junho de 2016

Fora dos padrões dos fora dos padrões

É difícil ser meu amigo

Porque não me encaixo muito bem em nenhum esterótipo. Nunca me encaixei. Até mesmo quando era crente (sim, rolou essa fase) não era um crente lá muito dentro do que eles consideram normal (e nem poderia né?). E querendo ou não, esterótipos existem em todos os lugares e guetos. Até mesmo nas minorias. 
Eu vejo as redes sociais e percebo mais claramente como não me encaixo bem, por exemplo, dentro do perfil padrão do gay "descolado". Não sei nada de música pop, acho tudo muito parecido, embora reconheça o talento de grandes vozes como Lady Gaga e Beyoncé (tenho um pouco de preguiça de música barulhenta, tô velho, assumo). Não vou pra academia (embora devesse). As séries que todo mundo vê, não me despertam o interesse. Não assisto RuPaul (embora ache o mundo drag fascinante). Gosto de música brasileira e antiga, vejo TV aberta e até gosto de assistir futebol de vez em quando. Faço o possível para ser sociável com as pessoas, embora seja tímido. Quer dizer, não sei se timidez é a palavra mais correta. Acho que é mais um desejo de não incomodar os outros que me impede de manter relações mais diretas. Não sou de comentar nos posts de todo mundo, curtir tudo o que as pessoas postam só pra parecer "entrosado". Odeio puxar saco.

Então eu nem posso reclamar muito de ter um círculo social pequeno, sabe. Mas eu gostaria mesmo que algumas pessoas ousassem mais romper essa muralha que as vezes parece estar diante de mim. Ela não existe. É névoa, é só tocar que desaparece. Eu garanto, chegar até mim de forma sincera e desarmada pode valer muito a pena.


terça-feira, 19 de maio de 2015

Aos 29

Nascer com o sol de todo dia
Em tempos escuros de nuvens pesadas
Desafio a quem me desafia
A estar de pé até qualquer madrugada

Sobreviver à salvação
Que nos empurram a cada esquina
Se perder na contramão
Da nossa imprecisa e gélida rotina

Então só nos resta saltar e voar
Sem garantias de que o pára quedas vai abrir
porque sobreviver a vida é apenas andar
para um lugar que não se sabe se quer ir

Preciso fazer contas
Mas ninguém me ensinou a somar horas fúteis
Afinal de contas
Experiências não gozadas são inúteis

Acordar do coma
Não parece boa ideia
Quando se tem medo da sua sombra
Quando se importa com a plateia

Então só nos resta saltar e voar
Sem garantias de que o pára quedas vai abrir
porque sobreviver a vida é apenas andar
para um lugar que não se sabe se quer ir

Acorde
A sorte
O norte
O corte
A morte
A mais forte


segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Quatro de janeiro de 2015

Perdeu-se naquele momento em que tudo estava em paz. Cada átomo do universo parecia estar em seu lugar.
E quis segurar nas mãos aquele momento, pois sabia bem que ele era único. Não ocorre com muita frequência durante o período de doze meses.
A paz tinha som de vento e cheiro de mar. Tinha sabor de cerveja e de beijo. Era azul. Era sol.
Esperamos sempre algo acontecer para que "tenhamos paz". Tolice.
Paz é quando nada acontece. Porque não precisa.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Semana intensa

Foi uma semana e tanto.
O casamento de Tainá tomou grande parte dos últimos dias, com os preparativos para as músicas.  Faziam pelo menos uns quatro anos que eu não cantava em um. E fazê-lo em um momento tão importante para uma pessoa tão querida,  foi incrível. Isso já seria emoção suficiente,  mas rever tanta gente que eu amo reunida foi algo indescritível. Uma linda viagem no tempo. Os anos se passaram, todos nós mudamos. Mas de alguma forma mágica, ainda somos os mesmos quando estamos juntos. Nem posso dizer que matei as saudades, porque nos momentos em que estive junto com Chico, Juliana, Gabriela, Ludmilla, Amazona, Tainá, Sunshine, Tête, Ignez e Tânia tive a sensação de que havíamos estado todos juntos no dia anterior. Rever este grupo junto me trouxe muita coisa boa. E de alguma forma, estar com eles me traz de volta à minha própria essência,  àquilo que eu realmente sou. Foi um dia memorável. Que estes encontros não demorem mais a acontecer.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Voltando... (denovo)

Ontem foi um dia de memórias, aliás todos estes preparativos para o casamento de Tainá estão me fazendo dar algumas viagens no tempo. Hoje, por consequência, acabei caindo aqui no blog e percebendo como eu deixei o hábito de escrever de lado. Talvez seja porque escrever deixou de ser apenas hobby para se tornar profissão. O fato é que quero muito voltar a postar aqui, com mais frequência, mesmo que ninguém leia. Certa vez caiu uma ficha que a gente só aprende a escrever, escrevendo. Então comecei a criar mil projetos de histórias, dramaturgias, romances, que muito provavelmente nunca serão lidos por outra pessoa, mas que foram importantes etapas de aprendizado. 
Muitas vezes me podo muito antes de postar algo, me censuro. Tentarei relaxar um pouco mais e escrever sobre coisas sérias, mas também sobre coisas banais, afinal a vida é feita de coisas simples também. 

Bem vindos de volta!

segunda-feira, 24 de março de 2014

A dor de Laura.

Minha amiga Laura perdeu o amor da sua vida.

Digo minha amiga sim, porque embora não fôssemos tão próximos, é assim que me sinto com relação a ela a partir de agora. É como se ela precisasse de todo o amor do mundo neste momento, e ainda assim, nem todo esse amor será capaz de aplacar um pouquinho que seja da sua dor. Ela está numa posição em qualquer um de nós pode estar a qualquer momento. O de alguém que, de uma hora para outra se vê sem um pedaço de si, uma parte que se leva muito tempo para encontrar. A dor de Laura é minha também, porque a pessoa que a gente ama, que a gente escolhe amar, não deveria nunca ser tirada de perto de nós. Ouvimos e vemos inúmeros casos de vidas que se perdem por nada todos os dias nos telejornais. Mas então a perda chega ao nosso amigo, à nossa casa. E nunca estamos preparados para tamanha crueldade. Tudo nos choca. Uma violência desmedida, a irracionalidade bestial de um ser de uma hora para a outra destrói planos de uma vida inteira.

