Insistira naquele encontro.
Não poderia ser no dia seguinte ou na semana que vem. Tinha que ser naquela terça feira. Passara o dia se preparando para aquela noite. Cortara o cabelo pela manhã com o barbeiro de sempre. Falaram sobre o final de ano, onde passariam o réveillon faltavam apenas dois dias para o fim de 2010. Se despediram com votos de um bom ano.
Nunca fora dado às compras, mas rendeu-se ao shopping. Uma camisa nova e um perfume diferente, valeria a pena. E um Cd novo de Lady Antebellum. A noite precisaria de uma trilha sonora especial.
Voltou caminhando e cantando pela rua... Passou no supermercado, comprou o que precisaria para um jantar de primeira. Já em casa, dera um jeito de limpar tudo, guardara as roupas que viviam na cadeira do computador, trocou o jogo de cama, as toalhas do banheiro, o jogo americano. Sempre achou cafona, mas comprara algumas velas e espalhou pelo apartamento. Deixou a sacada aberta e foi para o banho. Aproveitou cada minuto, fez a barba. Colocou a camisa azul que havia comprado e o perfume que tinha notas cítricas com um fundo amadeirado.
Olhou mais uma vez cada detalhe. Ligou a música. Sentou-se no sofá e esperou.
Esperou.
Esperou mais um pouco.
Esperou muito.
As velas se apagaram. O Cd acabou. O perfume passou. O jantar esfriou. A camisa amarrotou.
Por volta de duas horas da manhã chegou um sms:
"Ele não vai. Tah aqui bebendo e com outra pessoa. Desculpa mas eu tinha que falar."
O celular desprendeu-se dentre os dedos e atingiu o chão como que em câmera lenta. Olhou à sua volta. A casa arrumada, o jantar, a roupa. O retrato que tinha colocado de volta no aparador.
Não parou a dor.
Abriu a porta, desceu as escadas e saiu errante pela rua.
Não parou a dor.
Abriu a porta, desceu as escadas e saiu errante pela rua.
Nunca mais o vi.
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