Aquela chuva. Aquela cor de céu. Aquela música no fone de ouvido. Era um dia qualquer de um mês qualquer e não havia nada demais. Nada. Só a chuva, o céu e a música. Entrara no ônibus de sempre e sentara-se no lugar de sempre, da maneira de sempre: A cabeça recostada sobre o vidro da janela, com o corpo ocupando meio que os dois assentos. E não esperava nada daqueles quilômetros, daquele percurso que conhecia tão bem. Na verdade não esperava muita coisa de nada ultimamente. Ele apenas ia sobrevivendo ao dias sem se interessar por algo. Mas gostava da chuva. Gostava daquela cor de céu. E daquela música em tons menores, cantada com voz grave, sem exageros, sem gritos. Como verde pradaria de planície, sem arroubos de relevo, sem cores vibrantes. Mas mesmo na mais verde das pradarias pode-se nascer amores-perfeitos.
Os olhos.
Quando viu, os olhos subiram no ônibus.
Um par de olhos grandes, castanhos, de profundidade assustadora. E então de repente a chuva, o céu e a música eram coadjuvantes daquele olhar que sem pedir permissão o tomou, o invadiu, o alterou e o deixou tão desarmado que foi difícil entender o que estava acontecendo. Seguiu-o. O par de olhos sentou-se do outro lado do corredor, na janela oposta. Da mesma forma displicente que ele costuma se sentar. Ele não conseguia ver outra coisa e foi se perdendo naquela imensidão visual melancólica que já estava perdida, contemplando a chuva. E ele então percebeu que o dono daquele olhar tinha corpo, belo corpo. Mas o oceano que havia naquelas retinas o convidavam para voltar e mergulhar naqueles olhos. Mais do que isso. Era como o canto das sereias que seduzem o pescador. Era inevitável. Era impossível.
Quando viu, os olhos subiram no ônibus.
Um par de olhos grandes, castanhos, de profundidade assustadora. E então de repente a chuva, o céu e a música eram coadjuvantes daquele olhar que sem pedir permissão o tomou, o invadiu, o alterou e o deixou tão desarmado que foi difícil entender o que estava acontecendo. Seguiu-o. O par de olhos sentou-se do outro lado do corredor, na janela oposta. Da mesma forma displicente que ele costuma se sentar. Ele não conseguia ver outra coisa e foi se perdendo naquela imensidão visual melancólica que já estava perdida, contemplando a chuva. E ele então percebeu que o dono daquele olhar tinha corpo, belo corpo. Mas o oceano que havia naquelas retinas o convidavam para voltar e mergulhar naqueles olhos. Mais do que isso. Era como o canto das sereias que seduzem o pescador. Era inevitável. Era impossível.
O susto.
Rapidamente, inesperadamente os olhares se encontraram.
Encontro das águas de dois oceanos. Difícil medir qual o mais profundo. O mais melancólico. O que mais pedia socorro. E então a música subiu. E tudo passou a girar em torno daquele encontro de olhares. E ficaram assim, os dois se olhando e se completando. Devem ter se passado minutos. Ou horas ou dias ou anos. Naqueles segundos em que eles ficaram se compreendendo e se acariciando com aquele afeto nascido de um momento tão inusitado.
Rapidamente, inesperadamente os olhares se encontraram.
Encontro das águas de dois oceanos. Difícil medir qual o mais profundo. O mais melancólico. O que mais pedia socorro. E então a música subiu. E tudo passou a girar em torno daquele encontro de olhares. E ficaram assim, os dois se olhando e se completando. Devem ter se passado minutos. Ou horas ou dias ou anos. Naqueles segundos em que eles ficaram se compreendendo e se acariciando com aquele afeto nascido de um momento tão inusitado.
Coreograficamente os dois levantaram ao mesmo tempo, como se tivessem combinado, e talvez de alguma forma o tenham feito.
Desceram do ônibus e caminharam sob a chuva.
Dividiam as gotas da chuva, o fone de ouvido, o céu e o olhar. Não disseram nada. Nem uma palavra. Só se olhavam vez por outra. E respiravam juntos. Ou talvez suspiravam juntos. até que não foi possível mais se conter.
Deram as mãos. Se olharam mais uma vez.
Desceram do ônibus e caminharam sob a chuva.
Dividiam as gotas da chuva, o fone de ouvido, o céu e o olhar. Não disseram nada. Nem uma palavra. Só se olhavam vez por outra. E respiravam juntos. Ou talvez suspiravam juntos. até que não foi possível mais se conter.
Deram as mãos. Se olharam mais uma vez.
Se beijaram longamente.
E devem ter vivido um grande amor.
Imensa a linguagem dos olhares... Onde as almas se despem e se envolvem... e se desenvolvem, espero.
ResponderExcluirLindo texto. Parabéns!
Grande abraço
Maria J Fortuna
http://arteseartesmjfortuna.blogspot.com/
O mais legal disso tudo é não saber de que cor é o oceano que você citou. Lindo texto Lenin, parabéns. =D
ResponderExcluirObrigado queridos ^^
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