Não se passa incólume por uma tragédia como essa. Nem ela, nem os pais, nem os amigos. Ninguém. Ontem ao sair para mais um ensaio, senti um medo gelado na espinha. Um sentimento desconhecido até então para mim. Inconscientemente, acredito que sempre me senti invulnerável. Ou talvez tivesse a sensação de que se algo de ruim me ocorresse, não teria tanta importância. Minha vida nem era tão legal assim. Mas isso foi antes, antes de eu me perder de amor, de me apaixonar de uma forma inédita, de sentir uma alegria tão plena que o mundo pára em um simples abraço. Então entendi que o medo que senti ontem veio daí. De ter a vida interrompida  no auge da felicidade, depois de tantos anos de vida morna. Assim como sinto o medo de que algo aconteça com a pessoa que amo.

Não há lições a serem tiradas aqui. Não há moral da história. Fica o vazio, a sensação de se estar vivendo em um mundo de videogame, onde a vida humana não vale absolutamente nada. O sentimento de que o game over parece estar cada da mais próximo de nós.

O clichê é inevitável: Não há palavras para confortar Laura. Não há gestos. Nem mesmo a justiça humana. Nada do que fizermos trará Felipe de volta e o sorriso do seu rosto. Só podemos sonhar com um mundo de mais amor, mais fé e menos violência. Só nos resta o sonho. Só me resta deixar meu pesar, minhas orações e meu coração apertado pela dor de Laura. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Quando a vida te faz leve

A cada noite, quando colocamos nossas cabeças no travesseiro, é difícil termos a humildade de reconhecer que tivemos um dia bom. Desses que não precisam de grandes eventos, mudanças repentinas ou surpresas gratas. Apenas mais um dia em que as coisas estão no lugar e seguindo o seu fluxo natural (ou o que a gente espera que seja natural). Não houve uma promoção no trabalho, nem a conclusão de um curso, muito menos o nascimento de um filho. Aparentemente é só mais um vinte e seis de fevereiro, como tantos outros que você já viveu. Mas não é. É um dia único. Onde o almoço não teve nada de diferente. Onde nenhuma novidade aparente surgiu. Mas será que isso não é motivo para gratidão?
Fomos ensinados a guardar comemorações. A só agradecer quando alguém nos faz algo de muito bom. O tempo todo somos bombardeados que estamos sempre precisando de "mais " alguma coisa. Mais dinheiro, mais amor, mais atenção, mais descanso, mais lazer, mais tesão, mais, mais, mais. Até onde esse "mais" vai?
A vida te faz leve quando você começa a se sentir agradecido pelos dias comuns. Quando o que você tem te faz feliz e te deixa com sorrisos espalhados por aí. Os dias comuns são repletos de motivos para agradecimento. Os beijos na boca, as conversas no bar, as gargalhadas das crianças, a conversa jogada fora na faculdade, o trabalho cumprido, os desabafos feitos, a família assistindo TV junta, a cama aconchegante, o sono profundo. Poderia passar dias enumerando os fatores que podem nos levar a gratidão. Gratidão a quem? Cada um acredita em alguma coisa diferente. Mas este é um sentimento que nos leva a lugares tão fantásticos, que todo mundo deveria experimentar. Não perca tempo.
Comece agora. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Grey's Anatomy: Review – [Season Premiere] 10ª temporada


Bom vamos lá, estamos reativando o blog. Foram meses muito agitados na minha vida, com faculdade, trabalho, teatro, namoro (xD). Decidi voltar falando de uma paixão minha: Grey's Anatomy entra em sua décima temporada e vou tentar fazer um review a cada episódio. Será um bom exercício para manter o blog ativo. Então vamos lá.

Esta Season Premiere começa exatamente onde a nona temporada nos deixou. Logo no início do episódio vemos uma Callie arrasada após a descoberta da traição de Arizona, Alex e Jo entusiasmados com o começo da relação, O clima estranho entre April e Jackson após a declaração da médica, Meredith e Derek curtindo o novo bebê, Bailey atrás de Webber, sem saber que ele está na sala das máquinas após sofrer um eletrochoque. A série volta mostrando fôlego e dando o tom do que deve ser esta décima temporada, que deve passar distante da anterior, que foi cinza e sombria com a questão dos traumas após a queda do avião, a venda do hospital, as mortes de Mark e Adele, o divórcio de Cristina, a amputação de Arizona. Nesta Season Premiere vimos a tempestade passar durante as duas horas de episódio. 
O hospital está caótico com a chegada de feridos da mega tempestade. A cena em que Callie revela a traição de Arizona para quase todo o elenco central foi ótima e o fato de Cristina, Meredith e Derek se envolverem na relação das duas parece um sinal de que Shonda Rhimes finalmente acordou para um fato importante: Os personagens centrais interagiam pouco entre si. A protagonista Meredith, após as saídas de George e Izzie,  ficou restrita a Derek, Cristina e Webber. Neste episódio, mesmo acamada ela interferiu em praticamente todos os núcleos, até mesmo o dos internos. Por falar neles, como não se emocionar com a partida precoce de Brooks? Como não morrer de ódio de Shane, afinal foi graças à ganância dele em ser o preferido de Sheperd, que nossa Heather foi de encontro ao Chief Webber e sofreu um choque violento e fatal. Em um ponto Shonda foi eficiente: Me fez gostar de todos os internos em dois episódios, coisa que não aconteceu em toda temporada anterior. Leah desponta como a minha preferida, de poucas palavras, com um certo humor negro, pode se tornar uma boa personagem. Stephanie finalmente acordou para a vida e mostrou bastante força, parecia outra personagem. Jo promete momentos engraçados com Alex nesta temporada e Shane vai ter um bom plot ao ter que lidar com a responsabilidade da morte de Brooks.
A relação de Callie e Arizona está estremecida. Nossa amada ortopedista já teve que lidar com traição antes, porém há algo novo aqui: ela agora está casada e há uma criança no meio disto tudo, o que promete gerar um bom arco para as duas, principalmente com o fato de que isso vai interferir em todos no hospital, como já adiantou Yang: "Nós somos amigas das duas", disse ela para Meredith. Nossa deusa da cardio promete uma temporada fantástica, já que é a sua despedida. O fim (definitivo) do relacionamento com Owen promete gerar boas histórias para ambos. Nunca conseguimos dissociar a imagem do McArmy de Yang, e a forma adulta e madura com que o casamento dos dois chegou ao fim, nos dá a sensação de que teremos coisas boas vindo daí.
Já sabemos que o plot de Mer e Derek será lidar com o fato de serem cirurgiões e pais de um bebê, algo novo para eles, já que Zola foi adotada com dois anos de idade. Como disse anteriormente, deverá ser uma temporada leve para os dois. 
Sinceramente, no começo fiquei sem entender nada da história de April e Jackson. Achei a reação dele coerente com o personagem e na minha cabeça fez todo sentido o que ele disse. Ele e Kepner tem uma história bonita de amizade, sobreviveram a um tiroteio, se envolveram. Estarão sempre ligados de alguma forma. Mas April sair correndo de volta para os braços do paramédico, me deixou com a pulga atrás da orelha: O que Shondanás pretende? Afinal, já se sabe que o ator que interpreta Matthew está em um piloto de uma nova série. Vamos aguardar. 
Jackson ganhou pontos comigo ao enfrentar a mãe. Catherine é uma mulher de personalidade forte, mas ultrapassou todos os limites ao gritar com Bailey daquela maneira. Aliás, aplausos para Chandra Wilson por sua bela atuação na cena em que Yang consegue salvar a vida de Richard no primeiro momento.

