Voltando de mais um dia de trabalho, entediado como costuma ser todas as voltas pra casa, olhou pro céu na expectativa de ver a chuva diminuindo. Não diminuiu. O trânsito seguia lento, buzinas e o barulho da chuva no teto do carro. Pensou em ligar o som. Mas desistiu da ideia. Aquele momento era o ideal para pensar em tudo o que tinha acontecido na última semana. Ainda não tivera coragem de sentar cara a cara com o espelho e perguntar a si mesmo o tamanho daquela dor.
Não esboçou reação quando Teresa disse que ia embora. Agiu como se esperasse aquilo, embora não tivesse ideia do que estava acontecendo. Não conseguia raciocinar. Foi frio quando ela disse "Não dá mais": "Você que sabe", respondeu baixinho, apenas. Assistiu com calma descomunal a companheira fazer as malas, recolher os pertences, ouviu com placidez a buzina do táxi e sequer levantou os olhos quando ela disse adeus e lhe deu um beijo no rosto antes de sair.
Durante os dias que se seguiram, foi como se nada tivesse acontecido. Não comentou da partida de Teresa com ninguém, nem mesmo com seu terapeuta. E de noite, em casa, o vazio era preenchido com vodka, TV, música e culinária. Preparava verdadeiros banquetes pra ninguém comer. Nem ele mesmo. Tudo aquilo que levava horas pra preparar ia para o lixo.
O fato é que Diogo se recusava a pensar no que havia ocorrido. Pior do que isso, se recusava a sentir aquela perda. Foi trancando tudo nas gavetas mais altas, naquelas que não poderia alcançar, naquelas que ficariam fora do alcance da visão.
Mas de repente, naquele fim de tarde chuvoso de maio, estava tudo ali diante dele. Como se alguém tivesse invadido o seu íntimo, aberto todas as gavetas e jogado tudo pro alto. Era um oceano de sentimentos. Mais do que isso, uma tsunami que vinha com uma força arrasadora, arrastando tudo. Já não podia conter o choro, os soluços, o tremor das mãos. Quando o trânsito começou a fluir, num lampejo de lucidez, encostou o carro para evitar um acidente. E dali não conseguiu sair por cerca de 6 horas.
Chegou em casa e deitou, exausto. Sem banho, sem comer, sem beber. Nem olhou para o cachorro. Dormiu doze horas seguidas. No dia seguinte não foi trabalhar. Acordou, olhou para o lugar vazio de Teresa e suspirou. Tomou um banho demorado, fez a barba, preparou um robusto café da manhã. Olhou pela janela e viu que a chuva havia passado. Mandou um e-mail para o chefe com uma desculpa qualquer. Colocou a coleira no cão e saiu para caminhar pelo condomínio. Sorriu para crianças e velhos. Sorriu para si mesmo quando entendeu que Teresa provavelmente foi o grande amor da sua vida, mas que tinha ficado no passado. No passado mais bonito de que poderia se lembrar. Mas lá.
Olhou para o cachorro e lhe desejou "Feliz ano-novo" rindo de si mesmo ao lembrar que estava em maio.
Não esboçou reação quando Teresa disse que ia embora. Agiu como se esperasse aquilo, embora não tivesse ideia do que estava acontecendo. Não conseguia raciocinar. Foi frio quando ela disse "Não dá mais": "Você que sabe", respondeu baixinho, apenas. Assistiu com calma descomunal a companheira fazer as malas, recolher os pertences, ouviu com placidez a buzina do táxi e sequer levantou os olhos quando ela disse adeus e lhe deu um beijo no rosto antes de sair.
Durante os dias que se seguiram, foi como se nada tivesse acontecido. Não comentou da partida de Teresa com ninguém, nem mesmo com seu terapeuta. E de noite, em casa, o vazio era preenchido com vodka, TV, música e culinária. Preparava verdadeiros banquetes pra ninguém comer. Nem ele mesmo. Tudo aquilo que levava horas pra preparar ia para o lixo.
O fato é que Diogo se recusava a pensar no que havia ocorrido. Pior do que isso, se recusava a sentir aquela perda. Foi trancando tudo nas gavetas mais altas, naquelas que não poderia alcançar, naquelas que ficariam fora do alcance da visão.
Mas de repente, naquele fim de tarde chuvoso de maio, estava tudo ali diante dele. Como se alguém tivesse invadido o seu íntimo, aberto todas as gavetas e jogado tudo pro alto. Era um oceano de sentimentos. Mais do que isso, uma tsunami que vinha com uma força arrasadora, arrastando tudo. Já não podia conter o choro, os soluços, o tremor das mãos. Quando o trânsito começou a fluir, num lampejo de lucidez, encostou o carro para evitar um acidente. E dali não conseguiu sair por cerca de 6 horas.
Chegou em casa e deitou, exausto. Sem banho, sem comer, sem beber. Nem olhou para o cachorro. Dormiu doze horas seguidas. No dia seguinte não foi trabalhar. Acordou, olhou para o lugar vazio de Teresa e suspirou. Tomou um banho demorado, fez a barba, preparou um robusto café da manhã. Olhou pela janela e viu que a chuva havia passado. Mandou um e-mail para o chefe com uma desculpa qualquer. Colocou a coleira no cão e saiu para caminhar pelo condomínio. Sorriu para crianças e velhos. Sorriu para si mesmo quando entendeu que Teresa provavelmente foi o grande amor da sua vida, mas que tinha ficado no passado. No passado mais bonito de que poderia se lembrar. Mas lá.
Olhou para o cachorro e lhe desejou "Feliz ano-novo" rindo de si mesmo ao lembrar que estava em maio.
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