domingo, 11 de dezembro de 2011

Redescobrindo ASDFG

Sentara-se diante do computador e tinha ali o desafio: Depois de tanto tempo longe, sentia-se novamente atraído por elas: As letras. O ato de escrever sempre fora libertador para ele. Era colocar sua alma pra fora de forma devassada, sem pudor, totalmente nua, e, no entanto, há três anos não escrevia uma linha. Nada saía de suas mãos, nada mais parecia querer pular de dentro de sua alma e ganhar vida pulsante na tela ou no papel.

E de repente, após segundos diante da tela e do teclado, elas vinham de forma rápida, objetiva, quase que forçando para saírem, como o pássaro capturado que anseia pela liberdade de outrora. Ali estava sua alma, ali estava ele, como ele sempre foi, como sabe-se lá Deus por que ele havia deixado de ser há tempos, seu vigor ali estava, sua paixão, seu frescor, seu medo, sua ansiedade, seu choro preso na garganta, suas noite mal-dormidas, suas frustrações e risos e dias e semanas e anos. Era ele ali denovo, sem dúvida. Em cada palavra, cada vírgula, cada espaço tinha um pouco de tudo o que ele não conseguira dizer nesse tempo. Acordara de um coma profundo, era assim que sentia: Vivo, numa dimensão até então desconhecida. Já não mais sentia o ar lhe faltando, não mais a cabeça em turbilhão, não mais o coração desejando bater em outro compasso. Agora tudo estava novamente no lugar. Escrevera, colocara ali diante de seus olhos tudo o que precisava e sentia. Viu o quanto era bom naquilo, o quanto lhe fez falta.
Podia finalmente salvar aquelas palavras para que nunca se esquecesse: Nada no mundo o faria parar de escrever novamente.

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