Grey's está de volta, meus caros. E parece que Shonda vai nos dar uma temporada e tanto. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Poeira

Os móveis estão sujos.
Porque não saíram do lugar. E ninguém entra há anos.
Três vidros trincados em seu peito
e o violão quebrado que não toca.
A madeira está podre. Por dentro.
E a infiltração derrama solidão no assoalho manchado.
Tem teias de aranha no sofá.
E ratos mortos na sopa do jantar.
As paredes vão ruir. As rachaduras partem a vida ao meio.
A vida de quem?
Dessa gente que vive de sobreviver. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Listas de aniversário

Todo mundo que me conhece sabe que eu acompanho Grey's Anatomy, uma série médica que já está indo para a sua décima temporada. Numa série de longa duração assim, é natural que haja alguma rotatividade no elenco: Alguns personagens saem e outros entram, às vezes aquele que eu mais gostava se vai, mas chegam outros que você aprende a gostar. 
Entendi que a vida também é assim. Ao começar a convidar as pessoas para o meu aniversário, percebi que muita gente que eu queria perto ano passado, por vários motivos hoje não têm motivo para se achegarem. E outras começaram a chegar perto. Não te parece incrível esse movimento da vida? Como numa grande teatro em que os atores se revezam no palco, e o roteiro segue solto, num espetáculo de improviso.
Por muito tempo eu lamentei as partidas. As via como perdas. Mas hoje eu me comovo com o rumo que meus amigos tomaram. Cresceram. Somos adultos e isso é tão bonito de ver. Me orgulho de cada um, mesmo que momentaneamente não estejamos próximos fisicamente, mas até mesmo nas séries, esses personagens reaparecem em episódios especiais (como a Addison, diva). 
E os novos chegam com tramas com bastante potencial. Ao que tudo indica, passaremos os próximos quatro anos juntos, até a colação de grau, no caso do núcleo da Universidade. Sabe que eu passei a amar essa dança das cadeiras? 
O fato é que as listas de aniversário são um bom termômetro para analisarmos e agradecermos pelas pessoas que temos perto. E por aquelas que precisaram se afastar fisicamente, mas estão lá, num lugarzinho quente e aconchegante do coração. 
Brindemos à coreografia da vida!


segunda-feira, 13 de maio de 2013

"Somos Tão Jovens" - Crítica

Thiago Mendonça NÃO é Renato Russo.


É louvável a iniciativa de se produzir um filme como esse. Levar a mensagem da Legião Urbana para essa garotada acostumada com “tche tcherere tche tche”, por si só já mereceria aplausos. Mas o que se viu na tela de “Somos Tão Jovens”, foi um retrato superficial e insosso da formação da cena punk-rock de Brasília. O longa-metragem de Antônio Carlos da Fontoura parece um daqueles filmes que a Globo ama passar no “Festival Nacional” no início de cada ano.

A história está ali. O problema é como ela é conduzida. O roteiro é mal-amarrado por ações que não se concluem sabe-se lá por quê. Quando alguma trama começa a entrar num clímax de emoção, a cena corta para outra história (Como no caso da ida de Petrus para o serviço militar ou a relação de Renato com Carlinhos). Não há momentos de perder o ar, de emoção, de entrega. É como se o avião pousasse assim que alça voo. Aliás, Sérgio Dalcin, o ator que faz Petrus é frágil demais. A escalação de Thiago Mendonça também não me parece das mais felizes. Nos seus papéis na TV, nunca conseguiu perder os trejeitos afeminados e Renato, definitivamente não era afeminado. Embora em alguns momentos (os de shows principalmente) Thiago até consiga reproduzir com bastante fidelidade os trejeitos de Renato Russo, na maior parte do tempo, sua interpretação é rasa e lembra qualquer coisa de Malhação ou peça de Ensino Fundamental. Falta a Thiago, a profundidade de Renato, a melancolia, o lirismo. O olhar. Aliás, não só a Thiago, mas o filme todo parece embrutecido e corrido demais. Não tem poesia. Ou melhor, reconheci dois momentos poéticos: A abertura ao som de violão, violas, violinos e violoncelos com “Tempo Perdido” e o momento em que a Legião toca “Ainda é Cedo”, dedicada para Aninha, vivida e defendida muito bem pela ótima Laila Zaid. Bianca Comparato, Marcos Breda, Sandra Corveloni e Bruno Torres estão muito bem em seus papéis. A participação de Edu Moraes como Herbert Vianna também é um ponto alto, esse sim, consegue chegar bem próximo do personagem real.

A intenção era mostrar a formação da Legião Urbana, passando pelo Aborto Elétrico e pelo período do Trovador Solitário de Renato. Como documentário não há nada de errado com o filme. Poderia passar para os meus alunos pra situar a banda no tempo e no espaço de Brasília no final do regime militar. Para conhecer alguns fatos da vida de Renato. Para apenas ouvir as músicas desse período tão rico para o rock nacional. Mas quem é fã da Legião e quem gosta de arte, sente falta de poesia, de melancolia, de beleza que as palavras de Renato traziam. Nada nele ou na Legião era superficial. O que mais faz falta em “Somos Tão Jovens” é uma visão mais artística da obra dessa banda que marcou gerações. Uma pena.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

AOS 27 ANOS: OS FRACASSOS EXTRAORDINÁRIOS

A má fama dos 27 anos é que todos estão observando os passos que damos. Algum passo em falso é um insulto a um suposto iminente sucesso, que vai macular a nossa entrada para a fase adulta.

