terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Por que escrevo.

Escrevo porque preciso. Não é um luxo. Não é hobby. Trata-se de uma necessidade tão (ou mais) orgânica do que água, comida, ar. Escrevo porque as palavras saltam dessa vastidão pulsante que é o coração e desse isondável brincante cerébro. Escrevo quando me me falta chão, quando a dor me cala e me esgana o choro. Escrevo nas tardes de verão, quando as crianças abraçam o mundo com a grandeza que têm, quando os velhos sorriem o riso mais sábio, quando os jovens dançam com a urgência de que precisam salvar a própria vida (e precisam mesmo!). 
Escrevo porque é terça-feira. Escrevo os sonhos, os medos, os desejos, os amores, os ódios e as mágoas. Escrevo nos dias de nascimento e nos funerais. Quando é noite ou quando é dia, escrevo. Escrevo pra ser lembrado um dia, mesmo que meu rosto desapareça e que meu corpo pereça, minhas palavras estarão aqui como testemunha fiel, prova cabal de que eu existi nesse mundo, muito embora as vezes até eu mesmo o duvide. Escrevo para mim mesmo, pra que eu não deixe de saber quem eu fui no minuto tal, do dia tal. O que eu senti, como, o porquê. Escrevo porque a vida é bonita demais pra não ser eternizada em palavras. Escrevo em manhãs de primavera, noites de outono e madrugadas de inverno. Nos temporais. Nas luas cheias. Nos dias cinzas. 
Escrevo porque cada parte de mim é letra, é palavra. E oração.
Escrevo porque só sei ser escrevendo. 


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