Texto de Rejane Borges publicado em http://obviousmag.org/



Amy Winehouse morreu aos 27 anos, juntando-se à trupe dos que morreram com a mesma idade - por exemplo, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Brian Jones e Kurt Cobain. Uma circunstância que a mídia aproveita para santificá-los, salientando toda uma suposta mística que envolve a morte prematura de celebridades da música nesta precisa idade. Mas aponto aqui o verdadeiro problema dos 27 anos: a vida, não a morte. E este problema atinge não somente celebridades da música, mas todos os outros mortais.

Porque a vida aos 27 não é fácil. O problema é que ali residem as mais infaustas circunstâncias do final da juventude e começo da vida adulta. É a ponte na qual muitos de nós insistimos em olhar para baixo e arredar. Segundo alguns psicólogos, é uma das fases mais difíceis da vida.

Claro que teremos os mais otimistas a dizer que os 27 anos foram a melhor fase de suas vidas. E que não tiveram problema nenhum na passagem da juventude à fase adulta, que tudo correu muito bem, ostentando-a como uma particular era de ouro. Estes eu chamo de sortudos.

O seriado “Friends” foi, por exemplo, elaborado primeiramente para mostrar seis amigos que passariam pelos eventuais conflitos e infortúnios do começo da vida adulta, a partir dos 27 anos. Os produtores David Crane e Marta Kauffman afirmam que queriam salientar o momento da vida em que o futuro parece incerto e nos encara, implacável. E este momento é exatamente a fase na qual as responsabilidades crescem, assim como as exigências. A fase na qual todos ouvem o tic-tac dissoluto do relógio a fim de acompanhar nosso desespero, e desajeito, em colocar tudo nos eixos até os temidos 30.



Aos 27 é quando começa, de fato, a corrida para alcançar o sucesso, uma vez que a esta idade, geralmente, se está preparado para o competitivo mercado de trabalho. Além de, supostamente, ter maturidade o suficiente para assumir um compromisso que leva à obviedade e regra da vida: família e filhos. E ai de nós se chegarmos aos 30 sem tais resultados.

E é por essa pressão que começa por volta dos 27 anos – de tomar decisões, ir de encontro a desafios, dar a cara (e, por vezes, a dignidade) à tapa – é que muitos acabam fracassando. É também pelo excesso de confiança que faz acreditar que se tem e que se é. Aos 27, somos jovens o suficiente para agüentar o mundo inteiro nas costas. E velhos demais para não aceitar a responsabilidade desse peso. O fracasso mora dentro desses pensamentos.

Lembro-me como se fosse ontem: no dia exato do meu aniversário, eu estava dentro de um avião fazendo a ponte Nova York - São Paulo. Foram aproximadamente nove horas de um sentimento sufocante de fracasso. Explico: fui para ficar, não fiquei. Por variadas razões, a que não darei destaque, meus planos estavam voltando comigo. Eu tinha sentimentos rasgados e sentia o cheiro da poeira da velharia que eu carregava dentro de mim, como objetivos não cumpridos e promessas não cumpridas, que não seriam mais esquecidos. Portanto, meus 27 anos também foram trágicos e, o que é pior, já nas primeiras horas, cumprindo com categoria o grande clichê que acompanha a idade.

Ao meu lado, no avião, acompanhou-me um americano de Seattle. Em meio à conversa contei a ele que fazia aniversário. No que ele observou, com um olhar paternal: “Você não parece muito feliz para quem está com 27 anos”. Soltei um sorriso tímido e disse que tentaria. Ele respondeu: “Tente com mais vontade”.
E daí que eu nunca mais me esqueci de tudo o que aquele homem me disse com apenas uma frase que, para mim, é tão boa quanto a afirmação de Churchill: “O sucesso é saltar de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo".



O fracasso é um direito individual – pensei ao sair do avião. E ao olhar para os meus pais, que me esperavam no portão de desembarque, imaginei que eles se perguntavam por que diabos eu estava sorrindo. E eu estava sorrindo. Abraçaram-me, pegaram minha bagagem e me olharam como se soubessem exatamente como me sentia. E, depois de alguns momentos, meu pai disparou: “Querida, eu já tive 27 anos”. E o que ele quis dizer foi: “Querida, eu também já fracassei extraordinariamente”.



Logo, o problema que ronda os 27 é a vida. A vida que atrasa em nos ensinar como devemos fracassar numa fase em que o fracasso é quase uma regra. E o que é pior, é a vida que jamais nos ensina como devemos nos levantar de uma queda. Para aprender isso teremos que tropeçar e cair. E cair de novo e de novo e mais uma vez até que a nossa queda permita-nos levantar de modo teatral. E, cá entre nós, ninguém levanta de modo teatral aos 27. Nem com um pouco mais de entusiasmo. Aos 27 se cai de modo teatral, nada mais.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Sangue Bom - Crítica

Após os primeiros capítulos da novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari já dá pra perceber que a Globo quer tirar o cheiro de mofo que ficou no horário das sete após "Guerra dos Sexos". A novela se passa em São Paulo e já se mostrou solar e jovem, com os seis protagonistas com idades na casa dos 20. A característica do horário é o apelo ao humor e "Sangue Bom" já divertiu no primeiro capítulo com Giulia Gam reinando soberana e dando show na pele da atriz decadente Bárbara Ellen, uma mistura de Susana Vieira com Ana Maria Braga. Soltou frases impagáveis ao longo da semana como "Fui eu quem paguei seu DRT!", para o marido canastrão e "Parem de comer, quero todo mundo com cara de abatido", para os filhos na mesa do café da manhã no dia do velório do mesmo marido. Já dá pra sentir que ela fará misérias com a personagem.
Malu Mader vem encarnando uma garçonete pobre, e não compromete, embora ainda não tenha acertado no tom da personagem. Outra que precisa descer um pouco é Marisa Orth com sua Damáris, que lembra os trejeitos da Rita de "Toma lá dá cá" e de Úrsula Lane de "Bang Bang". Bruno Garcia, competente como sempre, faz uma boa dobradinha com a linda Letícia Sabatella, que embora seja excelente atriz, ainda parece não saber com certeza o que sua Verônica tem a dizer. Regiane Alves está ótima como a insegura Renata, que não sabe com certeza se quer mesmo se casar com o noivo vivido por Armando Babaioff, que aliás, parece finalmente ter um papel à altura do seu talento.
Ingrid Guimarães promete ser um ótimo ponto de humor com sua Tina. Pelas primeiras cenas da personagem, dá pra perceber que atriz está levando alguns improvisos para a trama, o que só tem acrescentado pontos positivos.
E chegamos ao elenco central que é irregular. Ponto positivo para Isabelle Drummond, Fernanda Vasconcelos e Humberto Carrão, que conseguiram fugir dos clichês da menina-moleque, a estudante boazinha e o órfão ressentido. Marcos Pigossi, Sophie Charlotte e Jayme Matarazzo ainda precisam fugir da chatice que ameaça os seus personagens, cada um de uma forma. Mas ainda falta muito chão pela frente e pode ser que eles consigam.
A trama em si, foca no mundo da fama, do poder e da necessidade de estar sempre no foco das atenções. Tudo isso faz contraponto com o "núcleo pobre" da trama. Coloco núcleo pobre entre aspas, porque na maioria dos casos, eles são mais bem de vida do que eu.
A trilha sonora por vezes incomoda com o excesso de gritos do Sambô, mas tem Agridoce, Ney Matogrosso e Monique Kessous para compensar. A abertura lembra muito as de Malhação em temporadas passadas, mas é bonita e mostra bem que é hora de trazer cor denovo ao horário das sete.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Keep Breathing


The storm is coming, but I don't mind.
People are dying, I close my blinds.

All that I know is I'm breathing now.

I want to change the world, instead I sleep.
I want to believe in more than you and me.

But all that I know is I'm breathing.
All I can do is keep breathing.
All we can do is keep breathing now.

All that I know is I'm breathing.
All I can do is keep breathing.
All we can do is keep breathing.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sutilezas

São elas que transformam as coisas na verdade. Pequenas coisas. Mínimas. Detalhes que passam desapercebidos pela maioria. Eu sempre fui dado às sutilezas. E isso é de alguma forma contraditório porque quase nunca consigo ser sutil, embora me encante quem o seja. As coisas leves. Ditas com os olhos ou com um simples tocar nas mãos do outro. Isso me fascina. Eu adoro quando chega aquele momento em que não tem mais nada a ser dito, aquela catarse em que o nó sobe à garganta e os olhos fazem questão de encerrar aquela cena após permitirem o abraço ter o seu momento de glória. Perceber o mundo através do quase invisível é um desafio sedutor e viciante e a beleza que acompanha cada novidade descoberta causa um torpor sem igual. Pense bem. Naquele momento em que só você percebeu o sorriso da criança ao olhar para a avó no supermercado. Nos minutos que você gastou olhando para o horizonte na última viagem de ônibus e percebeu um pôr do sol de cores diferentes de todas as que você já tinha visto. O barulho da chuva. As pessoas indo e vindo num calçadão, tão diferentes entre si e tão iguais no caminhar apressado.
Tudo isso me deixa perplexo. E os detalhes foram moldando meu caminho profissional. Escrever, ouvir histórias, atuar, cantar. E como eu disse lá em cima, para um bocado de coisa eu não tenho sutileza alguma. Mas estou tentando buscar dentro de mim algo que me faça administrar essa sensibilidade mais aguda que um si bemol. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

Resposta ao senhor Cláudio Botelho.



"ONTEM LI NO GLOBO algo que me deixou cabreiro. Uma matéria se referia a um sujeito como "um dos nomes mais representativos do teatro carioca", ou algo parecido com isso. Ora, eu vivo numa bolha, tá certo. Me desculpem, sou alienado, não sei qual é a música famosa do The Cure. Mas do meu negócio eu entendo. E o sujeito descrito na matéria como "mais representativo" (ou algo similar) é alguém do circuito alternativo. Mais que isso, é o alternativo do alternativo. Ora, vamos ser francos... No Brasil não existe teatro alternativo, isso é uma conversa mole. O que existe é um teatro feito para ninguém ir, ou quem vai são os amigos ou parentes, ou são outros "alternativos", ou alunos de escola de teatro, não é público, não pagam ingressos. Ponto. Isso aqui é o Brasil, não é o Brooklyn. Então quando o Globo anuncia que o sujeito é "um dos mais do teatro", sendo que nem a mãe dele deve achar isso, fico pensando se eu vivo mesmo numa bolha e enlouqueci de vez, please me receitem Haldol urgente... Ou então que um "release" é capaz de convencer alguém a publicar que - pra usar uma comparação bem direta e compreenísvel - "o Grande destaque do Carnaval do Rio neste ano foi a Escola de Samba Do Playground Do Edifício Balança Mais Não Cai." Beija Flor, Mangueira, Salgueiro: tudo pé-de-chinelo. O Balança é que veio com tudo. Ah, me poupe!"
Cláudio Botelho


Este cidadão, que há anos não cria quase nada, apenas reproduz, está falando de mim e de todos os que sobrevivem de teatro sem apoios e patrocínios gigantescos, quando diz que o Teatro Alternativo não existe. “No Brasil não existe teatro alternativo, isso é uma conversa mole. O que existe é um teatro feito para ninguém ir, ou quem vai são os amigos ou parentes, ou são outros "alternativos", ou alunos de escola de teatro, não é público, não pagam ingressos.” E as pesquisas dramatúrgicas e cênicas realizadas em Universidades e Escolas de teatro Brasil afora? É de uma ignorância e arrogância sem limite esse tipo de opinião. Já assisti espetáculos da dupla Moeller e Botelho e há qualidades sim. A parte técnica sempre impressiona: iluminação caprichada, cenários e figurinos de impressionar, belos arranjos nas músicas. Mas e o trabalho de ator? Deixa muitas vezes a desejar. O de direção então nem se fala. E a inovação? A pesquisa? A emoção? A plateia saindo tocada e emocionada? Ou incomodada mesmo? Não existe.

Quando ele sobe nesse pedestal e vocifera e cospe “pra baixo”, é como se ele fosse o supra-sumo da qualidade e nada mais existisse de bom sendo produzido. Será uma amargura porque eles NUNCA estão entre os indicados aos prêmios de teatro? Doutores, estudiosos e críticos em arte, afirmam que todas as mudanças e novas possibilidades para os caminhos do teatro contemporâneo surgem do chamado Teatro Alternativo. Esse mesmo teatro que ele diz que ninguém assiste, já que “amigos e parentes não são público” (será que ele tem plateias de inimigos? Deus me livre!). Justamente por não ter a pressão de ser apenas um produto comercial, é que se permite a experimentação, o novo, o desconhecido. Permite-se não abrir exceções para o lugar-comum, o riso fácil. Dá-se tempo para o ator vivenciar aquilo que está encenando e não apenas decorar marcas e falas porque a estreia é daqui a dois meses e os diretores já têm mais 5 espetáculos sob encomenda.
A fala deste cidadão é um desrespeito com todos os grandes autores, diretores, atores e profissionais que lutam pra fazer uma arte que vá além de apenas lotar um teatro. Baile funk vive cheio. Zorra Total tem audiência cativa. E cá entre nós, nem todos os espetáculos do senhor Botelho lotam, principalmente em São Paulo. Os números em si, não são sinônimos de qualidade. Claro que todo mundo deseja mostrar o seu trabalho para o maior número de pessoas e acredite; quem vive e sobrevive com o chamado teatro alternativo trabalha muito por isso.
Senhor Botelho: Saia da sua redoma de vidro, estude um pouco mais, conheça novos ares. Teatro não se resume a uma cópia de Broadway. Tem muita gente, mas muuuuita gente que dá um duro danado estudando e trabalhando pra que novos horizontes se abram e para que o Teatro não se transforme numa TV ao vivo.

quinta-feira, 4 de abril de 2013


Todo mundo sabe que eu cresci dentro de um contexto cristão evangélico e posso afirmar com toda a certeza que todos os valores morais e éticos que aprendi têm dois responsáveis diretos: a minha família e a igreja que freqüentei desde pirralho. Sempre tive e tenho até hoje na figura do pastor Silas Quirino de Carvalho, o maior referencial de honestidade, ética, transparência e moral que tive na vida. Não apenas pelo que o ouvia falar desde os meus seis anos de idade. Mas por todas as atitudes, decisões que o vi tomar ao longo dos anos nas mais diversas e adversas situações. É um homem que eu respeito e admiro muito, além do carinho que tenho por ele e por sua família. Assim como ele, durante os anos na igreja vi muitos homens e mulheres admiráveis pela sincera busca de Deus, de algo maior, de vida íntegra e justa diante daquilo que crêem. Porém, dentro do contexto da igreja evangélica, como em qualquer lugar do mundo, qualquer religião, trabalho, escola, segmento da sociedade, existem os lobos em pele de cordeiro, aqueles que se aproveitam da boa fé das pessoas. E por ter passado tantos anos dentro da igreja, após tanto ensinamento, depois de tanto ter convivido com pessoas sérias, fica muito fácil identificar os falsos profetas de hoje. E esses têm nome e sobrenome: Valdemiro Santiago, Edir Macedo, R.R Soares, Silas Malafaia e milhares de outros que de forma sórdida, usam o nome de Deus e a fé alheia para encherem os próprios bolsos. Tenho a certeza que dentre o “rebanho” destes, existem pessoas de boa índole, de caráter, mas que contudo, não conseguem enxergar quem são seus líderes.
Não preciso me retratar aqui com o velho discurso de “eu respeito a religião de todos, etc...”. O que eu respeito é a fé de cada um, a crença (ou não-crença) que cada indivíduo carrega consigo. Tenho muitos amigos, e amigos mesmo no sentido amplo da palavra que são evangélicos e são pessoas extraordinárias, gente que eu amo de paixão. Eu creio em Deus, creio em Jesus, essa é sim a minha fé. E essa mesma fé não me impede de ser cidadão pensante, não me torna cego diante das imensas quadrilhas disfarçadas de igrejas que têm se multiplicado em nossos dias. Não posso compactuar com esse nojo.

Era só isso que eu queria deixar claro.

terça-feira, 26 de março de 2013

Essas Mulheres...


Neste mês, comemoramos o dia Internacional da Mulher. Eu conversei com três representantes do sexo feminino que têm uma coisa em comum: todas se consideram pessoas bem-sucedidas naquilo que fazem, porque fazem com amor. A empresária Raquel Silveira, a coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Redentor, Shirley Rangel, e a diretora do Centro de Artes Madeleine Rosay e presidente da CESDA (Clélia Serrano Dança e Arte), Clélia Serrano.




Raquel Silveira – Empresária

A empresária Raquel Silveira se formou em Direito, mas há 22 anos escolheu trabalhar com cosméticos e como ela mesma diz, foi onde se encontrou e se apaixonou. Hoje, ela trabalha com a Racco na região. Dentro desse mercado, ela conseguiu desenvolver outro trabalho do qual se orgulha bastante: Treinar pessoas: “Eu não apenas vendo o produto, mas treino as pessoas para terem condições de brigar no mercado de trabalho. Na verdade, eu me encantei muito mais com essa possibilidade de permitir que as pessoas se coloquem de forma mais agressiva no mercado, do que com a venda do produto propriamente dita.”
90% das pessoas que trabalham com Raquel são mulheres. E por isso mesmo ela diz que é preciso dosar firmeza e sensibilidade: “O tempo todo. A gente precisa ter números, mas precisa de carinho também. Se colocar no lugar do outro.”
O que mudou no perfil da revendedora de cosméticos hoje? Raquel afirma que a mudança veio no conhecimento do produto. “Hoje ninguém quer vender um produto por vender. As mulheres querem saber de que empresas estão falando, como é o produto e por aí vai.”, conta Raquel. Por fim, ela diz por que se considera uma mulher bem-sucedida: “Primeiro, porque eu amo o que eu faço. E segundo, porque através do meu trabalho eu consigo contagiar as pessoas e mudar a realidade delas.”




Shirley Rangel – Coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Redentor e assessora da direção da Unidade Campos.

Shirley Rangel atua em dois segmentos importantes da sociedade: Educação e Saúde. Ela é coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Redentor e faz uma bonita analogia entre as duas áreas: “Eu cuido de um livro como eu cuido de uma pessoa. As pessoas têm marcas, a gente leva cicatrizes. E o livro também. O livro que está íntegro na estante, sem uma página amassadinha, ele não exerceu a função que tinha que exercer.” Shirley conversou com o Mania de Saúde sobre educação e contou por que valoriza o professor primário: “É um herói. Forma o cidadão desde pequeno e não é reconhecido. E esse papel é basicamente exercido por mulheres.” Ela diz também que a atuação do professor de Ensino Médio é importantíssima, porque é quem forma os cidadãos. “Eu não formo cidadãos. Eu estou formando universitários que já são cidadãos. Eles já chegam à Universidade com uma história. E essa base precisa ser reconhecida.”, afirma. Com a projeção de crescimento do Brasil maior do que a de outras economias mais consolidadas, Shirley destaca também a importância do Ensino Técnico: “A gente não vai conseguir ter um bom desenvolvimento se não tiver bons profissionais. Não adianta só formar. É preciso formar com qualidade. E acima de tudo, pra ser bem-sucedido, tem que ter humildade. Saber que é preciso aprender a cada dia.”




Clélia Serrano – Diretora do Centro de Artes Madeleine Rosay e presidente da CESDA (Clélia Serrano Dança e Arte), que administra o Corpo de Baile do Trianon.

Clélia Serrano formou-se aos 13 anos, na Escola de Dança do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde atuou no Corpo de Baile e como solista. Teve professores de renome, entre eles, Madeleine Rosay, que dá nome ao Centro de Artes que dirige. Recentemente, através da Oscip Clélia Serrano Dança e Arte, passou a dirigir também o corpo de baile do Teatro Municipal Trianon.
Em conversa com o Mania de Saúde, Clélia analisa que tanto hoje, quanto na época em que começou a carreira, existem dificuldades distintas para o artista iniciante: “Hoje o que mais dificulta é a falta de incentivo cultural.Tem muito bailarino, e pouco lugar para se trabalhar.” Para Clélia, a disciplina é fator fundamental na formação do artista. E aliar a delicadeza do balé com a firmeza de quem está à frente de um espetáculo não é tarefa das mais fáceis. “Eu brigo muito. Nesta época de espetáculo não se pode ter papas na língua. Aí fica todo mundo brigado comigo, chateado, mas depois que acontece o espetáculo todo mundo é só elogios. Tem que ter a firmeza. Quando eu brigo, eles sabem que é para o bem. E eu sei que eles gostam de mim”, conta. Clélia finaliza dando uma dica para ser bem-sucedido: “Fazer o que gosta. E com amor. Não é gostar porque dá dinheiro. É amar o que faz. E é por isso que eu me considero uma mulher bem-sucedida”.



Matéria publicada no Mania de Saúde, edição de março

segunda-feira, 25 de março de 2013

O grande Teatro de Bolso











No dia 27 de março, comemora-se o Dia Internacional do Teatro, e a data serve para lembrar a importância de um dos espaços mais queridos pelos artistas de Campos: O Teatro de Bolso Procópio Ferreira.
Situado na Avenida XV de Novembro, s/nº, o teatro foi inaugurado em abril de 1968, e tem esse nome por ser um espaço de pequeno porte, onde a pequena plateia fica bem próxima ao palco. Com capacidade para receber até 162 pessoas, o Teatro de Bolso é parte importante da história artística do município, sendo o berço de estreia de grande parte dos artistas da cidade, como da atriz Katiana Rodrigues: "O TB foi o primeiro teatro onde me apresentei, com a peça ‘Estória da Moça Preguiçosa’. A direção era de Pedro Carneiro, e a personagem principal, Rosangela Queiroz. Nesse trabalho, fiz amigos que até hoje estão ao meu lado", conta Katiana.
A atriz e diretora Tânia Pessanha também tem uma relação de afeto com o TB: "Acho que todos ou quase todos têm uma relação de afeto e gratidão com esse Teatro. Foi durante muito tempo nosso único espaço." Tânia ainda salienta as mudanças que o espaço sofreu ao longo dos anos: "No espaço físico, algumas modificações foram feitas. Melhoramentos técnicos, camarins bem montados. Na ‘vida’ do teatro, acho que também houve mudanças, mas não foi para melhor. Percebo que o TB ficou sem o movimento artístico que pode ter. Acho que nós, artistas de Campos, precisamos ocupar mais o espaço, que é maravilhoso, para que ele volte a ter vida artística em abundância como já teve."
O Presidente da Fundação Teatro Municipal Trianon, João Vicente Alvarenga, também tem uma relação pessoal com o local, que foi onde ele começou a vida pública e já apresentou mais de 30 espetáculos. "O Teatro de Bolso é essa incubadora cultural, espaço de criação, de transformação, de reflexão, de vivências e trocas de experiências. Essa foi a receita de minha geração, que contou com um fato histórico muito importante, a Ditadura Militar, que restringiu liberdades e direitos políticos. Isso foi muito bom, porque nos fez sonhar com a possibilidade de outra dimensão, de um mundo melhor", conta João Vicente, que incentiva a revitalização do espaço: "Temos que recuperar essa sua função junto à classe teatral. O TB deverá ser um espaço permitido para o sonho compromissado com o trabalho e a criação. Os grupos devem procurar o Diretor, Sr. Adeilson Trindade, para agendar seus ensaios e reuniões."

Vou começar a postar aqui no blog, algumas das matérias que escrevi para o Mania de Saúde. A primeira foi, por consequência, o primeiro texto que produzi para o jornal.

terça-feira, 12 de março de 2013

Flor do Caribe - Crítica

Walther Negrão é um dos autores mais antigos em atividade. Acho que mais antigo que ele só o Lauro César Muniz. Está há 30 anos escrevendo novelas para o horário das 18hs e 19hs. Algumas de sucesso com Tropicaliente, Top Model, Fera Radical, Chega Mais e Era uma vez. Ontem, Negrão estreou seu mais novo trabalho: Flor do Caribe, com Grazi Massafera, Henri Castelli e Igor Rickli nos papéis principais, o que aparentemente já é uma desvantagem se considerarmos que tínhamos Marjorie Estiano, Camila Pitanga, Lázaro Ramos e Thiago Fragoso como protagonistas da trama anterior, estes, excelentes atores.

Flor do Caribe já se mostra como um retorno ao novelão típico do horário. Após uma sequência de tramas com ares de inovação (Cordel Encantado, A Vida da Gente, Amor Eterno Amor e Lado a Lado), podemos esperar um folhetim tradicional, como já mostrou este primeiro capítulo. Um casal apaixonado que será ameaçado pelo vilão rico que se faz de amigo. E aí, se tanto reclamamos da repetição de Glória Perez em suas tramas, é bom lembrar que esse mote já foi usado em outras tramas de Negrão como Tropicaliente, Como Uma Onda e Desejo Proibido. Este primeiro capítulo foi todo focado nos protagonistas e apresentou de forma clara o conflito que deve permear toda a trama: O desejo de Alberto separar Cassiano e Ester. Ainda não fomos apresentados a todo o elenco, mas já é possível comemorar as presenças de Bete Mendes, Juca de Oliveira, Angela Vieira, Sérgio Mamberti, Cacá Amaral e a grande Laura Cardoso. O trio de protagonistas, me parece fraco e pouco carismático. Embora Grazi já mostre uma boa evolução com relação a seus trabalhos anteriores, Henri e Igor ainda não disseram a que vieram. E sinto que teremos uma sensação de dejávu com a repetição de tantos atores de Avenida Brasil em cena: Débora Nascimento, José Loreto, Bruno Gissoni, Juca de Oliveira, Ailton Graça e Thiago Martins.

A fotografia é belíssima e deixa a trama com um ar leve e solar, fazendo um contraponto à antecessora Lado a Lado, que eu achava escura demais no início. Deu muita vontade de conhecer as praias do Rio Grande do Norte. A direção está caprichada, assim como cenários e figurinos, e de certa forma não se espera algo diferente dentro do padrão Globo, que tem buscado investir pesado no horário das 18hs. A trilha sonora está de muito bom gosto com nomes como Marcelo Jeneci, O Teatro Mágico, Isabela Taviani, Alceu valença, Elba Ramalho entre outros. O texto soou algumas vezes clichê, principalmente nas cenas apaixonadas do casal central. Mas revendo essas cenas eu acabei me perguntando: Quem não é clichê quando está apaixonado? Não sei vocês, mas eu sou. Como já falei, ainda vimos pouquíssimo das tramas paralelas, que são de importância vital para o andamento da trama e muitas vezes superam o núcleo central. Acredito que podemos ter boas surpresas vindo daí.

Resumo da ópera: A novela não trouxe nada de novo. É uma história que já foi contada, mas diferentemente do que ocorre com Glória Perez, Negrão sabe dar outras cores e temperos na sua receita. Não acredito que vai ser um mega sucesso de público e crítica (como foi Cordel Encantado), mas acho que pode ser um folhetim agradável e de entretenimento despretensioso. Não será especiaria, mas quem sabe, um feijão com arroz bem saboroso.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Dias nublados


"Não tenho pressa. Saio do café. Quem, como eu, tanto andou por essas ruas antes dessas ruas serem essas ruas? Sim, tenho-os comigo o quanto estou só. Escuto-os na sala a tagarelar, o hálito alegre da fala sobre nada. Fico melancólico nessa época do ano. Ouço os pingos na lata dos carros estacionados. A chuva, o frio, o mofo não me deixam lembrar direito. Um único dia de sol e tudo estará cegado novamente. Fui crescendo, a neblina e a geada a se infiltrarem em minha pele, no coração só superfície, coração sem fundo. Não há nitidez, nada é uma certeza. Nem bem me dou conta, estou trazendo o inverno dentro dos tímpanos. Sou mais cansado que um velho. Não se pode reter para sempre os instantes. Que passem. Plenitude é o que vai, some. No agora, esqueço. E esquecer talvez seja o jeito humano de guardar. Não quero reter os momentos de felicidade, como alguém que pretendesse o raro de si mesmo. A infelicidade me atravesse, não como eu fosse um túnel, mas lama que não admite modelação. Me atravesse, não suportaria encarcerá-la. A vida acontece conforme o errar se sucede, não como preferimos. Amanhece, abrimos os olhos. É dia. E os olhos abertos, lanternas a procurar na escuridão. O tempo passa para que as pessoas amadureçam, tornem-se melhores? Se você envelhece com pesares e lamentos, destrói cada uma das coisas que um dia amou? É preciso abandonar e ir em frente, ou a maneira mais ineficientemente tola de abjurar o passado seja o insistir na evitação de que a vida não nos fará esquecer sem que sejamos esquecidos. Perambulo, zumbi no centro."


POR LUIZ FELIPE LEPREVOST

Não pense.


Desligue o pensamento por um minuto.
E apenas sinta.

Sinta o agora que está em você.
A alegria. A paz. A dor. O medo. O amor. A raiva. O Tédio. O sono. O vigor. O otimismo. O lamento. A risada.

Sinta

Estamos num mundo onde sentir é quase uma ofensa. Onde é preciso pensar o tempo todo em alguma coisa, antes de tomar uma decisão.

Estamos com a intuição enferrujada.
E o medo toma conta.
Um excesso de prudência feio e grande.

Se jogue.
Arrisque.
Pule, mergulhe, voe, corra, salte, bata, ande, cante, dance.

Vá.

A vida é agora.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Dois minutos

Os passos eram lentos. Havia um peso de dez trens nos seus ombros. Os olhos passeavam pelo corredor e quando finalmente chegou na porta do quarto de Ricardo, ela estanca. Se lembrou da última vez que tinha entrado naquele quarto, há dois anos atrás, quando ele ainda estava prestando vestibular. Pensa se realmente precisa fazer isso. Se não pode deixar pra outra pessoa. Por dois segundos ela vacila. Mas ela sabe que tem que entrar.

Com muita dificuldade Heloísa vence a dor e entra no quarto do filho. Aquele cômodo tinha se tornado território proibido para ela, domínio exclusivo de Ricardo, onde nem a empregada Rute podia entrar. As roupas lavadas e passadas eram deixadas num cabideiro no corredor e as sujas, num cesto no banheiro. Inclusive as roupas de cama. Havia dois anos que ele mesmo limpava o próprio quarto. Heloísa não via problema nisso, "adolescência é assim mesmo", conformava-se o seu ex-marido, pai de Ricardo. Ela imaginava fotos de mulheres nuas na parede do quarto do filho, e que ele ficaria com vergonha se ela as visse. Nunca tivera curiosidade em confirmar suas hipóteses.

Agora ela se sente ridícula com a sua própria ingenuidade.
Agora ela não sabe mais quem era o rapaz que morava ali, debaixo daquele teto.
Agora ela não sabe mais nada.

Agora ela estava ali, no lugar que era só dele, tentando entender como tudo tinha acontecido. A cama estava desarrumada, seguindo o padrão de todo o quarto. Nada ali lembrava o menino que estampava a maior parte dos porta-retratos da casa. As roupas estavam espalhadas pelos móveis. Os cds estavam espalhados pelo chão, que agora era molhado pelas lágrimas discretas que caíam quase em câmera lenta do rosto de Heloísa.

Na mesa do computador, dois boletos da faculdade
e são dois meses de atraso
e já fazem dois dias que Ricardo não está mais lá
e são só dois minutos que Heloísa suporta ficar ali.

Também em dois minutos, Ricardo e mais quatro amigos espancaram um homossexual até a morte.

No jornal da noite, a empregada Rute vê o repórter dizendo que o pedido de habeas corpus de Ricardo fora negado. Rute não sabia direito o que era habeas corpus, mas entendeu que o menino que a ignorou por 15 anos dentro daquele lar iria continuar preso. Rute só achou estranho quando a apresentadora se referiu aos assassinos do homossexual como "Grupo de jovens de Botafogo" e em uma outra notícia sobre roubo de carros no bloco seguinte, a mesma apresentadora falou em "Marginais da Baixada."

terça-feira, 5 de março de 2013

Di Vasca: Direitos iguais (Vale a pena ler)

Di Vasca: Direitos iguais: De: Marcos Roberto Enviada em: segunda -feira ,19 de maio de 2008 13:49 P ara: Luis Di Vasca Assunto: Logo pra camiseta Oi , Entrei...